O capital da submissão: Soberania não se negocia, o vassalismo como sistema de apropriação do Estado Brasileiro
(Prof. Dirlei A Bonfim).*
Historicamente, os vassalos eram intermediários a (nobres), que recebiam terras nos (feudos) e proteção de um suserano em troca de fidelidade e apoio militar. Diferente dos servos, eles eram homens livres, que normalmente faziam parte de uma parte dos aristocratas. O que se discute nesse momento, é o uso moderno e metafórico do termo, aplicado a quem troca princípios por vantagens, a quem troca soberania e autonomia, por traição e submissão, a quem desconhece completamente os fundamentos da ética, lisura e firmeza de caráter. O conceito medieval de vassalagem, baseado na troca de proteção por fidelidade cega, não desapareceu com o feudalismo; ele apenas trocou as armaduras pelos ternos de alta costura no ambiente corporativo e político contemporâneo. No cenário atual, a ascensão financeira e o sucesso político frequentemente deixam de ser frutos do mérito ou da competência técnica para se tornarem subprodutos de uma bajulação institucionalizada. A apropriação do Estado é o processo pelo qual grupos de interesse privado assumem o controle das instituições, verbas e decisões estatais. Em vez de atuar como um árbitro imparcial para o bem comum, o Estado passa a funcionar como uma extensão dos interesses particulares de corporações e elites, gerando o patrimonialismo. Empresários e políticos alimentam uma simbiose antiética e profundamente hipócrita, onde o “puxa-saquismo” estratégico disfarça o oportunismo sob o manto de uma falsa lealdade de mercado. A suserania e vassalagem eram parte da relação de vassalagem, uma espécie de acordo realizado na Europa Ocidental durante a Idade Média. Na baixa idade média (entre os séculos XI e XV). Nessa relação, um dos lados (vassalo) oferecia seus serviços e fidelidade, em troca de terra ou outros benefícios advindos do suserano. Segundo Maquiavel (1532), “O risco dos Vassalos, ocorria quando o poder era dividido com nobres que possuíam domínios próprios e influência hereditária. Maquiavel explica que é fácil conquistar um reino governado por vassalos, pois sempre haverá algum nobre descontente ou ambicioso disposto a trair o rei para usurpar o poder. Contudo, manter esse reino é extremamente difícil, pois o príncipe nunca terá controle total sobre eles”. Mas, quem escolheu um pseudo poder sem mérito através da adulação e puxa-saco”, para atingir os seus objetivos sórdidos. No Brasil, num passado recente, os políticos brigavam, debatiam mas, havia um respeito mínimo pelo adversário, atualmente, eles se degladiam e o tratamento é de inimigos, quem trouxe esse maléfico expediente para a política partidária nacional foi o (clã bolsonarista), (que transformou adversários em inimigos), todavia, nenhuma das partes era capaz de colocar a SOBERANIA NACIONAL EM RISCO, o que degradou ainda mais a corrida eleitoral nacional com o processo espúrio da polarização burra, insana e inconsequente, chegando atualmente, as raias do inimaginável quando esse clã de não mede esforços para lutar contra os interesses nacionais e como entreguistas, puxa-sacos dos EUA), causando sérios problemas a diplomacia e a soberania nacional. Em qualquer lugar do mundo (soberania, não se negocia) e mais, aqueles que se arvoram a traição a sua pátria, são julgados pela prática do crime de lesa-pátria, em alguns países, normalmente com a pena Capital. No Brasil, a pena de morte não é aplicada para crimes de traição ou lesa-pátria em tempos de paz. A Constituição Federal veda a pena capital, cuja única exceção restrita é para o crime militar de deserção em caso de guerra declarada. Atos contra a soberania são julgados como crimes contra o Estado Democrático de Direito, com penas de reclusão. Crimes Atuais contra a Soberania: A antiga Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83) foi revogada. Em seu lugar, a Lei 14.197/2021 instituiu os crimes contra o Estado Democrático de Direito no Código Penal. A legislação pune condutas como atentar contra a soberania ou tentar submeter o país ao domínio estrangeiro com penas de reclusão, sem possibilidade de pena capital. A relação histórica da vassalagem foi a forma encontrada pelos reis de garantir apoio da nobreza e a forma da nobreza de conquistar terras e benefícios a seu favor. Essa prática foi estabelecida por Pepino, o Breve, no Reino dos Francos, durante a dinastia carolíngia, sendo muito comum no período auge do feudalismo. Ele governou os francos no século VIII, estabelecendo a vassalagem como uma forma de hierarquizar a sociedade franca, estabelecendo maior controle sobre os nobres. A relação de vassalagem era também realizada em uma cerimônia que envolvia as duas partes, não podendo ser realizada por procuração. Segundo o Professor Jessé Souza (2017), sobre o Vassalo pós-moderno “ argumenta que o capitalismo selvagem e financeirizado não sobrevive sozinho”. Para ele, a elite econômica delega à classe média o “trabalho sujo” de legitimar a exploração. Essa classe média atua como “capitão-do-mato” moderno, reproduzindo os interesses dos donos do capital em troca de status e privilégios. O contrato feudo-vassálico era marcado pela homenagem, juramento de fidelidade e investidura. Vejamos o que representava cada uma dessas partes da cerimônia: Homenagem: momento da cerimônia em que o vassalo colocava suas mãos entre as mãos de seu suserano, fazendo uma declaração em que apresentava sua vontade de ser vassalo de tal senhor.
