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Mineradora Serra Verde, de Goiás, exportava toda sua produção de terras raras para a China antes de venda aos EUA

21/04/2026 4 min read

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 Mineradora Serra Verde, de Goiás, exportava toda sua produção de terras raras para a China antes de venda aos EUA
As bandeiras dos EUA e da China são vistas nesta ilustração (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

Mudança no controle da mineradora em Goiás altera rota estratégica dos minerais e intensifica disputa global por insumos críticos.

Antes de ser adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em uma operação de US$ 2,8 bilhões, a mineradora brasileira Serra Verde destinava integralmente sua produção de terras raras à China, principal potência global no processamento desses minerais estratégicos. A informação foi divulgada pelo jornal O Popular, ao detalhar o funcionamento da cadeia produtiva da empresa instalada em Goiás.

A Serra Verde, responsável pela única operação em larga escala de terras raras no Brasil, produzia cerca de 6.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras (TREO), insumos fundamentais para setores como eletrônicos, veículos elétricos, energia limpa e defesa. Toda essa produção era exportada para o mercado chinês, que domina mais de 70% da capacidade global de refino desses materiais.

Dependência do refino chinês

O envio integral da produção brasileira à China refletia uma realidade estrutural do setor: embora países como o Brasil possuam grandes reservas, a etapa de refino — a mais complexa e estratégica — está amplamente concentrada em território chinês. Isso cria uma dependência global em relação à indústria chinesa, inclusive para países produtores.

Nesse contexto, a Serra Verde operava como fornecedora de matéria-prima para o sistema industrial chinês, sem internalizar etapas de maior valor agregado na cadeia produtiva.

Aquisição muda eixo geopolítico

Com a compra da empresa pela USA Rare Earth, esse fluxo tende a ser redirecionado. Os Estados Unidos, que buscam reduzir sua dependência da China, passam a ter acesso direto à produção brasileira, com apoio institucional do governo norte-americano por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC).

O investimento da DFC, que inclui cláusulas de prioridade de fornecimento para os EUA, sinaliza uma mudança estratégica relevante: o que antes alimentava a cadeia industrial chinesa pode passar a fortalecer a indústria norte-americana.

Brasil entre duas potências

A mudança evidencia o papel central do Brasil na disputa global por terras raras. Detentor da segunda maior reserva do mundo, o país se torna alvo de interesses das principais potências, que buscam garantir acesso a insumos críticos para suas economias.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a ausência de uma política industrial robusta voltada ao refino e à agregação de valor mantém o Brasil em posição periférica, como exportador de matéria-prima.

Disputa por recursos estratégicos

A transição no controle da Serra Verde simboliza uma inflexão na geopolítica dos minerais críticos. Se antes o Brasil abastecia diretamente a China, agora passa a integrar a estratégia dos Estados Unidos de reconstruir cadeias produtivas fora da influência chinesa.

O episódio reforça a crescente centralidade das terras raras na economia global e levanta debates sobre soberania, desenvolvimento industrial e o papel do Brasil em um cenário de competição entre grandes potências.

 

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