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Bolsonarismo: Herança do Cabo Anselmo

01/04/2026 5 min read

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 Bolsonarismo: Herança do Cabo Anselmo
- José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo - Foto: Reprodução de Vídeo/TV Cultura

Discursos de Flávio e de Eduardo Bolsonaro não só foram vergonhosos prometendo vender o Brasil, mas também nojentos

Por: João Vicente Goulart

Nesta quarta-feira é 1º de abril. Há sessenta e dois anos, a Pátria era traída pela prepotência das armas, pelo som dos coturnos em marcha, pelo fio das baionetas, pelo rugir dos tanques de guerra atropelando estudantes, militares prendendo sindicalistas, democratas. E, assim, a democracia era enterrada.

Traída a Constituição, instalado o golpe de Estado, a “revolução redentora” se fazia legitimada na madrugada do dia 2 de abril, na vergonha do Congresso Nacional, convocado ilegalmente às pressas pelo senador Áureo Moura Andrade, declarando vaga a presidência do país, com o presidente João Belchior Marques Goulart dentro do território nacional.

Traição da ordem constitucional, aos princípios democráticos, ao povo brasileiro. Traição em toda ordem constituída, traição à Pátria.

Cabo Anselmo, um ativista suboficial da marinha, atuava promovendo grande agitação nos meios militares. Mostrava-se como um tenaz defensor dos direitos dos marinheiros, promovendo greves, exigindo o direito dos cabos e soldados serem votados, parecendo um profundo defensor de mudanças nas estruturas militares naquela época. Parecia uma liderança verdadeira.

Contudo, ao longo dos acontecimentos, durante a resistência da luta contra a ditadura, a história mostrou sua dupla face: de defensor do progressismo estrutural do país, ao pior papel de traidor, como agente de grupos americanos, infiltrado nas hostes nacionalistas que lutavam para construir um Brasil mais igualitário, mais nosso, soberano, justo e digno.

Tendo ele projetado a imagem de luta, no pós-golpe, quando nossos heróis da resistência à ditadura se organizavam na luta armada, este verme traidor fez parte dos movimentos para entregar seus pares à vontade imperialista dos americanos, que o tinham colocado como agente dos órgãos de segurança dos EUA. O objetivo era derrubar o governo democrático de João Goulart, acabando com ele e as “Reformas de Base”.

Cabo Anselmo entrou nas fileiras da VPR e, covardemente, entregou seus pares de luta à repressão da ditadura. Cinco de seus companheiros foram assassinados no “Massacre da Chácara São Bento”, onde sua própria companheira, Soledad Barret, foi morta estando grávida. Foi esquartejada e colocada dentro de um tonel.

Traição da mais alta ignomínia.

Traição não é só a uma pessoa ou a um grupo; a mais repugnante traição é a traição à Pátria, que fere nossa integridade como nação, fere a soberania e o direito de sermos livres e não tutelados, fere nosso desenvolvimento, freando investimentos em saúde e educação, fere nossa cultura, privilegiando filmes de mocinhos americanos, entregando nossas riquezas, matas, mares, entregando nossos destinos.

O bolsonarismo chegou ao seu limite de traição à Pátria. E é aqui que o comparamos ao nível de traição das ações do Cabo Anselmo e suas consequências ao Brasil. A “famiglicia” herdou esse gene e, agora, em 2026, quer impor, ajoelhando a nação diante dos Estados Unidos da América.

Os discursos de Flávio Bolsonaro e de Eduardo “bananinha” Bolsonaro, este último promulgado na reunião de extrema direita, na Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, no Texas, nos Estados Unidos, não só foram vergonhosos prometendo vender o Brasil, mas também nojentos. Cabe perguntarmos se é isso, realmente, que os seguidores dessa “seita” política querem para o país.

“O Brasil será ‘solução dos EUA’ contra a China na disputa por minerais críticos”. (Flávio Bolsonaro vendendo o Brasil).

Traição é traição, mais ainda quando é feita a toda uma Nação.

Nesta quarta, 1º de abril, sessenta e dois anos do golpe de 1964, temos que recordar os vinte e um anos de ditadura, recordar os traidores, os torturadores, lembrar que a Pátria só é grande quando temos consciência de que eles ainda estão aqui, os Anselmos, os Fleurys, os Bolsonaros.

PARA QUE NÃO SE REPITA, PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA.

João Vicente Goulart é presidente do Instituto João Goulart (IPG).

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