Após Ramagem ser preso nos EUA, governistas defendem deportação de ex-deputado
Os Estados unidos (EUA), numa encruzilhada, a tragédia social dos moradores de rua e a morte por desepero
(Prof. Dirlêi A Bonfim).*
O fenômeno das “mortes por desespero” (deaths of despair) representa uma das maiores tragédias sociais contemporâneas nos Estados Unidos, resultando em um declínio na expectativa de vida americana, algo incomum entre nações desenvolvidas. Esse conceito, popularizado pelos economistas Anne Case e Angus Deaton, refere-se ao aumento acentuado da mortalidade causada por três fatores principais: suicídio, overdose de drogas (incluindo opioides) e doenças hepáticas relacionadas ao alcoolismo. Principais Aspectos do Fenômeno: Perfil da Vítima: Inicialmente, o fenômeno foi identificado principalmente entre homens brancos de meia-idade, sem ensino superior, mas expandiu-se para outros grupos. Epidemia de Opioides: A crise de opioides nos EUA é uma causa central do aumento das mortes por overdose, que superaram outras formas de violência. Impacto no Capital Social: A perda de vínculos sociais, isolamento e a redução da participação em comunidades (incluindo organizações religiosas) estão correlacionadas ao aumento dessas mortes. Frustração do “Sonho Americano”: Especialistas argumentam que o fenômeno retrata a perda de empregos estáveis, a precarização do trabalho e a percepção de fracasso financeiro e social. Causas Estruturais e Sociais: Insegurança Econômica: Estagnação salarial e a diminuição de empregos de classe média para trabalhadores com menos escolaridade geraram desesperança. Falhas no Sistema de Saúde: A ausência de um sistema público de saúde universal e os altos custos médicos agravam o sofrimento. Abandono Social: A erosão de redes de apoio familiar e comunitário deixou milhões de pessoas vulneráveis. Competição Agressiva: Um padrão de convivência social focado apenas em métricas financeiras de sucesso contribui para o sofrimento psíquico. Impacto na Sociedade Americana: Queda na Expectativa de Vida: As mortes por desespero têm impactado a expectativa de vida americana, que caiu por três anos consecutivos. Segundo a Professora Nancy Fraser (2023), “O capitalismo canibal, é um sistema programado para devorar as bases sociais, políticas e naturais da sua própria existência – e, consequentemente, da nossa capacidade de reagir está limitada, às tragédias sociais, que se apresentam”. Magnitude da Crise: Em um único ano, o número de mortes por desespero foi comparado ao de um “Boeing 737 caindo todo dia”, ressaltando a escala catastrófica, muitas vezes silenciosa. Polarização Política: Pesquisas indicam que áreas com maiores taxas de “mortes por desespero” tendem a apresentar maior frustração econômica e, consequentemente, impactos eleitorais, votando mais em alternativas populistas. Estudos sugerem que estados americanos com maior participação religiosa ou comunitária apresentam, comparativamente, um número menor de mortes por desespero, indicando o papel da conexão social na proteção contra o isolamento e o desespero. A situação social nos Estados Unidos enfrenta desafios significativos, com relatos de um aumento na população em situação de rua, chegando a números recordes em 2024. A chamada Morte por desespero, um fenômeno psicossocial, que se apresenta de forma avassaladora, o que inclui famílias vivendo em veículos devido a dificuldades econômicas e custos elevados de moradia e por consequência muita gente, milhares de pessoas morando nas ruas dos Estados Unidos. O fenômeno das “mortes por desespero” (deaths of despair) e a crise do “Sonho Americano” representam um colapso social profundo e silencioso nos Estados Unidos, caracterizado por um aumento na mortalidade devido a suicídios, overdoses de drogas (especialmente opioides/fentanil) e doenças hepáticas relacionadas ao alcoolismo, um país viciado em opioides/fentanil e outras drogas, uma sociedade viciada, com poucas exceções o que denota uma total decadência social, um colapso na política e de saúde pública. Epidemia de Mortes: Nas últimas duas décadas, mais de 900.000 pessoas morreram por essas causas, um fenômeno concentrado em adultos de meia-idade, particularmente brancos sem diploma universitário, mas que afeta diversas minorias com disparidades significativas. Queda na Expectativa de Vida: As mortes por desespero têm sido tão acentuadas que, contrariando a tendência de nações ricas, a expectativa de vida nos EUA estagnou ou diminuiu, superando até mesmo a mortalidade por homicídios. O “Fim” do Sonho Americano: O conceito de que trabalho duro garante prosperidade e mobilidade social foi quebrado para uma grande parcela da população. A desindustrialização, a globalização e