(77) 98804-3994
BLOG DO PAULO NUNES BLOG DO PAULO NUNES
  • Início
  • Sobre Paulo Nunes
  • Editorial
  • Últimas Notícias
    • Vitória da Conquista
    • Geral
    • Política Conquistense
    • Bahia
    • Brasil
    • Ciência e Tecnologia
    • Coronavírus
    • Cultura
    • Economia
    • Educação
    • Eleições 2022
    • Gastronomia
    • Governo da Bahia
    • Infraestrutura
    • Mineração
    • Mobilidade Urbana
    • Municípios da Bahia
    • Nordeste
    • Norte
    • Política
    • Polícia
    • Saneamento
    • Sudeste
    • Sul
    • Saúde
    • Segurança Nacional
    • Segurança Pública
    • Urbanismo
  • Colunas
    • Paulo Nunes
    • Jeremias Macário
    • Paulo Pires
    • Ruy Medeiros
  • Artigos
    • Opinião
    • História
    • História de Vitória da Conquista
  • Vídeos
  • Contatos

Últimas notícias

Os números de Lula e Flávio nos estados, segundo a Quaest

TSE manda suspender propaganda de Lula contra Flávio Bolsonaro sobre “currículo” do candidato

Cerimedo: como ação no STF pode conectar live do golpe, em 2022, à suposta “granja de bots” para Flávio Bolsonaro

Morre Carlos Monforte, um dos pioneiros do telejornalismo brasileiro

Congresso acelera votação de pautas de Lula antes do recesso eleitoral

  1. Home
  2. Artigos
  3. O capital da submissão: Soberania não se negocia, o vassalismo como sistema de apropriação do Estado Brasileiro
Artigos xDestaque2

O capital da submissão: Soberania não se negocia, o vassalismo como sistema de apropriação do Estado Brasileiro

30/05/2026 33 min read

AA

 O capital da submissão: Soberania não se negocia, o vassalismo como sistema de apropriação do Estado Brasileiro
(

(Prof. Dirlei A Bonfim).*

 

