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Aos 70 anos, mulher que passou 38 anos nos serviços gerais de uma escola pública é aprovada em Pedagogia em universidade estadual e mostra que quem cuidou da sala de aula a vida inteira também pode voltar como aluna

04/12/2025 11 min read

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 Aos 70 anos, mulher que passou 38 anos nos serviços gerais de uma escola pública é aprovada em Pedagogia em universidade estadual e mostra que quem cuidou da sala de aula a vida inteira também pode voltar como aluna
Aos 70 anos, ex-funcionária de serviços gerais conquista vaga em Pedagogia na Uenf e prova que nunca é tarde para voltar a estudar.
Escrito porAlisson Ficher
Aos 70 anos, trajetória marcada por trabalho escolar, retomada dos estudos e superação chama atenção ao resultar em aprovação inédita em Pedagogia na universidade estadual.

“Para obter sucesso, você precisa ter determinação, força de vontade, carisma e caráter”.

A frase, que poderia soar como mais um conselho motivacional nas redes sociais, resume a trajetória de Dona Elenice Pereira, 70 anos, aprovada no curso de Pedagogia da Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf) após décadas trabalhando em serviços gerais de uma escola pública e enfrentando atrasos escolares, luto e depressão.

A nova universitária é ex-aluna do Curso Preparatório Popular Goitacá, projeto de extensão do Instituto Federal Fluminense (IFF) – Campus Campos Centro, voltado a estudantes de escolas públicas que se preparam para processos seletivos do próprio instituto e para o Enem.

Foi com a nota do exame nacional que ela garantiu a vaga na graduação neste ano de 2025, depois de cinco anos frequentando o cursinho e retomando uma relação interrompida com a escola.

Infância, trabalho rural e início da jornada educacional

A história de Elenice começa em Natividade, no interior do Rio de Janeiro, onde cresceu em uma família numerosa, filha de agricultor e uma entre nove irmãos.

Desde cedo, ajudava no plantio de milho e feijão, em uma rotina marcada pela falta de recursos básicos.

“Não tinha roupa para vestir, calçado para calçar. Meu pai tirou meu irmão mais velho com oito anos e colocou ele para trabalhar em uma fazenda e tirou ele da escola porque tinha que trabalhar, pois era ordem do fazendeiro”, recorda.

Aos 16 anos, ela deixou a casa dos pais para trabalhar e contribuir com a renda familiar.

Aos 70 anos, ex-funcionária de serviços gerais conquista vaga em Pedagogia na Uenf e prova que nunca é tarde para voltar a estudar.

A escola, naquele momento, ficou em segundo plano.

A necessidade de emprego imediato empurrou o estudo para o fim da fila de prioridades.

Retomada dos estudos em Campos e incentivo inesperado

Anos mais tarde, já morando em Campos dos Goytacazes (RJ), Elenice encontrou uma nova chance de voltar à sala de aula.

Com cerca de 25 anos, trabalhava como faxineira e babá quando recebeu o incentivo da empregadora para retomar os estudos formais.

“Eu tinha só a 3ª série e ela me matriculou no XV de Novembro no Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Concluí a 8ª série e depois fui para o Nilo Peçanha e depois para o Liceu. Fiz formação de professora e à tarde estagiava com as crianças de C.A”.

Nesse período, ela passou a dividir o tempo entre o trabalho doméstico, os estudos e os estágios com crianças.

Mesmo assim, a continuidade da formação foi novamente interrompida.

A maternidade, a necessidade de sustentar a casa e a prioridade na trajetória escolar dos filhos falaram mais alto.

Prioridade aos filhos e conclusão do ensino médio aos 51 anos

Embora tivesse o desejo de concluir os estudos, Elenice escolheu colocar a formação dos filhos à frente.