a fragilidade dos vínculos trabalhistas (enfraquecimento de sindicatos) resultaram em estagnação econômica desde o final dos anos 90. A constatação do “fim” do Sonho Americano é um tema central no debate sociológico atual, refletindo uma crise multifacetada que atinge o núcleo da sociedade dos EUA. Colapso Social e Psicológico: Mais do que a perda de renda, é a perda de dignidade, propósito e comunidades estáveis. A insegurança econômica, combinada com a falta de um sistema de saúde pública/previdência social universal comparável à Europa, cria um ambiente de estresse crônico. A “Tragédia” da Culpa: Diferente de outros lugares, a cultura americana tende a focar na responsabilidade pessoal (“se falhei, a culpa é minha”), o que intensifica o sentimento de fracasso e desespero quando o sucesso financeiro não é alcançado. Algumas das Causas: Crise dos Opioides/Fentanil: A prescrição excessiva e, posteriormente, o fentanil tornaram-se os principais vetores de overdoses fatais. Insegurança Econômica e Desindustrialização: Perda de empregos industriais de classe média, com salários estagnados e aumento do custo de vida. Abandono Social e Solidão: Enfraquecimento dos laços comunitários, religiosos e familiares.
Ainda Fraser (2023), “Parece que vivemos em uma configuração institucional que faz com que a vida familiar pareça muito indesejável para algumas pessoas… [o sistema] não deveria assumir que não devemos ter famílias, pois “horrores” atuais: “dívidas esmagadoras, trabalho precário, meios de subsistência sitiados, serviços em declínio, infraestruturas em ruínas e fronteiras endurecidas, um governo caótico”. Custo da Educação e Saúde: Dificuldade em acessar o ensino superior e altos custos médicos. O fenômeno é um “país doente”, diagnosticado por pesquisadores como Anne Case e Angus Deaton, onde o “sonho” se tornou um “pesadelo” para aqueles que perderam a esperança no futuro. Crise de Moradia e Sem-Teto: Em 2024, os EUA registraram um aumento de 18% na população sem-teto, totalizando mais de 1.870 um milhão, oitocentos e setenta mil pessoas, o maior número já registrado. Esse cenário tem forçado algumas famílias a morar em carros. Desemprego e Mercado de Trabalho: o mercado de trabalho tem mostrado sinais de desaceleração. A taxa de desemprego teve uma leve alta no início de 2026. Ação de Trump (2025): Donald Trump anunciou medidas para retirar pessoas em situação de rua de Washington D.C., propondo a realocação para abrigos fora da capital, focando em “lei e ordem” e alegando combate à criminalidade, o que gera debates sobre a abordagem social. Situação Política: Analistas políticos apontam para um cenário intenso em 2026, com foco de Trump na segurança interna e eleições de meio de mandato. Um certo descontrole social/governamental. Assim, o país enfrenta uma profunda disparidade social, onde a maior economia do mundo convive com uma crise habitacional severa. O governo atual tem adotado medidas de “lei e ordem” para lidar com o impacto visual e social dessa crise, principalmente na capital, mas espalhada pelo país inteiro, sem que tenha programas competentes e possa enfrentar o problema de frente. Crise de Moradia: O aumento desenfreado dos aluguéis e a falta de habitação acessível transformaram cidades como San Francisco, Los Angeles e Seattle em epicentros de populações de rua. O teto, antes um símbolo de estabilidade, tornou-se um luxo inacessível para muitos trabalhadores de classe média baixa. A Epidemia de Opioides: O uso de drogas, especialmente o fentanil, devastou comunidades inteiras. O que começou com prescrições médicas excessivas evoluiu para uma crise de saúde pública sem precedentes, alimentando o ciclo de vício e criminalidade. Mortes por Desespero: Este termo, cunhado pelos economistas Anne Case e Angus Deaton, refere-se ao aumento da mortalidade por suicídio, overdose e doenças relacionadas ao álcool. Elas atingem principalmente pessoas sem diploma universitário, que perderam a esperança de ascensão social e segurança econômica. Desigualdade e Polarização: A erosão da classe média e a concentração de riqueza criaram um sentimento de exclusão. A sensação de que o esforço individual não garante mais uma vida melhor é o que muitos chamam de “morte” do sonho original. Essa combinação de fatores sugere que o problema não é apenas econômico, mas estrutural e emocional, sinalizando uma ruptura no contrato social americano. Sim, a pobreza nos Estados Unidos é uma realidade significativa, afetando cerca de 35 a 40 milhões de pessoas (aproximadamente 10-15% da população), contrariando a imagem de riqueza absoluta. Ela se manifesta comumente através de insegurança habitacional, pessoas vivendo em abrigos, motéis ou carros, e alto custo