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A morte e seu Registro
Como tem ocorrido, em razão da luta pela verdade em relação às vítimas da ditadura militar (1964-1985), ontem 31.04.2026, no Salão da Reitoria da Universidade Federal da Bahia, foram entregues as certidões de Registo de Óbito, com menção das circunstâncias da morte, de Rosalindo Souza e Péricles Gusmão Regis, vítimas do regime de exceção.
Péricles Gusmão Regis, vereador de Vitória da Conquista, ao tempo líder do prefeito (José Pedral, na época) foi preso a fim de responder por crimes (não previstos na lei daquele momento), de subversão da Ordem, em IPM presidido pelo Capitão Bendochi Alves Filho.
Preso, à disposição do Exército, Péricles foi encontrado morto com vários cortes em seu corpo, especialmente na garganta, na cela que lhe foi destinada, em dia do mês de maio de 1964.
Já restabelecido Estado de Direito, foi reconhecida a responsabilidade do Estado Brasileiro.
Era necessário, por imposição da verdade, que isso ficasse oficialmente registrado.
Rosalindo Souza, foi grande líder estudantil. Por sua atividade em lutas dos estudantes em choque contra a ditadura militar, respondeu a processo. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito Cândido Mendes, onde concluiu o curso iniciado na UFBA, de onde os militares exigiram sua expulsão.
Após avaliar que seria condenado em processo perante a Auditoria Militar da 6º Região, Rosalindo deixou seu escritório de Advocacia, em Itapetinga e embrenhou-se na Selva onde desenvolveu-se a Guerrilha do Araguaia. Lá foi morto. Seu corpo não foi entregue aos familiares é nenhuma notícia sobre ele foi fornecida aos pais e irmãs, residentes em Itapetinga, Bahia. Ficou “desaparecido” (o “desaparecimento” de pessoas foi prática inaugurada pelos nazistas na Alemanha).
Não se sabe onde se encontram os restos mortais de Rosalindo Souza, mas sabe-se de sua morte e época.
Também o Estado reconheceu a responsabilidade pela sua morte e desaparecimento (ocultação) do cadáver.
A verdade foi reposta em seu registro de óbito.
É importante frisar que uma corrente política, com atuantes inclusive em Vitória da Conquista e em Itapetinga, defendem o restabelecimento de ditadura militar no Brasil e, agora, sob argumento de conciliação, candidatos de direita, pregam e prometem a Anistia àqueles, liderados por capitão reformado, que pretenderam dar um Golpe de Estado. Precisam de História.
A história continua sendo, como disse Cícero, orador romano, “a mestra da vida”.
