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Carbono Oculto: delações de Beto Louco e Primo, do PCC, apavoram Centrão e aliados de Tarcísio

25/11/2025 6 min read

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 Carbono Oculto: delações de Beto Louco e Primo, do PCC, apavoram Centrão e aliados de Tarcísio
Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Leme, o Beto Louco. Créditos: Reprodução

Pivôs do esquema de lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, Beto Louco e Primo estariam negociando delação premiada para entregar elo com políticos.

As possíveis negociações envolvendo delações premiadas de Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, principais pivôs da Operação Carbono Oculto, que investiga a ligação entre Faria Lima, política e Primeiro Comando da Capital, o PCC, caiu como uma bomba em Brasília e provoca pânico entre lideranças do Centrão e aliados do governador paulista Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), principal aposta da terceira via na disputa presidencial em 2026.

Segundo investigações do Ministério Público de São Paulo, os dois seriam o elo da facção no esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e em fintechs que atuam na Faria Lima.

Beto Louco e Primo estão foragidos. Eles teriam deixado o Brasil rumo a Dubai e agora estariam abrigados no Líbano. No entanto, estariam dispostos a retornar ao Brasil ante um acordo de delação premiada. No acordo, que está em início de negociação, eles se comprometeriam a entregar políticos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

De acordo com o MP, a organização atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis e de açúcar e álcool, envolvendo usinas, distribuidoras, transportadoras, refinarias, armazenagem, redes de postos e até lojas de conveniência.

Mohamad foi identificado como o chefe da estrutura criminosa e descrito como o “epicentro das operações”. Ele utilizava uma complexa rede de empresas para fraudar o fisco, ocultar patrimônio e lavar bilhões de reais. Entre os negócios usados pelo grupo estavam a Copape e a Aster, empresas do setor de combustíveis adquiridas por ele para inflar artificialmente preços de insumos, gerar créditos tributários indevidos e reduzir o pagamento de impostos.

Nas redes sociais, Mohamad se apresentava de forma distinta. No LinkedIn, ele dizia ser CEO da G8LOG, especializada em transporte rodoviário de cargas perigosas, e consultor da Copape, apresentando-se como um empresário “disciplinado e comprometido com resultados sólidos”.

Já Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, aparece como co-líder do esquema. Ele era responsável direto pela gestão da Copape e da Aster, utilizadas em fraudes fiscais, falsificação de documentos e lavagem de capitais.

A divisão do grupo previa uma estrutura para a administração das usinas e outra para a gestão financeira e patrimonial, que operava por meio de fundos de investimento e empresas de participação.

Ligação com o Centrão

Piloto de jatinhos usados por líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Mauro Caputti Mattosinho afirmou ter levado uma sacola, que teria dinheiro vivo, ao presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL).

Ele também afirma que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, seria o dono oculto de aeronaves usadas pela facção criminosa. Nogueira e Rueda são os principais articuladores da candidatura Tarcísio Gomes de Freitas, atuando como fiadores junto ao Centrão e à Faria Lima.

Em entrevista ao ICL Notícias, o piloto Mauro Caputti Mattosinho, 38 anos, afirma que as aeronaves são operadas pela empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), na qual trabalhava, e teriam sido usadas por Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, líderes do PCC investigados pela PF, que estão foragidos.

“Havia um clima de ‘boom’ de crescimento na empresa. E isso foi justificado como sendo um grupo muito forte, encabeçado pelo Rueda, que vinha com muito dinheiro que precisava gastar. Então, a aquisição de várias aeronaves foi financiada”, disse o piloto na entrevista aos jornalistas Leandro Demori, Cesar Calejon, Flávio VM Costa e Alice Maciel, do ICL Notícias; e Thiago Herdy, colunista do UOL.

Em nota, Rueda “repudia com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com a prática de algum ilícito” e que “nunca participou da compra das aeronaves”.

Mattosinhos afirma que contou todo o esquema à PF, que teria incluído Rueda nas investigações sobre o elo entre Faria Lima e o PCC.

Segundo os investigadores, Rueda seria dono oculto das aeronaves que estão em nome de terceiros e de fundos de investimentos que operam na Faria Lima.

Segundo o site Metrópoles, um dos jatinhos, um Cessna 560XL de matrícula PRLPG, está em nome da empresa Magik Aviation, que divide o mesmo presidente com a Bariloche Participações S.A. As duas empresas pertencem a dois empresários do ramo de mineração: Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak.

Donos do grupo econômico Fource, os dois já foram alvo de busca e apreensão na Operação Sisamnes, da PF, que investiga a venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Bariloche Participações S.A opera um outro fundo, também chamado Bariloche, que tem capital no fundo Vienal – do banco Genial – e é alvo da investigação Carbono oculto por ser parte do esquema de fundos “caixa-pretas” usados para lavagem de dinheiro, inclusive do PCC.

Além do Cessna 560 XL, as outras aeronaves seriam um Cessna 525A; um Raytheon R390; e um Gulfstream G200, avaliado em US$ 18 milhões – quase R$ 100 milhões.

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