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Implante de válvula cardíaca é opção para pacientes muito idosos e/ou que não podem se submeter a uma cirurgia

23/02/2023 6 min read

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 Implante de válvula cardíaca é opção para pacientes muito idosos e/ou que não podem se submeter a uma cirurgia

Minimamente invasivo, TAVI pode ser o tratamento preferencial para pacientes com doença arterial coronariana associada à estenose da válvula aórtica

Pessoas diagnosticadas com doença arterial coronariana (DAC) frequentemente também apresentam estenose (defeito de abertura) da válvula aórtica (EA). Como os sintomas das duas doenças são similares, é comum surgir entre os cardiologistas a dúvida: qual delas deve receber tratamento prioritário? Com o intuito de esclarecer melhor essa questão, o cardiologista intervencionista soteropolitano Sérgio Câmara desenvolveu, juntamente com pesquisadores internacionais, um estudo multicêntrico que avaliou mais de 2400 pacientes em 30 países. Os resultados de sua pesquisa foram publicados recentemente na Revista “Circulation: cardiovascular interventions”, uma das mais renomadas da área de hemodinâmica e cardiologia intervencionista.

O estudo pioneiro, apresentado no tradicional “New York Cardiovascular Symposium”, concluiu que nem sempre é preciso realizar um procedimento invasivo a mais – angioplastia – para tratar o paciente com DAC e EA concomitantes, considerando todos os seus riscos. Em muitos casos, o implante de válvula aórtica transcateter (TAVI), técnica endovascular minimamente invasiva, pode ser o tratamento prioritário para pacientes idosos e/ou mais frágeis. Esta opção, por vezes, permite prolongar a sobrevida do paciente sem expor ele a duas intervenções distintas.

O artigo, intitulado “Manejo da revascularização miocárdica em pacientes com doença arterial coronariana estável submetidos a implante transcateter de válvula aórtica”, revela que os resultados alcançados com o tratamento conservador apenas com TAVI são semelhantes aos obtidos a aqueles submetidos ao implante de TAVI combinado com angioplastia de maneira sistemática no que diz respeito à redução do risco de morte,  acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e reinternação por infarto do miocárdio em dois anos, independentemente das situações clínicas e anatômicas. “O equilíbrio entre as duas estratégias de abordagem em termos de resultados foi consistente em diferentes subgrupos pré-especificados, mas o TAVI oferece a clara vantagem de poder adiar o tratamento da DAC concomitante, equilibrando a prioridade de tratamento de acordo com a gravidade das doenças e apresentação clínica dos pacientes”, destacou Sérgio Câmara.

Para facilitar o entendimento do público não-médico a respeito do conteúdo do seu artigo, o cardiologista intervencionista costuma comparar o funcionamento do coração ao de uma casa. Desta forma, ele compara a “parede” ao miocárdio, músculo cardíaco que funciona de forma autônoma e involuntária, assegurando a circulação sanguínea. O “sistema hidráulico” são as coronárias, responsáveis por levar o sangue oxigenado até o miocárdio. A “parte elétrica” são os feixes elétricos cardíacos que organizam a eletricidade do órgão, a fim de regular o funcionamento compassado dos “cômodos da casa”, ou seja, das câmaras do coração, sendo as superiores chamadas de átrios e as inferiores de ventrículos. As “portas” são as válvulas cardíacas, responsáveis pelo controle de entrada e saída do sangue das estruturas cardíacas.

Segundo o médico, que atua nos hospitais da Rede D’or em Salvador e na região metropolitana e também no Hospital da Bahia/DASA, uma dessas portas, a válvula aórtica, que fica entre o ventrículo esquerdo e a aorta (principal artéria do coração), costuma ‘enferrujar’ com o avançar da idade devido a uma degeneração calcífica que causa estreitamento da válvula, dificultando a passagem sanguínea. “Até 2002, a única forma de tratar esta ‘ferrugem’ era por meio de uma cirurgia. Contudo, o advento do implante de válvula aórtica transcateter, geralmente feito através de uma punção pela virilha do paciente, criou a possibilidade de tratamento minimamente invasivo da estenose aórtica”, resumiu.

Para pacientes com idade muito avançada ou que, por diversas razões, não podem se submeter a uma cirurgia devido aos riscos de morte associados, o TAVI surge como uma alternativa importante de sobrevida. Atualmente, a indicação para este tipo de tratamento para pacientes de baixo, moderado, alto e altíssimo risco é cada vez mais frequente. “Em geral, para pacientes com mais de 75 anos, esta é a primeira opção de tratamento da estenose aórtica. Regulamentado pela Anvisa, o implante é coberto por planos de saúde e, desde 2022, está incluido no rol de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de pacientes de alto e altíssimo risco”, completou o especialista em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.

O TAVI foi realizado pela primeira vez em 2002, na França. No Brasil, o primeiro procedimento minimamente invasivo para tratar a estenose aórtica foi realizado em 2008. A doença decorre da calcificação da válvula aórtica, dificultando a saída de sangue do coração para as extremidades do corpo. Quando começa a dar sintomas – dor no peito, cansaço, desmaios, falta de ar, tontura, arritmias e/ou inchaço do tornozelo – a evolução é muito ruim. Por isso, o risco de morte sem tratamento é alto. Quando há indicação para o implante da válvula aórtica, após aplicação de anestesia local, uma prótese é levada até o coração por um cateter e é liberada na região da válvula aórtica doente.

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