Historicamente, os vassalos eram intermediários a (nobres), que recebiam terras nos (feudos) e proteção de um suserano em troca de fidelidade e apoio militar. Diferente dos servos, eles eram homens livres, que normalmente faziam parte de uma parte dos aristocratas. O que se discute nesse momento, é o uso moderno e metafórico do termo, aplicado a quem troca princípios por vantagens, a quem troca soberania e autonomia, por traição e submissão, a quem desconhece completamente os fundamentos da ética, lisura e firmeza de caráter. O conceito medieval de vassalagem, baseado na troca de proteção por fidelidade cega, não desapareceu com o feudalismo; ele apenas trocou as armaduras pelos ternos de alta costura no ambiente corporativo e político contemporâneo. No cenário atual, a ascensão financeira e o sucesso político frequentemente deixam de ser frutos do mérito ou da competência técnica para se tornarem subprodutos de uma bajulação institucionalizada. A apropriação do Estado é o processo pelo qual grupos de interesse privado assumem o controle das instituições, verbas e decisões estatais. Em vez de atuar como um árbitro imparcial para o bem comum, o Estado passa a funcionar como uma extensão dos interesses particulares de corporações e elites, gerando o patrimonialismo. Empresários e políticos alimentam uma simbiose antiética e profundamente hipócrita, onde o “puxa-saquismo” estratégico disfarça o oportunismo sob o manto de uma falsa lealdade de mercado. A suserania e vassalagem eram parte da relação de vassalagem, uma espécie de acordo realizado na Europa Ocidental durante a Idade Média. Na baixa idade média (entre os séculos XI e XV). Nessa relação, um dos lados (vassalo) oferecia seus serviços e fidelidade, em troca de terra ou outros benefícios advindos do suserano. Segundo Maquiavel (1532), “O risco dos Vassalos, ocorria quando o poder era dividido com nobres que possuíam domínios próprios e influência hereditária. Maquiavel explica que é fácil conquistar um reino governado por vassalos, pois sempre haverá algum nobre descontente ou ambicioso disposto a trair o rei para usurpar o poder. Contudo, manter esse reino é extremamente difícil, pois o príncipe nunca terá controle total sobre eles”. Mas, quem escolheu um pseudo poder sem mérito através da adulação e puxa-saco”, para atingir os seus objetivos sórdidos. No Brasil, num passado recente, os políticos brigavam, debatiam mas, havia um respeito mínimo pelo adversário, atualmente, eles se degladiam e o tratamento é de inimigos, quem trouxe esse maléfico expediente para a política partidária nacional foi o (clã bolsonarista), (que transformou adversários em inimigos), todavia, nenhuma das partes era capaz de colocar a SOBERANIA NACIONAL EM RISCO,  o que degradou ainda mais a corrida eleitoral nacional com o processo espúrio da polarização burra, insana e inconsequente, chegando atualmente, as raias do inimaginável quando esse clã de não mede esforços para lutar contra os interesses nacionais e como entreguistas, puxa-sacos dos EUA), causando sérios problemas a diplomacia e a soberania nacional. Em qualquer lugar do mundo (soberania, não se negocia) e mais, aqueles que se arvoram a traição a sua pátria, são julgados pela prática do crime de lesa-pátria, em alguns países, normalmente com a pena Capital. No Brasil, a pena de morte não é aplicada para crimes de traição ou lesa-pátria em tempos de paz. A Constituição Federal veda a pena capital, cuja única exceção restrita é para o crime militar de deserção em caso de guerra declarada. Atos contra a soberania são julgados como crimes contra o Estado Democrático de Direito, com penas de reclusão. Crimes Atuais contra a Soberania: A antiga Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83) foi revogada. Em seu lugar, a Lei 14.197/2021 instituiu os crimes contra o Estado Democrático de Direito no Código Penal. A legislação pune condutas como atentar contra a soberania ou tentar submeter o país ao domínio estrangeiro com penas de reclusão, sem possibilidade de pena capital. A relação histórica da vassalagem foi a forma encontrada pelos reis de garantir apoio da nobreza e a forma da nobreza de conquistar terras e benefícios a seu favor. Essa prática foi estabelecida por Pepino, o Breve, no Reino dos Francos, durante a dinastia carolíngia, sendo muito comum no período auge do feudalismo. Ele governou os francos no século VIII, estabelecendo a vassalagem como uma forma de hierarquizar a sociedade franca, estabelecendo maior controle sobre os nobres. A relação de vassalagem era também realizada em uma cerimônia que envolvia as duas partes, não podendo ser realizada por procuração. Segundo o Professor Jessé Souza (2017), sobre o Vassalo pós-moderno “ argumenta que o capitalismo selvagem e financeirizado não sobrevive sozinho”. Para ele, a elite econômica delega à classe média o “trabalho sujo” de legitimar a exploração. Essa classe média atua como “capitão-do-mato” moderno, reproduzindo os interesses dos donos do capital em troca de status e privilégios. O contrato feudo-vassálico era marcado pela homenagem, juramento de fidelidade e investidura. Vejamos o que representava cada uma dessas partes da cerimônia: Homenagem: momento da cerimônia em que o vassalo colocava suas mãos entre as mãos de seu suserano, fazendo uma declaração em que apresentava sua vontade de ser vassalo de tal senhor.