de vida. Alguns aspectos da pobreza nos EUA: Pobreza Habitacional: Milhões enfrentam habitação precária, superlotação ou vivem em motéis/trailers, muitas vezes escondida atrás de fachadas comerciais, não formando favelas visíveis como no Brasil. Causas: O alto custo de moradia, saúde e serviços básicos, aliado a salários baixos (mesmo com trabalho), são os principais fatores, superando o desemprego. Desigualdade e Impacto: As minorias, incluindo negros e latinos, sofrem desproporcionalmente, com taxas de pobreza infantil superiores às da população branca. Localização: Embora presente em grandes centros urbanos, a pobreza também é marcante em áreas rurais. Apesar de ser a maior economia do mundo, os EUA enfrentam barreiras estruturais que limitam a eficácia das políticas de combate à pobreza. Pontos importantes sobre a situação: Segundo Chade (2025), A “Distopia Americana” e o fim do Sonho: Chade relata que a viagem de mais de 10 mil km por 15 estados americanos evidenciou uma “distopia doméstica” que corroeu a ideia do sonho americano, onde a ascensão social pelo trabalho está se desfazendo”, onde os moradores de rua tomaram conta das cidades, sem quaisquer perspectivas, se drogando e morrendo, pela morte do desespero”. Aumento da Pobreza: A crise habitacional, alto custo de vida, salários baixos e problemas de saúde mental impulsionam esse número. Perfil: Inclui veteranos de guerra, famílias com crianças e pessoas com dependência química. Locais: Muito visíveis em grandes cidades como Boston, Los Angeles, Nova York e San Francisco, frequentemente em acampamentos de barracas. Moradia Precária: Além dos que vivem na rua, milhões residem em motéis, carros ou casas superlotadas, com cerca de 30 milhões enfrentando insegurança habitacional. Apesar de ser a maior economia do mundo, a desigualdade social gera essa crise visível em áreas urbanas. Segundo Bauman (2015), “”modernidade líquida” como um tempo onde as relações sociais, econômicas e afetivas se tornaram fluidas, frágeis e passageiras, priorizando o imediatismo e o consumo sobre estruturas duradouras”. A sociologia contemporânea, ao analisar os Estados Unidos, frequentemente aponta para um cenário de “desastre social” ou “tragédia anunciada”, caracterizado por uma combinação de profunda desigualdade, erosão da coesão social e falhas nas instituições. Esse desastre não é necessariamente um evento único, mas um processo contínuo de “mortes por desespero” (alcoolismo, overdoses, suicídios) e declínio na qualidade de vida para grandes parcelas da população. O que a Sociologia aponta como causas: Desigualdade Extrema: Os EUA apresentam níveis de desigualdade de renda superiores a quase todos os países desenvolvidos, criando bolhas de pobreza e riqueza.
Segundo Giddens (1991), “a tragédia social” não como um evento único, mas como o acúmulo de riscos produzidos pela própria sociedade (riscos manufaturados), a modernidade produziu uma “sociedade de risco”, onde a busca por controle e racionalização (através da ciência e tecnologia) gera efeitos colaterais imprevistos e perigosos”. Abandono Social e Precarização: O enfraquecimento de sindicatos, salários estagnados e a falta de rede de segurança social (como saúde universal) criam vulnerabilidade, especialmente para a classe trabalhadora. Polarização e Desconfiança: A polarização política extrema, combinada com a desconfiança nas instituições (ciência, governo, mídia), dificulta respostas coletivas eficazes a crises. “Mortes por Desespero”: O avanço do neoliberalismo e a instabilidade econômica geram sofrimento mental crônico, com a pobreza triplicando as possibilidades de transtornos mentais. O que fazer (Abordagens Sociológicas e Comunitárias): Diante de um “desastre anunciado”, a sociologia sugere mover o foco de soluções meramente técnicas (engenharia) para soluções estruturais (justiça social). Fortalecimento Comunitário (Grassroots): A resposta mais eficiente geralmente vem de organizações locais e comunidades vizinhas. Investir em resiliência comunitária é crucial. Políticas Públicas de Justiça Social: Combater a pobreza através de intervenções diretas (saúde mental, acesso à moradia) é mais eficaz do que medicamentos na mitigação dos efeitos sociais. Segundo Beck(1986),“A produção social de riqueza é acompanhada sistematicamente pela produção social de riscos”. Ainda a partir de Beck (1986), “Na sociedade de risco, a busca de um “não-risco” ou “segura” é uma utopia, enquanto a incerteza se torna a norma”. Mudança de Foco: “Na sociedade industrial clássica, o foco era a distribuição de riquezas; na sociedade de risco, é a distribuição de perigos”. Ainda Bauman (2015), vai nos trazer “estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”.