Juramento de fidelidade: o vassalo prestava sua fidelidade ao seu suserano por meio de um juramento que era realizado com uma de suas mãos sobre uma Bíblia ou sobre um relicário. Investidura: oficializava-se a relação de vassalagem com o vassalo recebendo algum objeto que servia como símbolo dos benefícios que ele receberia. No século XXI, essa dinâmica metafórica descreve indivíduos que abrem mão de autonomia ética para obter e manter privilégios ou poder. Os vassalos medievais e os “vassalos” modernos agem de formas totalmente diferentes, pois os primeiros cumpriam obrigações vitais de sobrevivência, enquanto os atuais buscam vantagens pessoais em estruturas de poder. A vassalagem moderna no século XXI, a ânsia por poder substitui feudos por contratos e benesses, enquanto “puxa-saecos” trocam a dignidade por proximidade com chefes, causando o mesmo constrangimento histórico da submissão cega. (chegamos ao fundo do poço, em muitos casos, de escândalos e até a traição da pátria, crimes inafiançáveis punidos em alguns países, com a pena capital, que certas famílias cometem o tempo todo). A partir do Professor Edgar Morin (2024), vai dizer que “em sua antropologia, o Professor Morin (2024), “explica que o indivíduo perde sua autonomia quando é dominado não apenas pela força externa, mas por dogmas ou hierarquias internas que tomam o controle. Esse indivíduo deixa de ser um “sujeito” ativo e criador, passando a servir cegamente a uma lógica de poder ou a uma ideologia menor, dragada pela ganância capital de poder, submetendo-se ao processo de vassalagem contemporâneo”. A Engrenagem da Vassalagem Através dos Tempos: Idade Média (Ontem): O sistema feudal baseava-se na relação entre suseranos (senhores que doavam terras) e vassalos (nobres que juravam fidelidade e proteção militar). Era uma relação de interdependência, mas hierárquica e desigual. Século XXI (Hoje): O “feudo” atual engloba cargos de confiança, lobbies, contratos públicos, influência política e vantagens financeiras. O vassalo moderno vende sua autonomia e senso crítico em troca de proteção e acesso ao “castelo” do poder. Oportunistas e “Puxa-sacos”: Na base dessa cadeia estão os bajuladores de plantão. Eles não buscam apenas terras, mas validação e migalhas de poder. O vexame reside na ausência de princípios, onde a bajulação substitui o debate de ideias. A Perda de Autonomia: A verdadeira tragédia da vassalagem, tanto no feudalismo quanto na atualidade, é a perda da própria voz. O vassalo age não por convicção, mas para agradar seu suserano e garantir a manutenção do seu “status quo”, o que na política e no empresariado corrompe a democracia e o mérito. Para aprofundamento sociológico, acadêmicos e críticos analisam como essas relações de dependência pessoal continuam a ditar as estruturas de poder na sociedade moderna. As relações de suserania e vassalagem, comuns no feudalismo durante a Idade Média, foram compromissos de fidelidade entre nobres originadas a partir da doação de terras. Quando um nobre doava terras a outro, o que doou se torna suserano e o que recebeu, vassalo. Esse acordo implicava direitos e obrigações recíprocas. Assim, enquanto os suseranos eram os nobres que doavam as terras (até mesmo castelos), os vassalos, protegidos por eles, representavam os nobres que recebiam as terras e em troca, cuidavam e protegiam delas ao mesmo tempo que serviam os suseranos de diversas maneiras, sobretudo, para serviços militares, com o intuito de defendê-lo em tempos de guerra. A cerimônia geralmente ocorria numa Igreja, onde os vassalos, segurando suas espadas, se ajoelhavam diante de seus suseranos, prometendo fidelidade total – selado com um beijo – e proteção nas guerras. Caso o vassalo traísse seu suserano, perderia todos seus direitos, posses e títulos. Durante a cerimônia, a submissão do vassalo perante seu suserano era selada com um tapa no