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Vitória da Conquista ganhou um “Teco-Teco”

05/06/2026 3 min read

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 Vitória da Conquista ganhou um “Teco-Teco”
Jornalista Jeremias Macário

Ao colocar um avião “Teco-Teco”, fazendo linha Vitória da Conquista-Salvador, com apenas nove pessoas, a companhia Azul Linhas Aéreas está tirando sarro com a cara dos conquistense, além de nos rebaixar a uma cidadezinha mequetrefe do interior do sertão. Em 1948, há exatos 78 anos, a cidade já operava com uma aeronave maior que esta da “azulzinha”.
É uma vergonha, para não dizer um retrocesso e um atraso, uma cidade de 400 mil habitantes e a terceira maior da Bahia, considerada a Capital do Sudoeste (Sudeste), ter como transporte viário para Salvador um “Teco-Teco”, como assim sempre foi chamado esses aviões de pequeno porte.
Imaginou, naquela época, uma manchete de um jornal onde o jornaleiro, para vender o periódico, grita nas ruas “alô, alô, “Conquista Ganhou um “Teco-Teco”! Com certeza, ia esgotar toda edição!
O empresário José Maria Caires, do movimento reivindicatório pelo desenvolvimento econômico de Vitória da Conquista, como o “Duplica Sudoeste”, e até cogitou em transformar a cidade no Portal da Chapada Diamantina, tem expressado sua revolta quanto ao tratamento dado pela Azul Linhas Aéreas.
Esse rebaixamento me faz pensar sobre alguns veículos de comunicação, agências de propaganda, comerciantes, segmentos da cultura e até personalidades do meio intelectual exporem Conquista como a “Suíça Baiana”, que nada tem a ver com aquele país situado nos alpes europeus. Essa “Suíça” bem que merecia ser respeitada por essa empresa de aviação.
Vamos deixar o deboche lado e falarmos no que mais nos interessa. É hilário, para não dizer ridículo, que depois de muita luta para desativar o velho aeroporto Otacílio Fonseca, que não mais atendia a demanda de Conquista e construir o novo Glauber Rocha, a Azul nos ofereça um “Teco-Teco”, com duração de quase duas horas de voo para a capital baiana!
Num “Teco-Teco” desse, que balança mais não cai, não entro nem pau seu Zé! Só morto, meu camarada! Quando repórter do jornal A Tarde fui num desse “carcará voador” ao interior de Uauá fazer uma matéria e, por pouco, não sofri um ataque cardíaco. Se tinha medo de avião, passei muito tempo para me livrar desse trauma.
Bem, nosso amigo José Maria tem clamado e desabafado que a falta de concorrência de companhias aéreas que operam voos regionais na Bahia, permite a Azul Linhas Aéreas aplicar tarifas estratosféricas, superiores, inclusive, a de voos internacionais.
Destaca que o fato dessa companhia obter o monopólio da aviação regional no estado e ainda com subsídios de ICMS, não lhe dá o direito de tripudiar dos baianos, no caso os conquistenses. Declara que o Governo do Estado, através da Secretaria de Turismo, não respondeu ao clamor da sociedade, pois aceitou a imposição da empresa.
Como empresário, alerta que o isolamento da região sudoeste (sudeste) da Bahia com a capital tem efeitos nefastos para a economia como um todo. Ele cita como efeitos negativos a redução de embarques e desembarques no aeroporto Glauber Rocha que caiu de 450 mil passageiros em 2023, para 400 mil em 2025.
Muitos estão preferindo ir a Salvador de carro próprio ou de ônibus, tendo que enfrentar uma BR-116 altamente perigosa, sem contar a perda de tempo, ao invés de embarcar num “Teco-Teco” de nove pessoas, inaugurado no último dia 2/06 (terça-Feira), em substituição a um equipamento de 72 assentos.

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