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O Sequestro do Presidente da Venezuela tratado como um fato normalizado pela imprensa no Brasil ou quê padrão de democracia querem nos impor!

06/01/2026 4 min read

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 O Sequestro do Presidente da Venezuela tratado como um fato normalizado pela imprensa no Brasil ou quê padrão de democracia querem nos impor!

Por Joilson Bergher

Resumo.

Este artigo analisa criticamente o papel da grande imprensa na normalização de rupturas da soberania nacional em países latino-americanos, com foco na cobertura sobre a Venezuela. Sustenta-se que a mídia hegemônica opera a partir de um duplo padrão democrático, no qual práticas consideradas inaceitáveis nos países centrais são tratadas como naturais ou necessárias quando aplicadas ao Sul Global. Tal lógica contribui para a legitimação simbólica de intervenções estrangeiras e enfraquece a compreensão pública da democracia como valor universal.

Palavras-chave.

Imprensa; soberania; Venezuela; democracia.

Introdução.

A mídia contemporânea exerce papel estratégico na construção dos sentidos políticos que orientam a opinião pública. Longe de atuar como mera transmissora de fatos, a grande imprensa participa ativamente da produção de consensos, especialmente em contextos de disputa geopolítica. No caso latino-americano, observa-se uma recorrente deslegitimação de governos que não se alinham aos interesses das potências centrais, sendo a Venezuela um exemplo paradigmático desse processo.

A normalização da ruptura democrática.

A cobertura midiática dominante sobre a Venezuela é marcada por um discurso reiterativo que associa o país à ideia de colapso permanente. Esse enquadramento simbólico cria as condições para que práticas extremas, como a retirada forçada ou o sequestro de um presidente eleito, sejam apresentados como soluções políticas aceitáveis. Em contraste, eventos semelhantes ocorridos em países do Norte Global seriam imediatamente classificados como golpes de Estado e graves violações do direito internacional, evidenciando um duplo padrão na defesa da democracia.

Apagamento do conflito e colonialidade da Informação.

Outro aspecto central dessa cobertura é o apagamento sistemático da resistência popular. Enquanto veículos alternativos e internacionais registram mobilizações em defesa da soberania venezuelana, a imprensa hegemônica tende a apresentar uma narrativa de normalidade institucional. Esse silenciamento não é neutro: constitui uma prática de colonialidade da informação, na qual as vozes dos povos periféricos são desautorizadas e substituídas por interpretações externas legitimadoras da intervenção.

Considerações finais.

A análise evidencia que a naturalização midiática da violação da soberania em países periféricos não se trata de um desvio pontual, mas de uma lógica estrutural. Ao relativizar a deposição criminosa de dirigentes eleitos, a imprensa contribui para esvaziar o sentido universal da democracia, transformando-a em um valor seletivo. Defender a soberania venezuelana, nesse contexto, não significa endossar governos específicos, mas afirmar um princípio fundamental: não há democracia possível onde o sequestro de presidentes pode ser tratado como fato ordinário.

Referências Bibliográficas.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A difícil democracia: reinventar as esquerdas. São Paulo: Boitempo, 2016.

AL JAZEERA. Latin America and U.S. foreign policy. Doha: Al Jazeera Media Network, diversos relatórios e coberturas especiais.
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Joilson Bergher/Rede M-Coeso e Produtor de Conhecimento na área de Filosofia.

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