Algumas Considerações, longe da Conclusão: A sociologia dos desastres e a sociedade de risco (conceito de Ulrich Beck) analisam como a modernidade produz perigos induzidos (nucleares, climáticos, ambientais, sociais, tecnológicos, humanos) que transcendem fronteiras e classes sociais. A compreensão de que a sociedade norte-americana contemporânea tem sido marcada por uma análise de sua “cadência” (desaceleração econômica, declínio relativo) e pela crise estrutural do “Sonho Americano”. Esse cenário gera um fenômeno conhecido como mortes por desespero (deaths of despair), que descreve o aumento da mortalidade por suicídio, overdose de drogas e abuso de álcool, particularmente entre a população branca de meia-idade, refletindo a frustração com a estagnação econômica e a perda de capital social. O desastre não é apenas um evento natural, mas um processo social que evidencia vulnerabilidades, desigualdades e a incapacidade institucional de gerenciar riscos sistêmicos. Pontos Chave da Sociologia dos Desastres e Sociedade de Risco: Risco como Produto Social: A sociedade moderna, ao buscar o progresso econômico, gera seus próprios perigos (ex: poluição, falhas técnicas, mudança climática), tornando os desastres “modernos” frutos da atividade humana e não da natureza. Desastres como Fenômeno Social: Sociólogos definem desastres como interrupções sociais súbitas que geram sofrimento coletivo e revelam estruturas de poder, vulnerabilidade e desigualdade social. Desigualdade no Impacto: Diferente do discurso de que “o risco afeta todos”, a sociologia mostra que grupos vulneráveis sofrem impactos desproporcionalmente maiores, intensificando desigualdades sociais e econômicas pré-existentes. Sociedade de Risco (Beck): Refere-se à transição de uma sociedade focada na distribuição de riquezas para uma focada na gestão de riscos incontroláveis. Isso provoca insegurança e a necessidade de “reaprender” a viver com a incerteza. Gestão de Riscos: A sociologia crítica aponta que a gestão de desastres muitas vezes é reativa e paliativa, ignorando as raízes sociais e de desenvolvimento que produzem o risco. A abordagem ideal inclui a participação da comunidade e o conhecimento local para criar resiliência e pensar numa sociedade mais humanizada.
Algumas Referências :
BAUMAN, ZYGMUNT. Modernidade líquida . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2015.
BECK, ULRICH. Sociedade de risco : Rumo a outra modernidade,2.ed . São Paulo : Editora 34, 2011. Edição Original. (1986).
CHADE, JAMIL. Tomara que você seja deportado: uma viagem pela distopia americana. Ano de Edição: 2025 (lançado no segundo semestre de 2025).
COLOMBO, MARISTELA. Modernidade: a construção do sujeito contemporâneo e a sociedade de consumo. Rev. bras. psicodrama, São Paulo, v.20,n.1, p.25-39, jun,2012.Disp.em https://jus.com.br/artigos/65200. Acesso em 12 abr. 2020.
DAVID, ANA P. SAWAYA. Pereira do Vale B. O surgimento do risco na sociedade contemporânea : A necessidade do pensamento complexo. Revista Jus Navegando, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 23, n. 5507, 30 jul. 2018. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/65200 . Acesso em: 29 abr. 2020.
FRASER, NANCY. Capitalismo Canibal: Como nosso sistema devora a democracia, a reprodução social e o planeta (2022): Explora o capitalismo como uma ordem institucional que se alimenta de suas próprias condições de possibilidade.
GIDDENS, A. As consequências da modernidade. São Paulo: Ed.(1991), da UNESP, 1999. Obras e referências relevantes com base em publicações recentes (2022-2025):na América). Ano/Edição: 2022.
**contribuição do Professor DsC Dirlei A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econômico e Ambiental, Professor da Rede Estadual da Bahia, Professor Formador IAT/SEC/BA.*03/2026.1.*