Juramento de fidelidade: o vassalo prestava sua fidelidade ao seu suserano por meio de um juramento que era realizado com uma de suas mãos sobre uma Bíblia ou sobre um relicário. Investidura: oficializava-se a relação de vassalagem com o vassalo recebendo algum objeto que servia como símbolo dos benefícios que ele receberia. No século XXI, essa dinâmica metafórica descreve indivíduos que abrem mão de autonomia ética para obter e manter privilégios ou poder. Os vassalos medievais e os “vassalos” modernos agem de formas totalmente diferentes, pois os primeiros cumpriam obrigações vitais de sobrevivência, enquanto os atuais buscam vantagens pessoais em estruturas de poder. A vassalagem moderna no século XXI, a ânsia por poder substitui feudos por contratos e benesses, enquanto “puxa-saecos” trocam a dignidade por proximidade com chefes, causando o mesmo constrangimento histórico da submissão cega. (chegamos ao fundo do poço, em muitos casos, de escândalos e até a traição da pátria, crimes inafiançáveis punidos em alguns países, com a pena capital, que certas famílias cometem o tempo todo). A partir do Professor Edgar Morin (2024), vai dizer que “em sua antropologia, o Professor Morin (2024), “explica que o indivíduo perde sua autonomia quando é dominado não apenas pela força externa, mas por dogmas ou hierarquias internas que tomam o controle. Esse indivíduo deixa de ser um “sujeito” ativo e criador, passando a servir cegamente a uma lógica de poder ou a uma ideologia menor, dragada pela ganância capital de poder, submetendo-se ao processo de vassalagem contemporâneo”. A Engrenagem da Vassalagem Através dos Tempos: Idade Média (Ontem): O sistema feudal baseava-se na relação entre suseranos (senhores que doavam terras) e vassalos (nobres que juravam fidelidade e proteção militar). Era uma relação de interdependência, mas hierárquica e desigual. Século XXI (Hoje): O “feudo” atual engloba cargos de confiança, lobbies, contratos públicos, influência política e vantagens financeiras. O vassalo moderno vende sua autonomia e senso crítico em troca de proteção e acesso ao “castelo” do poder. Oportunistas e “Puxa-sacos”: Na base dessa cadeia estão os bajuladores de plantão. Eles não buscam apenas terras, mas validação e migalhas de poder. O vexame reside na ausência de princípios, onde a bajulação substitui o debate de ideias. A Perda de Autonomia: A verdadeira tragédia da vassalagem, tanto no feudalismo quanto na atualidade, é a perda da própria voz. O vassalo age não por convicção, mas para agradar seu suserano e garantir a manutenção do seu “status quo”, o que na política e no empresariado corrompe a democracia e o mérito. Para aprofundamento sociológico, acadêmicos e críticos analisam como essas relações de dependência pessoal continuam a ditar as estruturas de poder na sociedade moderna. As relações de suserania e vassalagem, comuns no feudalismo durante a Idade Média, foram compromissos de fidelidade entre nobres originadas a partir da doação de terras. Quando um nobre doava terras a outro, o que doou se torna suserano e o que recebeu, vassalo. Esse acordo implicava direitos e obrigações recíprocas. Assim, enquanto os suseranos eram os nobres que doavam as terras (até mesmo castelos), os vassalos, protegidos por eles, representavam os nobres que recebiam as terras e em troca, cuidavam e protegiam delas ao mesmo tempo que serviam os suseranos de diversas maneiras, sobretudo, para serviços militares, com o intuito de defendê-lo em tempos de guerra. A cerimônia geralmente ocorria numa Igreja, onde os vassalos, segurando suas espadas, se ajoelhavam diante de seus suseranos, prometendo fidelidade total – selado com um beijo – e proteção nas guerras. Caso o vassalo traísse seu suserano, perderia todos seus direitos, posses e títulos. Durante a cerimônia, a submissão do vassalo perante seu suserano era selada com um tapa no rosto do vassalo. A relação de suserania e vassalagem era, em grande parte, de caráter hereditário (ocorriam entre membros da família). Ela demostrava a descentralização política da época, sendo estabelecida diante de uma cerimônia solene (juramento) denominada “Homenagem”. Esse juramento selava os laços de lealdade e fidelidade entre seus elementos. Eles operam através de: Adulação Estratégica: Praticam o famoso “puxa-saquismo” institucional, exaltando figuras de poder (políticos ou empresários) não por mérito, mas para garantir ascensão rápida. Toma lá, dá cá: Operam redes de tráfico de favores e interesses mesquinhos, onde o apoio cego a um “cacique” garante proteção e benesses particulares. Alianças por Conveniência: Abandonam convicções ideológicas ou éticas rapidamente, alinhando-se a quem detém os recursos (cargos, verbas, influência) no momento, demonstrando uma “fidelidade” puramente transacional. O que faziam os vassalos no período feudal: No feudalismo, a vassalagem era um pacto de fidelidade militar e política entre nobres (o suserano e o vassalo), e não se confunde com a servidão (os camponeses que eram quase escravos). O vassalo medieval devia: Prestar apoio militar: Defender as terras do suserano e lutar em suas guerras. Fornecer ajuda financeira: Pagar resgates se o suserano fosse capturado e dar dotes de casamento. Oferecer conselho: Participar do tribunal do senhor e ajudar em decisões políticas. Administrar o feudo: Governar a porção de terra recebida (benefício) e proteger a população local. O que fazem os “vassalos” do século XXI: A metáfora moderna descreve o comportamento de subordinados oportunistas, políticos e bajuladores em corporações e governos. Eles fazem: Praticar o clientelismo: Trocar favores políticos e apoio cego por cargos, verbas ou contratos públicos.