rosto do vassalo. A relação de suserania e vassalagem era, em grande parte, de caráter hereditário (ocorriam entre membros da família). Ela demostrava a descentralização política da época, sendo estabelecida diante de uma cerimônia solene (juramento) denominada “Homenagem”. Esse juramento selava os laços de lealdade e fidelidade entre seus elementos. Eles operam através de: Adulação Estratégica: Praticam o famoso “puxa-saquismo” institucional, exaltando figuras de poder (políticos ou empresários) não por mérito, mas para garantir ascensão rápida. Toma lá, dá cá: Operam redes de tráfico de favores e interesses mesquinhos, onde o apoio cego a um “cacique” garante proteção e benesses particulares. Alianças por Conveniência: Abandonam convicções ideológicas ou éticas rapidamente, alinhando-se a quem detém os recursos (cargos, verbas, influência) no momento, demonstrando uma “fidelidade” puramente transacional. O que faziam os vassalos no período feudal: No feudalismo, a vassalagem era um pacto de fidelidade militar e política entre nobres (o suserano e o vassalo), e não se confunde com a servidão (os camponeses que eram quase escravos). O vassalo medieval devia: Prestar apoio militar: Defender as terras do suserano e lutar em suas guerras. Fornecer ajuda financeira: Pagar resgates se o suserano fosse capturado e dar dotes de casamento. Oferecer conselho: Participar do tribunal do senhor e ajudar em decisões políticas. Administrar o feudo: Governar a porção de terra recebida (benefício) e proteger a população local. O que fazem os “vassalos” do século XXI: A metáfora moderna descreve o comportamento de subordinados oportunistas, políticos e bajuladores em corporações e governos. Eles fazem: Praticar o clientelismo: Trocar favores políticos e apoio cego por cargos, verbas ou contratos públicos.
Praticar o “puxa-saquismo”: Elogiar lideranças de forma desmedida para blindar a própria posição e subir na carreira. Proteger interesses mútuos: Blindar superiores corruptos ou incompetentes em troca de impunidade e vantagens financeiras. Alimentar o jogo de aparências: Defender agendas em que não acreditam, focando apenas no lucro e no poder individual. Na política atual, figuras que atuam como “vassalos” ou “puxa-sacos” internacionais são comumente identificadas por analistas políticos como operadores, parlamentares e influenciadores alinhados à extrema-direita que buscam ativamente o endosso de líderes estrangeiros, como o presidente dos (EUA), o senhor Donald Trump. O termo é frequentemente associado a aliados e a certas famílias e familiares que priorizam agendas externas, fazem lobby por sanções contra o próprio país, como verdadeiros “golpistas” e ou “traidores da pátria”, ou mesmo, buscam legitimação em Washington para contornar desgastes e crises internas. O fenômeno do “Vassalismo Político”: Na dinâmica de poder entre a extrema direita brasileira e a Casa Branca, o papel de “bajulador” ou “quase servo”, ou ainda do “puxa-saco oficial”, é atribuído pela oposição a figuras que se submetem à tutela de potências estrangeiras. Exemplos práticos incluem: Articuladores Internacionais: Figuras ligadas a uma certa família de um que se mudaram para os EUA para fazer pontes com setores conservadores norte-americanos. Busca por Fotos, Imagens e Bajulação: Políticos e pré-candidatos que viajam para reuniões rápidas em Washington — como a recente ida de um certo senador do (PL-RJ) à Casa Branca — na tentativa de usar o “carimbo” internacional para tentar fortalecer sua candidatura e narrativas. É um fato clássico do “vassalismo contemporâneo”, do “bajulador-mor de plantão”, ou do “popular puxa-saco”, inexpressivo, que procura se aparecer de qualquer maneira, para tirar algum proveito político partidário, na replicação e exploração de fotos e imagens e postar nas suas redes sociais. Portanto bastante questionável, do ponto de vista