Campus da Uenf onde jovem de 70 anos iniciará curso de Pedagogia após aprovação pelo Enem. (Imagem: Uenf / divulgação)
Campus da Uenf onde jovem de 70 anos iniciará curso de Pedagogia após aprovação pelo Enem. (Imagem: Uenf / divulgação)

Ela conta que concentrou esforços para garantir o acesso deles ao ensino superior, recorrendo inclusive ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

“Eu precisava pagar a faculdade do meu filho. Com o Fies, eu consegui bolsa de 50% e paguei o curso de Engenharia de Produção dele”.

Somente em 2006, aos 51 anos, ela conseguiu terminar o ensino médio no Colégio General Dutra, já com o filho na faculdade

A etapa final da educação básica foi marcada por dificuldades em algumas disciplinas.

“Tive muita dificuldade. Não sou boa em Matemática. Gosto mais de Geografia e Português”.

As preferências por áreas de humanas ajudaram a construir a base de conteúdo que ela levaria adiante no cursinho preparatório e, mais tarde, para o Enem.

Luto, depressão e reencontro com a sala de aula

O trajeto até a universidade quase foi interrompido definitivamente em 2013, quando Elenice perdeu a filha, aos 27 anos, vítima de câncer na medula.

O luto desencadeou um quadro de depressão, e ela passou a utilizar medicamentos controlados para dormir e enfrentar a rotina.

“Quando minha filha faleceu, em 2013, eu entrei em depressão, e o Marcelo (filho) já estudava aqui (IFF Campos Centro). Um dia ele chegou em casa e eu tinha tomado um monte de remédio para dormir e ele falou para eu ir conhecer o curso. Isso em 2015. Fiz a minha inscrição, vim para aulas, aos poucos a depressão foi passando e diminui os remédios controlados. Chegava em casa feliz”.

O contato com o Curso Preparatório Popular Goitacá funcionou como ponto de virada emocional e educacional.

A ida ao cursinho, inicialmente um gesto de incentivo do filho, se transformou em projeto concreto de ingresso no ensino superior.

Da limpeza das salas à carteira universitária

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Ao longo de 38 anos, Elenice trabalhou em serviços gerais em uma escola pública, cuidando diariamente das salas de aula que agora volta a frequentar em outra condição: a de aluna universitária.

Entre limpar corredores, organizar carteiras e manter o ambiente escolar, ela acompanhou gerações inteiras de estudantes sem poder estar, naquele momento, no papel de aprendiz.

Com a aprovação em Pedagogia na Uenf, obtida pela nota do Enem, ela encerra uma etapa como trabalhadora da escola e inaugura outra como estudante do ensino superior.

Durante o período no cursinho, Elenice valorizou os professores que a acompanharam especialmente em Geografia e Língua Portuguesa, áreas em que demonstrava maior afinidade.

Educação como eixo de transformação e permanência

Ao olhar para o próprio percurso, Elenice sintetiza a caminhada marcada por estudo noturno, trabalho diário e responsabilidades familiares.

“Conforme eu estou olhando o meu passado, a minha infância, minha juventude, o meu sofrimento de estudar à noite e trabalhar de dia, fazer comida, lavar roupa, cuidar de animais, fazer faxina e levar criança na escola e ainda levar puxão de orelha do patrão, eu vejo isso agora que eu consegui ultrapassar meus limites que eu achava que eram muito difíceis e não era tão difícil chegar aonde eu cheguei. Era só ter boa vontade e um pouco de juízo na cabeça. Muitos desistem pelo caminho ou vão para o caminho errado”.

A trajetória revela o impacto de políticas de acesso à educação, como cursinhos populares e programas de financiamento estudantil, sobretudo para quem interrompeu a escolarização e retorna à sala de aula décadas depois.

Ao ingressar na universidade após uma vida inteira cuidando de espaços escolares, Elenice levanta uma reflexão que ecoa para além de sua própria história: quantas outras pessoas com trajetórias semelhantes poderiam seguir o mesmo caminho se tivessem acesso a oportunidades como as que ela encontrou?

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