De R$ 500 mil em dinheiro com o irmão a R$ 155 milhões de Vorcaro: o vídeo que volta a assombrar Alcolumbre
Acusado de esquema com o empresário Daniel Vorcaro, senador tenta negar repasses, mas imagens do irmão com maços de dinheiro vivo reativam a memória da corrupção nas redes.
Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, voltou ao centro do desgaste político envolvendo o Banco Master depois que um vídeo de 2022, com matéria jornalística sobre seu irmão, foi resgatado nas redes sociais. A reportagem mostra o caso da apreensão de quase R$ 500 mil em espécie em um carro ligado a Alberto Samuel Alcolumbre Tobelem, irmão do senador.
O vídeo voltou a circular após a revelação de que Alcolumbre teria recebido R$ 155 milhões de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, segundo a revista Veja. O senador nega a acusação e afirma que as informações são “absolutamente falsas”.
A circulação do registro adiciona pressão política a um caso que já envolve dinheiro, poder em Brasília e a tentativa de Vorcaro de negociar uma colaboração premiada com a Polícia Federal. O vídeo de 2022 não estabelece relação direta com o caso Banco Master, mas voltou ao debate público no mesmo momento em que o presidente do Senado passou a ser citado em uma nova frente do escândalo.
Alcolumbre e o vídeo dos R$ 500 mil em dinheiro vivo
O caso envolvendo Alberto Alcolumbre foi noticiado pela Fórum em março de 2022, quando a Polícia Militar de São Paulo apreendeu quase R$ 500 mil em espécie durante abordagem a um Ford Fusion preto na avenida Olavo Fontoura, na zona norte da capital paulista.
À época, Alberto Samuel Alcolumbre foi chamado a depor após a PM encontrar o dinheiro no veículo. Segundo reportagens publicadas naquele período, o motorista apresentou uma versão sobre a origem da quantia, enquanto Alberto sustentou que o dinheiro era relacionado a honorários advocatícios.
Em reportagem publicada neste ano, a revista Piauí relembrou o episódio e registrou que o motorista teria dito à polícia que o dinheiro vinha de um grupo para financiar uma campanha política. Alcolumbre negou vínculo com o transporte dos valores ou com financiamento de campanha.
A retomada do vídeo tem força porque recupera um elemento de alto impacto público: dinheiro vivo em grande volume e a ligação do veículo ao irmão de uma das principais autoridades do Congresso. Embora o episódio seja anterior e distinto da apuração sobre o Banco Master, a volta do material às redes cria um novo constrangimento político para Alcolumbre.
Fórum mostrou avanço da crise de Vorcaro na PF
A Fórum tem acompanhado os desdobramentos do caso Master e mostrou que Vorcaro tentou levar à Polícia Federal uma proposta de delação envolvendo políticos e operadores ligados ao banco. Em uma das frentes, a defesa de Daniel Vorcaro entregou proposta de colaboração à PF e à PGR, com anexos sobre tratativas mantidas pelo ex-banqueiro.
Depois, a crise ganhou novo capítulo quando a Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada de Vorcaro. É nesse ambiente de disputa sobre o alcance da colaboração que a menção a Alcolumbre, feita pela Veja e negada pelo senador, passou a ter peso político maior.
Caso Vorcaro amplia pressão sobre Alcolumbre
A reaparição do vídeo ocorre em meio ao avanço das revelações sobre a relação de Daniel Vorcaro com políticos. O ex-banqueiro é personagem central do colapso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Segundo a Veja, Vorcaro teria transferido US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões, a Alcolumbre em uma conta no exterior. A revista afirmou que a operação estaria relacionada a uma demanda de interesse do Master. O senador rejeita a versão.
A Fórum tem mostrado que o caso Master não se limita ao colapso de uma instituição financeira. A investigação atingiu políticos do centrão e direita, empresários e operadores que orbitavam Vorcaro, além de expor a tentativa do ex-banqueiro de negociar delação premiada com a Polícia Federal.
O ponto central é a sobreposição política dos fatos. De um lado, Alcolumbre nega a acusação sobre o suposto repasse milionário atribuído a Vorcaro. De outro, um vídeo antigo sobre a apreensão de dinheiro vivo envolvendo seu irmão volta a circular e reacende um episódio já noticiado pela imprensa.
Não há, no material citado, prova de ligação entre a apreensão dos R$ 500 mil em 2022 e a acusação feita agora no contexto do Banco Master. O que há é uma nova pressão sobre o presidente do Senado no momento em que o escândalo Vorcaro passou a alcançar nomes centrais da política nacional.