Ex-oficiais da PM presos por 8/1 firmam acordo na cadeia
Relatos indicam fim de rivalidades históricas entre policiais detidos
Ex-oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal que estão detidos após os atos de 8 de janeiro decidiram estabelecer uma convivência pacífica no ambiente prisional. A mudança de postura ocorre após anos de disputas internas dentro da corporação. Segundo informações publicadas nesta quinta-feira (23) pela coluna Painel, relatos de familiares e advogados indicam que os cinco coronéis chegaram a um entendimento para encerrar conflitos antigos enquanto cumprem prisão na capital federal.
Os cinco coronéis estão presos desde 11 de março na unidade conhecida como Papudinha, vinculada à Polícia Militar do Distrito Federal e localizada ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. Durante as investigações, as defesas dos policiais trocaram acusações sobre responsabilidades pelos atos que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.
Pessoas próximas ao grupo afirmam que os oficiais mantinham disputas frequentes por espaço na hierarquia da Polícia Militar e buscavam posições de comando. A convivência atual contrasta com esse histórico de rivalidade, agora substituído por uma tentativa de estabilidade dentro do sistema prisional.
Condenações
Números divulgados em janeiro de 2026 apontaram que o Supremo Tribunal Federal condenou 1.399 pessoas por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Já no inquérito que investigou a tentativa de golpe, a Corte condenou 29 réus, entre eles Jair Bolsonaro, que recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão.
No STF, as apurações sobre as manifestações terroristas em Brasília fizeram parte de uma investigação mais ampla, sobre a tentativa de golpe. Os atos bolsonaristas aconteceram depois da posse Lula, enquanto a elaboração do plano golpista ocorreu ainda no governo Jair Bolsonaro (2019-2023).
Grupo reúne antigos comandantes
Entre os detidos estão Fábio Augusto Vieira e Klepter Rosa Gonçalves, que já exerceram o comando-geral da corporação. Jorge Eduardo Naime Barreto e Marcelo Casimiro figuravam como possíveis sucessores na estrutura de liderança. Paulo José Ferreira, por sua vez, já estava na reserva remunerada antes da prisão.
A nova dinâmica entre os oficiais indica uma tentativa de reduzir tensões internas em um momento marcado por processos judiciais e investigações sobre os episódios de janeiro de 2023.