Praticar o “puxa-saquismo”: Elogiar lideranças de forma desmedida para blindar a própria posição e subir na carreira. Proteger interesses mútuos: Blindar superiores corruptos ou incompetentes em troca de impunidade e vantagens financeiras. Alimentar o jogo de aparências: Defender agendas em que não acreditam, focando apenas no lucro e no poder individual. Na política atual, figuras que atuam como “vassalos” ou “puxa-sacos” internacionais são comumente identificadas por analistas políticos como operadores, parlamentares e influenciadores alinhados à extrema-direita que buscam ativamente o endosso de líderes estrangeiros, como o presidente dos (EUA), o senhor Donald Trump.  O termo é frequentemente associado a aliados e a certas famílias e familiares que priorizam agendas externas, fazem lobby por sanções contra o próprio país, como verdadeiros “golpistas” e ou “traidores da pátria”, ou mesmo, buscam legitimação em Washington para contornar desgastes e crises internas. O fenômeno do “Vassalismo Político”: Na dinâmica de poder entre a extrema direita brasileira e a Casa Branca, o papel de “bajulador” ou “quase servo”, ou ainda do “puxa-saco oficial”, é atribuído pela oposição a figuras que se submetem à tutela de potências estrangeiras. Exemplos práticos incluem: Articuladores Internacionais: Figuras ligadas a uma certa família de um que se mudaram para os EUA para fazer pontes com setores conservadores norte-americanos. Busca por Fotos, Imagens e Bajulação: Políticos e pré-candidatos que viajam para reuniões rápidas em Washington — como a recente ida de um certo senador do (PL-RJ) à Casa Branca — na tentativa de usar o “carimbo” internacional para tentar fortalecer sua candidatura e narrativas. É um fato clássico do “vassalismo contemporâneo”, do “bajulador-mor de plantão”, ou do “popular puxa-saco”, inexpressivo, que procura se aparecer de qualquer maneira, para tirar algum proveito político partidário, na replicação e exploração de fotos e imagens e postar nas suas redes sociais. Portanto bastante questionável, do ponto de vista ético, do ponto de vista da (soberania nacional), a propósito, será que essa gente sabe lá, o que é a Ética e Soberania…? Lobby por Tarifas e Sanções: Casos de aliados que apoiam ou fazem pressão para a imposição de tarifas econômicas ao Brasil, vistas por críticos como medidas de ataque aos interesses nacionais para obter dividendos políticos partidários. Críticas e Repercussões: A postura de submissão a lideranças estrangeiras recebe fortes críticas no Brasil e no mundo, com as diversas manifestações tanto de populares, como professores, jornalistas, intelectuais e analistas rotulando tal comportamento como entreguista. Políticos têm sido alvo de repúdio sob a acusação de agirem contra o próprio país para satisfazer interesses de uma liderança global. A expressão “complexo de vira-lata” foi cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. Contudo, a aplicação de conceitos sociológicos ao bolsonarismo, o termo “vassalos” e a classificação da família Bolsonaro como “traidores da pátria” são debates frequentes no cenário político nacional, frequentemente associados a diplomatas e analistas. Alguns pontos de cruzamento entre essas ideias: O “Vassalismo”: A submissão ideológica e o alinhamento incondicional a potências estrangeiras (especialmente a setores políticos dos Estados Unidos), são frequentemente classificados por críticos como um “vassalismo moderno” ou o clássico “complexo de vira-lata” invertido, onde a classe política busca validação externa em detrimento da soberania nacional. O “Herói sem escrúpulos”: Na sociologia de Roberto DaMatta(1997), existe uma grande discussão sobre as figuras do “malandro” e do “herói” na sociedade brasileira. Ele analisa como o Brasil opera na tensão entre as leis universais (do Estado) e as relações pessoais (da rua/família). No discurso político contemporâneo, a figura do “herói” por vezes assume traços pragmáticos e autoritários que operam nas margens do sistema. A “Traição à Pátria”: A acusação de traição à pátria por parte da família Bolsonaro ganhou grande repercussão no debate público. O Professor Roberto Da Matta (1997), vai dizer “sobre as relações pessoais, que provavelmente diria que os lojistas e puxa-sacos operam na “fronteira” entre o espaço da casa as ligações pessoais, favores e afeto) e da rua (leis impessoais e negócios)”. Na visão do antropólogo, essas figuras personificam o famoso “jeitinho” e a tradicional dificuldade brasileira em aceitar o igualitarismo e a cidadania moderna. Personalismo x Burocracia: Para Da Matta (1997), “o mercado e o consumo no Brasil não são impessoais. O “lojista” muitas vezes tenta transformar o cliente em um conhecido ou “amigo”, criando uma teia de favores e lealdades. A Indústria do Puxa-saquismo: É um mecanismo que reforça a desigualdade social”. A riqueza, a influência ou a proximidade com o poder geram “fidalguias”. O puxa-saco busca reconhecimento pessoal driblando o sistema impessoal de leis e meritocracia. Contraste na Modernidade: Na pós-modernidade, esses rituais arcaicos de apadrinhamento e submissão colidem com o desejo por direitos universais, resultando em uma sociedade que oscila entre a obediência às leis e o desejo de “levar vantagem”. Assim, como as relações de poder e as distinções de classe funcionam no imaginário brasileiro, aprofunde-se na obra clássica “Carnavais, Malandros e Heróis”. Um caso emblemático ocorreu após declarações e articulações políticas no exterior, quando o ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, e outras lideranças políticas utilizaram publicamente o termo “traidores da pátria” para descrever a postura da família em episódios de choque geopolítico e econômico. O antropólogo Roberto DaMatta (1997), dedica sua obra a decifrar a alma brasileira, a hierarquia e o sistema relacional do país, refletindo sobre como o “jeitinho” muitas vezes substitui a cidadania republicana.

