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O futuro da Venezuela e os reflexos para a geopolítica mundial

05/01/2026 5 min read

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 O futuro da Venezuela e os reflexos para a geopolítica mundial
(

(Prof. Dirlei A Bonfim)*

O futuro da Venezuela está envolto em incertezas políticas e desafios econômicos contínuos, com a crise atual se refletindo na geopolítica mundial, especialmente através da instabilidade regional, questões energéticas e realinhamentos de poder internacional.
Cenário Interno e Futuro
A Venezuela enfrenta uma crise multifacetada marcada por corrupção política, escassez crônica de bens essenciais, hiperinflação (esperada em torno de 190% até o final de 2025, segundo analistas) e um êxodo massivo de sua população. O futuro do país depende crucialmente da resolução de sua profunda divisão interna entre o governo de Nicolás Maduro (apoiado pelo PSUV) …
[12:10, 04/01/2026] Dirley Bonfim: A influência das empresas petrolíferas na política dos Estados Unidos é significativa, mas a ideia de que elas “mandam em todos os governos” é uma simplificação. A relação é complexa, envolvendo lobbying intensivo, contribuições financeiras para campanhas políticas e uma forte interação com as flutuações do mercado global.
Lobbying e Contribuições Financeiras: A indústria de óleo e gás gasta dezenas de milhões de dólares anualmente em lobbying federal para influenciar a legislação e a regulamentação. Além disso, contribui pesadamente para campanhas eleitorais, direcionando a vasta maioria desses fundos para o Partido Republicano, embora alguns democratas também recebam doações. Essas contribuições visam garantir políticas favoráveis, como a redução de impos…
[12:10, 04/01/2026] Dirley Bonfim: A obra “Discurso sobre a Servidão Voluntária”, de Étienne de La Boétie, oferece uma lente para analisar a submissão popular a regimes opressivos, mas tem uma relação indireta com a geopolítica internacional e a questão de uma possível invasão dos EUA na Venezuela.

A Teoria da Servidão Voluntária

A tese central de La Boétie é que todo governo, inclusive o tirânico, baseia seu poder no consentimento dos governados. O tirano não possui poder inerente; o poder que ele exerce é apenas aquele que o povo lhe concede ou permite tomar. A submissão é, portanto, “voluntária” e mantida pelo hábito, pela corrupção de alguns indivíduos que se beneficiam do regime e pela perda da memória da liberdade natural. O ponto crucial é que a tirania pode ser derrubada sem violência, apenas com a recusa coletiva em obedecer e cooperar. Se o povo simplesmente decidir “não servir mais”, o tirano entrará em colapso, pois nada mais é do que um gigante com pés de barro.

Relação com a Situação na Venezuela x Tirano Trump(EUA)

A conexão entre a obra de La Boétie e a situação na Venezuela pode ser interpretada de diferentes maneiras, principalmente em termos de analogia interna, e não de causa e efeito na política externa dos EUA: A Submissão Interna: Analistas (inclusive em artigos de opinião) usam a obra para questionar por que parte da população venezuelana continua a apoiar ou tolerar o regime atual, apesar das dificuldades econômicas e da repressão política. A “servidão voluntária” explicaria, em parte, a inércia ou a divisão da oposição, que não consegue um “despertar da consciência popular” unificado para retirar o consentimento ao governo de Nicolás Maduro. O “Tirano” e Seus Apoiadores: A teoria de La Boétie sobre a rede de corrupção em torno do tirano — aqueles que “amam a servidão para amealhar bens” e formam uma conspiração, não uma sociedade — pode ser usada para descrever a estrutura de poder e apoio ao governo venezuelano. A Intervenção Externa: A obra de La Boétie foca-se primariamente na relação interna entre governantes e governados, não em intervenções estrangeiras. A questão da “invasão dos EUA” é um elemento de geopolítica internacional, que envolve soberania nacional e leis internacionais, temas que não são o foco principal do texto do século XVI. Uma intervenção externa introduz uma dinâmica diferente, que não se baseia no consentimento interno, mas na força militar de um Estado contra outro, o que criaria um precedente perigoso nas relações internacionais.

Em resumo, o “Discurso sobre a Servidão Voluntária” oferece um quadro conceitual para entender a natureza do poder e da obediência dentro da Venezuela, mas não aborda diretamente a legalidade ou a moralidade de uma potencial ação militar externa por parte dos Estados Unidos. A obra inspira a ideia de que a solução para a tirania reside na resistência civil pacífica e na recusa à obediência, não em intervenções externas.

Algumas considerações, para novas leituras, releituras, no aprofundamento das análises sobre o Tabuleiro da Geopolítica Mundial, neste momento.
Cordialmente, Professor DsC. Dirlei A Bonfim. dirleibonfim@gmail.com

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