ético, do ponto de vista da (soberania nacional), a propósito, será que essa gente sabe lá, o que é a Ética e Soberania…? Lobby por Tarifas e Sanções: Casos de aliados que apoiam ou fazem pressão para a imposição de tarifas econômicas ao Brasil, vistas por críticos como medidas de ataque aos interesses nacionais para obter dividendos políticos partidários. Críticas e Repercussões: A postura de submissão a lideranças estrangeiras recebe fortes críticas no Brasil e no mundo, com as diversas manifestações tanto de populares, como professores, jornalistas, intelectuais e analistas rotulando tal comportamento como entreguista. Políticos têm sido alvo de repúdio sob a acusação de agirem contra o próprio país para satisfazer interesses de uma liderança global. A expressão “complexo de vira-lata” foi cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. Contudo, a aplicação de conceitos sociológicos ao bolsonarismo, o termo “vassalos” e a classificação da família Bolsonaro como “traidores da pátria” são debates frequentes no cenário político nacional, frequentemente associados a diplomatas e analistas. Alguns pontos de cruzamento entre essas ideias: O “Vassalismo”: A submissão ideológica e o alinhamento incondicional a potências estrangeiras (especialmente a setores políticos dos Estados Unidos), são frequentemente classificados por críticos como um “vassalismo moderno” ou o clássico “complexo de vira-lata” invertido, onde a classe política busca validação externa em detrimento da soberania nacional. O “Herói sem escrúpulos”: Na sociologia de Roberto DaMatta(1997), existe uma grande discussão sobre as figuras do “malandro” e do “herói” na sociedade brasileira. Ele analisa como o Brasil opera na tensão entre as leis universais (do Estado) e as relações pessoais (da rua/família). No discurso político contemporâneo, a figura do “herói” por vezes assume traços pragmáticos e autoritários que operam nas margens do sistema. A “Traição à Pátria”: A acusação de traição à pátria por parte da família Bolsonaro ganhou grande repercussão no debate público. O Professor Roberto Da Matta (1997), vai dizer “sobre as relações pessoais, que provavelmente diria que os lojistas e puxa-sacos operam na “fronteira” entre o espaço da casa as ligações pessoais, favores e afeto) e da rua (leis impessoais e negócios)”. Na visão do antropólogo, essas figuras personificam o famoso “jeitinho” e a tradicional dificuldade brasileira em aceitar o igualitarismo e a cidadania moderna. Personalismo x Burocracia: Para Da Matta (1997), “o mercado e o consumo no Brasil não são impessoais. O “lojista” muitas vezes tenta transformar o cliente em um conhecido ou “amigo”, criando uma teia de favores e lealdades. A Indústria do Puxa-saquismo: É um mecanismo que reforça a desigualdade social”. A riqueza, a influência ou a proximidade com o poder geram “fidalguias”. O puxa-saco busca reconhecimento pessoal driblando o sistema impessoal de leis e meritocracia. Contraste na Modernidade: Na pós-modernidade, esses rituais arcaicos de apadrinhamento e submissão colidem com o desejo por direitos universais, resultando em uma sociedade que oscila entre a obediência às leis e o desejo de “levar vantagem”. Assim, como as relações de poder e as distinções de classe funcionam no imaginário brasileiro, aprofunde-se na obra clássica “Carnavais, Malandros e Heróis”. Um caso emblemático ocorreu após declarações e articulações políticas no exterior, quando o ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, e outras lideranças políticas utilizaram publicamente o termo “traidores da pátria” para descrever a postura da família em episódios de choque geopolítico e econômico. O antropólogo Roberto DaMatta (1997), dedica sua obra a decifrar a alma brasileira, a hierarquia e o sistema relacional do país, refletindo sobre como o “jeitinho” muitas vezes substitui a cidadania republicana.
