Minha Casa, Minha Vida ganha força com Lula e reduz déficit habitacional
Programa habitacional cresce no Norte e Nordeste, amplia acesso à classe média e atinge menor nível histórico de déficit de moradias.
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se consolidou como uma das principais vitrines do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com crescimento expressivo nos contratos de financiamento habitacional e foco ampliado para a classe média, segundo o jornal O Globo.
Os financiamentos do programa cresceram 45% entre 2023 e 2025, com destaque para o avanço nas regiões Norte e Nordeste, onde o aumento foi de 84% e 63%, respectivamente. Nessas áreas, historicamente mais afetadas pelo déficit habitacional, o desempenho supera a média nacional e reforça a importância estratégica do programa

Expansão regional e impacto social
Os dados da Caixa Econômica Federal indicam que o Nordeste saltou de 91,2 mil para 149,2 mil contratos no período, enquanto o Norte passou de 11,9 mil para 22 mil. O crescimento ocorre em regiões que também concentram apoio político ao presidente, em um momento em que o governo busca recuperar popularidade, especialmente em capitais nordestinas.
Além da ampliação do crédito, o programa passou por ajustes para facilitar o acesso das famílias de menor renda. Segundo o ministro das Cidades, Vladimir Lima, o alto custo do aluguel era um dos principais entraves. “Um dos componentes do déficit habitacional, o ônus excessivo com aluguel, quando as famílias (que ganham até 3 salários mínimos) pagam mais que 30% de sua renda, impedia que elas tivessem o valor de entrada para o financiamento do imóvel”.
Novas regras ampliam alcance
As mudanças recentes incluem aumento no teto de renda e no valor dos imóveis financiados. Agora, famílias com renda de até R$ 13 mil podem acessar o programa, com imóveis de até R$ 600 mil e juros abaixo do mercado. Antes, o limite era de R$ 8 mil.
O governo também ampliou o orçamento do MCMV para R$ 200 bilhões em 2026, com a meta de contratar 3 milhões de unidades habitacionais até o fim do mandato. Para viabilizar esse objetivo, o aporte do Fundo Social foi elevado de R$ 25 bilhões para R$ 45 bilhões.
Redução do déficit habitacional
A expansão do programa já apresenta reflexos nos indicadores de moradia. Dados da Fundação João Pinheiro mostram que o déficit habitacional caiu para 7,4% em 2024, o menor nível da série histórica, embora ainda existam cerca de 5,8 milhões de moradias em falta no país.
No Norte, o índice recuou de 13,2% para 11,1%, enquanto no Nordeste caiu de 8,9% para 7,1%, igualando-se ao Sudeste.
Parcerias e geração de empregos
O avanço também é impulsionado por iniciativas como o MCMV Cidades, que envolve estados e municípios no financiamento das unidades. Segundo a vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, essa estratégia tem sido determinante. “Historicamente, a gente tinha uma execução menor no Norte e Nordeste. Isso melhorou bastante, a carteira subiu com as mudanças de 2023 e o MCMV Cidades. A construção civil tem uma característica muito interessante porque gera vagas, e o emprego aumenta a contribuição (do FGTS). Então é um ciclo virtuoso”.
O impacto na economia também é destacado pelo setor da construção. Clausens Duarte, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), afirma que o crescimento do programa impulsionou o emprego formal, que se aproximou de 3 milhões de trabalhadores em 2025. “Se há aumento de unidades contratadas, a construção vai exigir mais mão de obra. Então, sem sombra de dúvida, representa um avanço para a economia local e regional”, declarou.
Ritmo de crescimento e estratégia eleitoral
No primeiro trimestre de 2026, o número de contratações do MCMV cresceu 8,5% no país, mas com alta de 44% no Norte e 27% no Nordeste, mantendo o ritmo acelerado nessas regiões.
Os resultados do programa devem ocupar papel central na estratégia eleitoral do governo. O presidente tem intensificado agendas de entrega de moradias e pretende reforçar o programa como símbolo de sua gestão, em contraste com períodos anteriores em que a política habitacional teve menor protagonismo.