A associação desses comportamentos (subserviência internacional e manipulação das instituições) à sua obra pode ser explorada mais a fundo em suas análises sobre as ambiguidades da identidade e do autoritarismo brasileiro, disponíveis em livros como Carnavais, Malandros e Heróis.  Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-lata” na crônica intitulada “Complexo de vira-latas”. Obra original: Publicada originalmente na revista Manchete Esportiva em 31 de maio de 1958. Obra em livro: O texto foi republicado no livro póstumo À sombra das chuteiras imortais: crônicas de futebol (organizado por Ruy Castro). Ano e Edição em livro: A primeira edição desse livro pela Companhia das Letras foi lançada em 1993. Nessa famosa crônica, o autor descreveu o fenômeno como “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”, referindo-se principalmente ao trauma coletivo da Seleção Brasileira após a derrota na Copa do Mundo de (1950). O vassalismo moderno e o “puxa-saquismo” no Brasil são frequentemente discutidos como heranças de estruturas coloniais, onde o poder se consolidava através de relações de favor, compadrio e dependência mútua, em vez do mérito ou de regras institucionais impessoais. Há uma dinâmica, que apresenta várias características estruturais, que são velhas conhecidas do cotidiano e do expediente da política partidária no Brasil e no mundo. Patrimonialismo e Clientelismo: A confusão entre o público e o privado faz com que o acesso a recursos do Estado seja intermediado por favores pessoais. Políticos distribuem cargos e verbas em troca de apoio incondicional. (Crimes eleitorais e financeiros), cometidos permanentemente ao arrepio da Legislação. “Toma lá, dá cá”: Empresários que buscam facilidades em licitações, subsídios ou afrouxamento de regulações muitas vezes se submetem a esse sistema, financiando campanhas ou prestando vassalagem política para garantir a sobrevivência e o lucro de seus negócios. Falta de Republicanismo: O grande problema ético reside na quebra da isonomia. Quando ao acesso às oportunidades depende de quem você conhece ou de quem você “puxa o saco”, a meritocracia e a igualdade perante a lei são subvertidas. Do ponto de vista da ética e da integridade institucional, essa postura é amplamente considerada hipócrita porque muitos dos que pregam discursos liberais ou de eficiência na gestão pública nos bastidores operam através de práticas corporativistas e de dependência do Estado.

 

 

Algumas referências:

   

Bauman, Z. Danos colaterais: Desigualdades sociais numa era global (Nova edição: 2022): Examina como o crescimento da desigualdade social gera “danos colaterais” (populações marginalizadas) na era global.                                                                                                                                                           Bauman, Z. A riqueza de poucos beneficia a todos nós (2015): Analisa a falácia de que a acumulação de riqueza por uma elite beneficia a sociedade, demonstrando o aumento da disparidade entre ricos e pobres.                                                          Bauman, Z. Modernidade líquida (2001): Obra central onde Bauman descreve a sociedade volátil, focando na fragmentação social e na desigualdade resultante.                                                                      

Bauman, Z. O mal-estar da pós-modernidade (Nova edição: 2022 / Original: 1997): Discute a supressão dos desiguais (estrangeiros, vagabundos) em contraste com a liberdade de consumo.

