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“O mundo é dividido entre homens com inteligência e sem religião, e homens com religião e sem inteligência”: o pensamento de Averróis, filósofo muçulmano, que tentou conciliar fé, razão e Aristóteles

14/03/2026 6 min read

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 “O mundo é dividido entre homens com inteligência e sem religião, e homens com religião e sem inteligência”: o pensamento de Averróis, filósofo muçulmano, que tentou conciliar fé, razão e Aristóteles

Filósofo andaluz do século XII, Averróis ganhou destaque ao defender que razão e religião não precisavam caminhar em campos opostos

No século XII, em Córdoba, um jurista muçulmano decidiu enfrentar um problema que atravessava a filosofia medieval: como lidar com os choques entre religião e razão. Ibn Rushd, conhecido no Ocidente como Averróis, acreditava que o conflito era apenas aparente.

Nascido em 1126, em uma família respeitada de juristas da Andaluzia, Averróis seguiu carreira pública como juiz e médico, mas ganhou notoriedade por sua atuação como filósofo. Sua obra gira em torno de uma convicção central: a investigação racional não entra em contradição com a religião quando ambas são compreendidas corretamente.

Essa posição o levou a defender o estudo da filosofia dentro da tradição islâmica. Para ele, o Alcorão não proíbe a reflexão filosófica. Ao contrário, incentiva o uso da razão para compreender a criação.

Aristóteles como referência filosófica

Averróis dedicou grande parte de sua vida a comentar a obra de Aristóteles, a quem considerava o pensador que havia levado a investigação racional mais longe. Produziu resumos, paráfrases e comentários detalhados de quase todo o corpus aristotélico.

Seu objetivo era tornar o pensamento do filósofo grego compreensível ao público de língua árabe. Esse trabalho lhe rendeu um apelido que atravessaria séculos na Europa medieval: “o Comentador”.

A confiança de Averróis na filosofia se baseava na ideia de que o conhecimento verdadeiro depende da demonstração racional. Nem todos os argumentos têm o mesmo valor. Há raciocínios retóricos ou dialéticos que apenas persuadem. A demonstração, porém, permite alcançar um nível mais seguro de conhecimento.

Religião, interpretação e filosofia

Averróis sustentava que a religião fala a públicos diferentes. Para a maioria das pessoas, a leitura literal do texto sagrado cumpre um papel importante na orientação moral. Já os estudiosos mais preparados devem buscar sentidos mais profundos.

Quando uma passagem religiosa parece entrar em conflito com conclusões filosóficas bem demonstradas, ele defendia que o problema não estava na razão, mas na interpretação literal do texto. Nesses casos, a passagem deveria ser compreendida como metáfora ou parábola.

Essa posição aparece de forma clara em sua obra Tratado Decisivo, na qual argumenta que a própria lei religiosa incentiva o uso da razão. Para Averróis, filosofia e religião partem da mesma verdade e, portanto, não podem entrar em contradição real.

Filosofia, ciência e causalidade

O pensamento de Averróis também se estende à física, à psicologia e à metafísica. Em oposição a algumas correntes teológicas de seu tempo, ele rejeitou a ideia de que todos os eventos do mundo dependem exclusivamente da intervenção direta de Deus.

Segundo ele, os fenômenos naturais possuem causas próprias, que podem ser investigadas pela ciência. Negar essas causas significaria tornar o mundo incompreensível.

Averróis também discutiu a natureza da alma, da matéria e do movimento, sempre dialogando com a tradição aristotélica. Em suas análises, o universo aparece como uma ordem racional cuja compreensão exige método e observação.

Direito, medicina e atividade intelectual

Além da filosofia, Averróis escreveu sobre jurisprudência islâmica e medicina. Sua obra jurídica mais conhecida, o Manual do Jurista Distinto, examina as divergências entre escolas de direito e procura explicar as causas dessas diferenças.

Na medicina, produziu tratados que buscavam organizar os princípios gerais da prática médica, aproximando a arte de curar de uma base mais sistemática.

Prestígio, exílio e legado

Durante parte de sua vida, Averróis contou com o apoio do califa almóada Abu Ya’qub Yusuf, interessado em filosofia. Nesse período, recebeu o pedido de comentar as obras de Aristóteles.

Mais tarde, porém, o filósofo caiu em desgraça política. Foi exilado em Lucena, antes de passar seus últimos anos em Marrakesh, onde morreu em 1198.

Apesar das controvérsias que cercaram sua trajetória, suas ideias circularam amplamente. Seus escritos influenciaram pensadores muçulmanos, filósofos judeus e intelectuais cristãos.

Na Europa medieval, suas interpretações de Aristóteles marcaram universidades e debates filosóficos durante séculos. O impacto foi tão grande que, em muitos textos, seu nome aparece simplesmente como “o Comentador”, sinal da autoridade que conquistou no estudo da filosofia.

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