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Prefeita de Vitória da Conquista e prefeito de Jequié não confirmam, até o momento a força eleitoral anunciada e expõem sinais de fragilidade da extrema direita na Bahia

11/04/2026 6 min read

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 Prefeita de Vitória da Conquista e prefeito de Jequié não confirmam, até o momento a força eleitoral anunciada e expõem sinais de fragilidade da extrema direita na Bahia

Por fim, há um dado relevante. Tanto Jequié quanto Vitória da Conquista não demonstraram, até aqui, aderência plena às narrativas políticas apresentadas por seus gestores. Parte da população parece manter certa distância entre o discurso político e a percepção cotidiana da realidade. Quando esse descompasso se estabelece, é comum observar desgaste na credibilidade e maior cobrança por resultados concretos.

Por Joilson Bergher

A política baiana vive, mais uma vez, um momento de disputa de narrativas. De um lado, setores da oposição — especialmente ligados à extrema direita — buscam sustentar a ideia de crescimento eleitoral em diversas regiões do estado. De outro, o que se observa no cotidiano político, sobretudo no interior, é um movimento consistente de articulação e fortalecimento da base governista em torno do governador Jerônimo Rodrigues.

Ao percorrer territórios como o Vale do Jequiriçá, o Oeste da Bahia, o Sudoeste baiano, a região da Serra Geral e parte do Sul do estado, nota-se a presença ativa de lideranças políticas, prefeitos, vereadores, movimentos sociais e da população, que vêm reafirmando apoio a um projeto político iniciado ainda nos governos de Jaques Wagner e aprofundado por Rui Costa.

Esse fenômeno pode estar associado à implementação de políticas públicas que alcançam a vida concreta da população, criando vínculos que vão além do discurso eleitoral. Nesse contexto, surge uma questão recorrente no debate político: onde estão os votos que a extrema direita afirma possuir na Bahia? Parte da resposta pode estar na diferença entre mobilização digital e capilaridade territorial. As redes sociais ampliam vozes e constroem percepções, mas nem sempre essas percepções se confirmam nas urnas — como já indicaram análises sobre o último processo eleitoral.

Dando sequência a essa reflexão, chama atenção um aspecto amplamente difundido no debate recente: tanto a prefeita de Vitória da Conquista quanto o prefeito de Jequié foram apresentados como possíveis “puxadores de votos”, capazes de impulsionar a oposição no interior do estado. No entanto, até aqui, essa expectativa não parece encontrar sustentação consistente na dinâmica política observada.

No caso de Jequié, o ex-prefeito, citado como peça estratégica nesse campo político, não tem demonstrado, até o momento, capacidade de ampliar significativamente a base eleitoral desse segmento, segundo avaliações recorrentes no cenário regional.

A articulação que se anunciava robusta revela-se, na prática, aquém das expectativas quando confrontada com a dinâmica política local. Já em Vitória da Conquista, o cenário também tem sido alvo de diferentes interpretações. A prefeita, apontada anteriormente como figura de projeção estadual, apresenta hoje menor protagonismo no debate político mais amplo, tendo, inclusive, ficado fora de composições recentes no campo oposicionista.

Soma-se a isso uma percepção, presente em parte do debate público, de dificuldades administrativas em sua gestão — fator que pode impactar sua capacidade de influência política para além do município. Lideranças que enfrentam desafios em sua própria base tendem a encontrar obstáculos adicionais para ampliar projeção em nível estadual.

Esse conjunto de elementos reforça um ponto central: a política não se sustenta apenas em narrativas ou expectativas. Ela exige densidade territorial, gestão consistente, alianças estruturadas e presença ativa junto à população. Sem esses pilares, projetos políticos tendem a perder força ao longo do tempo.

Diante disso, o que vem sendo apresentado como avanço da extrema direita na Bahia pode ser interpretado, à luz dos fatos observáveis, mais como construção discursiva do que como realidade consolidada.

Enquanto isso, o campo governista mantém uma base estruturada e capilarizada, o que contribui para sua presença em diferentes regiões do estado. Falar em hegemonia absoluta seria precipitado — a democracia é dinâmica e aberta a mudanças. No entanto, afirmar a existência de uma onda consolidada da extrema direita na Bahia, neste momento, parece não encontrar respaldo uniforme nos sinais mais evidentes do cenário político.

Mais do que um crescimento consistente, o que se observa são limites concretos de expansão — e, em certa medida, dificuldades de transformar discurso em enraizamento político efetivo. E a política costuma ser exigente nesse aspecto: projetos que não se consolidam na base enfrentam maiores desafios para se projetar de forma mais ampla.

Por fim, há um dado relevante. Tanto Jequié quanto Vitória da Conquista não demonstraram, até aqui, aderência plena às narrativas políticas apresentadas por seus gestores. Parte da população parece manter certa distância entre o discurso político e a percepção cotidiana da realidade. Quando esse descompasso se estabelece, é comum observar desgaste na credibilidade e maior cobrança por resultados concretos.

Nem Jequié nem Vitória da Conquista embarcaram, de forma clara, em retóricas ilusórias — e isso lança luz sobre o momento político atual. De um lado, discursos inflados; de outro, uma base que segue em processo de ampliação. Não se trata de antecipar resultados — mas de reconhecer que, até aqui, os sinais indicam limites reais para determinados projetos políticos no estado.
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Joilson Bergher!
Analista Crítico Social/Professor.

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