Bourdieu, Pierre. Contrafogos: Táticas para Enfrentar a Invasão Neoliberal (1998).

Brown, Wendy. Nas Ruínas do Neoliberalismo (2019).

Casara, Rubens. Contra a Miséria Neoliberal (2021). 

Christian Dardot e Christian Laval.  A Nova Razão do Mundo: Ensaio sobre a Sociedade Neoliberal (2016 – tradução brasileira).

Fraser, Nancy. Capitalismo, Neoliberalismo Progressista e Lutas.(Reflexões contemporâneas – 2021).

Harvey, David. O Neoliberalismo: História e Implicações (2005).   

Maquiavel, N. O príncipe. Tradução de Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Matta, R. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro

Edição/Ano: 6ª Edição | Rio de Janeiro: Rocco, 1997 (Publicado originalmente em 1979).

Morin, E. De Guerra Em Guerra: De 1940 A Ucrânia. Publicação: 2024 (1ª Edição em português pela Editora Sesc SP).

Rodrigues, N. O Complexo de vira-lata, foi cunhada pelo célebre dramaturgo e jornalista N. Rodrigues, R. Manchete.1958.

Souza, J. A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato (2017): Escancara o pacto das elites para manter privilégios, utilizando a corrupção como discurso para atacar projetos de inclusão social.                                                                                             Souza, J. A Ralé Brasileira: Quem é e Como Vive (2009/2017/2023): Obra clássica que utiliza dados e depoimentos para mapear a “subcidadania”, um grupo de 70 milhões de brasileiros vivendo em condições de desvantagem acumulada.                                                                                                                                                                                         Souza, J. Brasil dos Humilhados: Uma denúncia da ideologia elitista (2022): Demonstra como a elite intelectual constrói uma imagem depreciativa do povo para justificar seu abandono.                                                                                                                      Souza, J. A construção social da subcidadania (2023): Reúne estudos sobre como a sociedade aceita a marginalização de Souza, J. A Radiografia do Golpe (2016): Analisa o impeachment de 2016 como uma ação da elite para frear a inclusão.    Souza, J. O Pobre de Direita (2024/2025): Explora as razões pelas quais pessoas de baixa renda votam contra seus próprios

Peketty, Thomas. O Capital no Século XXI,(2013).                                                                                                  

Sandel, Michael J. A Tirania do Mérito: O que aconteceu com o bem comum? (2020).                                 

Williams, Eric. Em “Capitalism and Slavery” (reeditado em 2022).

 

**contribuição do Professor DsC Dirlei A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econômico e Ambiental, Professor da Rede Estadual da Bahia, Professor Formador IAT/SEC/BA.*06/2026.1.**

Compartilhe:
  
Previous post
Next post

Leave a Reply Cancel reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Enquete
Buscar no Site




Editorias
https://www.youtube.com/watch?v=AwKXGnZPhes






Busca por Data
maio 2026
D S T Q Q S S
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  
« abr   jun »



Colunistas


Versões Antigas



Leia também:
Cultura xDestaque1

Presidente Ivan Cordeiro articula cessão do Solar dos Ferraz para futura sede da Academia Conquistense de Letras

14/08/2026

Na tarde dessa quinta-feira (13), o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, vereador Ivan Cordeiro, acompanhou membros da

Artigos xDestaque2

O orçamento em xeque: o impacto das emendas parlamentares na corrupção brasileira, orçamento e desvios, o lado sombrio das EP,s

13/07/2026

(Prof. Dirlei A Bonfim).* As emendas parlamentares tornaram-se, ao longo de anos um canal de corrupção e desvio do erário

Artigos xDestaque2

O Mundo obscuro do Futebol: FIFA e CBF, uma caixa de pandora 

04/07/2026

  (Prof. Dirlei A Bonfim).* A  FIFA Federação Internacional de Futebol, por vezes referida como Federação Internacional de Futebol Associação

Facebook Twitter Instagram Whatsapp

Web Analytics
Whatsapp: (77) 98804-3994

©2009-2025 . Blog do Paulo Nunes . Direitos reservados.