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Votos e penas: como será a semana decisiva do julgamento de Bolsonaro

09/09/2025 10 min read

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 Votos e penas: como será a semana decisiva do julgamento de Bolsonaro
STF retoma nesta terça (9) o julgamento de Bolsonaro e aliados; decisão final deve sair até sexta (12).

Congresso em Foco

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete aliados no núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado entra em sua fase decisiva na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Esta é a primeira vez que um ex-presidente da República e militares da alta cúpula são julgados por tentativa de golpe na história do Brasil.

A partir desta terça-feira (9), os ministros começam a votar sobre a condenação ou absolvição dos acusados. A expectativa é que até sexta-feira (12) seja conhecido não apenas o resultado, mas também as penas a serem aplicadas, caso haja condenação.

 

Bolsonaro no STF

Bolsonaro no STFArte Congresso em Foco/Ton Molina/STF

Moraes abre a semana

O relator, Alexandre de Moraes, falará na terça-feira (9). Ele deve apresentar um voto longo e detalhado, estimado em três a quatro horas, no qual deverá rebater os argumentos das defesas.

Os demais ministros – Dino, Fux, Cármen e Zanin, pela ordem – só votarão depois, mas não há previsão de datas. Se Moraes se estender além do previsto, os votos seguintes só devem ocorrer a partir de quarta-feira.

Para garantir a conclusão, foi marcada uma sessão extra na quinta-feira (11). A ideia é que, até sexta-feira (12), todos já tenham votado e seja possível proclamar o resultado e definir as penas.

O que é a dosimetria da pena

Se houver maioria pela condenação, o julgamento passará para a fase da dosimetria da pena, quando se calcula a punição de cada réu. Esse cálculo segue três etapas:

Pena-base: cada crime tem um intervalo legal (por exemplo, de 4 a 12 anos no caso de golpe de Estado). O ministro fixa um ponto dentro dessa faixa, considerando a gravidade dos fatos e o papel do réu.

Agravantes e atenuantes: fatores que podem aumentar ou reduzir a pena, como liderança em organização criminosa (agravante) ou bons antecedentes e idade avançada (atenuantes).

Causas de aumento ou diminuição: previsões legais específicas que alteram o resultado, como uso de armas (aumento) ou crime tentado (redução).

Ao final, os ministros também decidem o regime inicial de cumprimento: fechado, semiaberto, aberto ou domiciliar. A expectativa é que essa fase ocorra na sexta-feira (12), último dia previsto para o julgamento.

O debate sobre a unificação dos crimes

As defesas pedem que os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado sejam tratados como um só. Argumentam que se referem à mesma conduta e que puni-los separadamente configuraria dupla punição pelo mesmo fato. As chances de o argumento prosperar são pequenas. Em casos anteriores, o STF decidiu no sentido de manter os dois crimes separados.

Se o STF aceitar a tese, aplica-se o princípio da consunção, pelo qual um crime absorve o outro. Isso reduziria o total das penas. A questão deve ser enfrentada já no voto do relator e pelos demais ministros, pois pode impactar significativamente o resultado final.

Possibilidades e cenários

Formação de maioria: bastam três votos dos cinco ministros. A expectativa é que isso ocorra entre quarta e quinta-feira, com a posição de Cármen Lúcia vista como decisiva.

Pedido de vista: se algum ministro pedir mais tempo, o julgamento pode ser interrompido por até 90 dias.

Recursos: em caso de divergência, a defesa pode apresentar embargos infringentes, recurso que leva o caso ao plenário do STF.

Pena máxima: se condenado em todos os crimes, Bolsonaro pode somar mais de 40 anos, mas a lei brasileira limita o cumprimento a 40 anos de prisão.

Perguntas e respostas sobre o julgamento

Quem está sendo julgado?

  • Jair Bolsonaro e sete aliados de seu governo: Alexandre Ramagem (delegado federal e deputado), Almir Garnier (almirante e ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (delegado federal e ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid (tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (general e ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (general e ex-ministro da Defesa e da Casa Civil).

Quais são os crimes apontados pela PGR?

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Tentativa de golpe de Estado
  • Organização criminosa armada
  • Dano qualificado ao patrimônio da União
  • Deterioração de patrimônio tombado

Qual a ordem dos votos dos ministros?

  • Alexandre Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Quando cada ministro vai votar?

  • Apenas Moraes está confirmado para terça (9). Os demais dependem do tempo usado por ele.

O que é a dosimetria?

  • É o cálculo da pena, considerando a faixa legal, agravantes, atenuantes e causas de aumento ou redução. Também define o regime inicial de cumprimento.

Bolsonaro e os demais réus podem ser condenados em um crime e absolvidos em outro?

  • Sim. Cada crime é analisado separadamente.

Por que a defesa quer unificar dois crimes?

  • Para evitar dupla punição. Se aceito, um crime absorve o outro, reduzindo a pena. Este, porém, não foi o entendimento dos ministros em decisões recentes, nas quais se decidiu por manter os dois crimes separados.

Qual a pena máxima de Bolsonaro?

  • Pode ultrapassar 40 anos, mas o limite legal de cumprimento é de 40.

Bolsonaro irá preso imediatamente em caso de condenação?

  • Não. A execução só começa após o trânsito em julgado. Até lá, Bolsonaro segue em prisão domiciliar.

O que acontece se Bolsonaro for absolvido?

  • O caso se encerra imediatamente, sem possibilidade de recurso.

E se for condenado por 5×0 ou 4×1?

  • A defesa só pode apresentar embargos de declaração, recurso limitado a esclarecer pontos obscuros ou omissos. Não muda o mérito da decisão.

O que muda em caso de placar de 3×2?

  • A defesa pode recorrer com embargos infringentes, que levam o caso ao plenário (11 ministros). Nesse caso, Bolsonaro começaria a cumprir pena pelos crimes em que foi condenado sem divergência, enquanto o plenário reavaliaria apenas o ponto contestado.

Semana passada

O julgamento do chamado núcleo crucial começou na semana passada. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, apresentou o relatório com um resumo da ação penal, listando as provas e os principais atos investigados.

Em seguida, a Procuradoria-Geral da República defendeu a condenação dos acusados, afirmando que Bolsonaro liderou a articulação golpista e que a punição é essencial para evitar novas ameaças à democracia.

Depois foi a vez das defesas, que pediram a absolvição dos réus e, em alguns casos, buscaram estratégias para reduzir eventuais penas, caso a condenação fosse confirmada.

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