A associação desses comportamentos (subserviência internacional e manipulação das instituições) à sua obra pode ser explorada mais a fundo em suas análises sobre as ambiguidades da identidade e do autoritarismo brasileiro, disponíveis em livros como Carnavais, Malandros e Heróis. Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-lata” na crônica intitulada “Complexo de vira-latas”. Obra original: Publicada originalmente na revista Manchete Esportiva em 31 de maio de 1958. Obra em livro: O texto foi republicado no livro póstumo À sombra das chuteiras imortais: crônicas de futebol (organizado por Ruy Castro). Ano e Edição em livro: A primeira edição desse livro pela Companhia das Letras foi lançada em 1993. Nessa famosa crônica, o autor descreveu o fenômeno como “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”, referindo-se principalmente ao trauma coletivo da Seleção Brasileira após a derrota na Copa do Mundo de (1950). O vassalismo moderno e o “puxa-saquismo” no Brasil são frequentemente discutidos como heranças de estruturas coloniais, onde o poder se consolidava através de relações de favor, compadrio e dependência mútua, em vez do mérito ou de regras institucionais impessoais. Há uma dinâmica, que apresenta várias características estruturais, que são velhas conhecidas do cotidiano e do expediente da política partidária no Brasil e no mundo. Patrimonialismo e Clientelismo: A confusão entre o público e o privado faz com que o acesso a recursos do Estado seja intermediado por favores pessoais. Políticos distribuem cargos e verbas em troca de apoio incondicional. (Crimes eleitorais e financeiros), cometidos permanentemente ao arrepio da Legislação. “Toma lá, dá cá”: Empresários que buscam facilidades em licitações, subsídios ou afrouxamento de regulações muitas vezes se submetem a esse sistema, financiando campanhas ou prestando vassalagem política para garantir a sobrevivência e o lucro de seus negócios. Falta de Republicanismo: O grande problema ético reside na quebra da isonomia. Quando ao acesso às oportunidades depende de quem você conhece ou de quem você “puxa o saco”, a meritocracia e a igualdade perante a lei são subvertidas. Do ponto de vista da ética e da integridade institucional, essa postura é amplamente considerada hipócrita porque muitos dos que pregam discursos liberais ou de eficiência na gestão pública nos bastidores operam através de práticas corporativistas e de dependência do Estado.
Algumas referências:
Bauman, Z. Danos colaterais: Desigualdades sociais numa era global (Nova edição: 2022): Examina como o crescimento da desigualdade social gera “danos colaterais” (populações marginalizadas) na era global. Bauman, Z. A riqueza de poucos beneficia a todos nós (2015): Analisa a falácia de que a acumulação de riqueza por uma elite beneficia a sociedade, demonstrando o aumento da disparidade entre ricos e pobres. Bauman, Z. Modernidade líquida (2001): Obra central onde Bauman descreve a sociedade volátil, focando na fragmentação social e na desigualdade resultante.
Bauman, Z. O mal-estar da pós-modernidade (Nova edição: 2022 / Original: 1997): Discute a supressão dos desiguais (estrangeiros, vagabundos) em contraste com a liberdade de consumo.
Bourdieu, Pierre. Contrafogos: Táticas para Enfrentar a Invasão Neoliberal (1998).
Brown, Wendy. Nas Ruínas do Neoliberalismo (2019).
Casara, Rubens. Contra a Miséria Neoliberal (2021).
Christian Dardot e Christian Laval. A Nova Razão do Mundo: Ensaio sobre a Sociedade Neoliberal (2016 – tradução brasileira).
Fraser, Nancy. Capitalismo, Neoliberalismo Progressista e Lutas.(Reflexões contemporâneas – 2021).
Harvey, David. O Neoliberalismo: História e Implicações (2005).
Maquiavel, N. O príncipe. Tradução de Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Matta, R. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro
Edição/Ano: 6ª Edição | Rio de Janeiro: Rocco, 1997 (Publicado originalmente em 1979).
Morin, E. De Guerra Em Guerra: De 1940 A Ucrânia. Publicação: 2024 (1ª Edição em português pela Editora Sesc SP).
Rodrigues, N. O Complexo de vira-lata, foi cunhada pelo célebre dramaturgo e jornalista N. Rodrigues, R. Manchete.1958.
Souza, J. A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato (2017): Escancara o pacto das elites para manter privilégios, utilizando a corrupção como discurso para atacar projetos de inclusão social. Souza, J. A Ralé Brasileira: Quem é e Como Vive (2009/2017/2023): Obra clássica que utiliza dados e depoimentos para mapear a “subcidadania”, um grupo de 70 milhões de brasileiros vivendo em condições de desvantagem acumulada. Souza, J. Brasil dos Humilhados: Uma denúncia da ideologia elitista (2022): Demonstra como a elite intelectual constrói uma imagem depreciativa do povo para justificar seu abandono. Souza, J. A construção social da subcidadania (2023): Reúne estudos sobre como a sociedade aceita a marginalização de Souza, J. A Radiografia do Golpe (2016): Analisa o impeachment de 2016 como uma ação da elite para frear a inclusão. Souza, J. O Pobre de Direita (2024/2025): Explora as razões pelas quais pessoas de baixa renda votam contra seus próprios
Peketty, Thomas. O Capital no Século XXI,(2013).
Sandel, Michael J. A Tirania do Mérito: O que aconteceu com o bem comum? (2020).
Williams, Eric. Em “Capitalism and Slavery” (reeditado em 2022).
**contribuição do Professor DsC Dirlei A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econômico e Ambiental, Professor da Rede Estadual da Bahia, Professor Formador IAT/SEC/BA.*06/2026.1.**
