Representante do Ministério da Saúde visita Carreta de Saúde da Mulher em Vitória da Conquista (BA)
Negócio com deputado do PL surge em apreensão da PF no caso Banco Master
Documentos encontrados em endereço ligado a Daniel Vorcaro citam João Carlos Bacelar
A operação da Polícia Federal que apura suspeitas envolvendo o Banco Master levou os investigadores a encontrar, em um dos endereços associados ao empresário Daniel Vorcaro, um envelope que mencionava o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Dentro dele havia documentos relativos a uma negociação imobiliária na Bahia.
As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de São Paulo, que teve acesso ao material apreendido. Os agentes ainda não concluíram a análise do conteúdo e, portanto, não há indícios de irregularidade relacionados ao parlamentar ou ao negócio citado.
Bacelar explicou que participou da criação de um fundo destinado à construção de um empreendimento imobiliário em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA). Segundo ele, Vorcaro demonstrou interesse na aquisição de parte desse projeto, motivo pelo qual recebeu a documentação. O deputado afirmou que a transação acabou não avançando. “Ele me fez uma consulta sobre um imóvel em Porto Seguro, que não se concretizou. Quando o banco começou a entrar em dificuldade, ele pediu mais um tempo para poder exercer a opção. Foi feito um documento dando a opção de compra a Daniel Vorcaro”, declarou.
A defesa do dono do Banco Master não se manifestou. Vorcaro deixou o presídio em Guarulhos no sábado (29), após permanecer detido por 11 dias por ordem da primeira instância da Justiça Federal. A libertação ocorreu depois de a desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), reconsiderar sua decisão e revogar as prisões preventivas dos cinco investigados.
O documento referente ao negócio imobiliário passou a ser peça central de uma nova estratégia jurídica de Vorcaro. Na sexta-feira (28), sua defesa ingressou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para transferir toda a investigação para a Corte, argumentando que o caso seria semelhante ao da Operação Overclean — encaminhada ao Supremo após a polícia apreender documentos de transação imobiliária envolvendo um deputado. O requerimento foi distribuído ao ministro Dias Toffoli.
Enquanto isso, a PF sustenta que não há indícios que justifiquem o envio do inquérito ao STF. Os agentes ainda analisam os materiais recolhidos na Operação Compliance Zero, deflagrada no último dia 18. Até o momento, a corporação avalia que o negócio encontrado não guarda relação com o foco principal da investigação: a operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
Além dos documentos, foram apreendidos celulares de diversos investigados, que agora passam por perícia. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que estava fora do país quando a operação teve início, entregou voluntariamente seu aparelho à PF na semana passada.