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Entenda por que Trump voltou atrás nas tarifas impostas contra a China

14/04/2025 4 min read

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 Entenda por que Trump voltou atrás nas tarifas impostas contra a China

Pressionado por mercados em queda, protestos internos e críticas de aliados, presidente dos EUA reduz tarifas e tenta renegociar acordos comerciais

 O jornalista e analista político russo Vitaly Ryumshin explica, em artigo publicado originalmente no Gazeta.ru e traduzido e editado pela equipe da RT, os motivos que levaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a recuar da guerra comercial que ele próprio iniciou em seu segundo mandato. Após impor tarifas agressivas a dezenas de países, Trump viu sua popularidade despencar, enfrentou protestos internos e sofreu críticas até mesmo de aliados próximos. A pressão crescente o forçou a reduzir temporariamente as tarifas e abrir espaço para negociações.

“Agora eu já vi de tudo”, escreve Ryumshin, ao refletir sobre a escalada e o colapso da estratégia tarifária trumpista. A nova ofensiva começou em fevereiro, com sobretaxas sobre importações do Canadá e do México, sob a justificativa de que os dois países não faziam o suficiente para conter migração e tráfico de drogas. A resposta rápida de Ottawa e Cidade do México, que aceitaram negociar, alimentou a crença de Trump de que poderia estender essa tática ao restante do mundo.

Segundo Ryumshin, o presidente norte-americano acreditava que sua chamada “estratégia psicopata” — criar uma crise, oferecer o recuo como gesto de boa vontade e exigir concessões em troca — funcionaria em escala global. Mas a reação foi explosiva: mercados entraram em colapso, os preços do petróleo caíram, analistas passaram a prever recessão e os americanos começaram a estocar alimentos temendo o pior. Apesar do caos, a Casa Branca assegurava que “tudo estava indo conforme o plano”.

O plano, segundo o próprio Trump, era fazer o mundo “kiss his ass”. No entanto, os efeitos internos foram devastadores: manifestações contra as tarifas se espalharam pelos EUA, lideradas por grupos progressistas; Barack Obama e Kamala Harris passaram a criticar publicamente o presidente; e o deputado Al Green anunciou nova tentativa de impeachment — a terceira.

As críticas não ficaram restritas à oposição. O senador republicano Ted Cruz alertou para um “banho de sangue” nas eleições legislativas de 2026 caso a recessão se concretizasse. Elon Musk, antigo aliado de Trump, atacou o assessor comercial Peter Navarro, chamando-o de “idiota” e “mais burro que um saco de batatas”.

Diante do desgaste, Trump anunciou no dia 9 de abril que 75 países haviam solicitado renegociações. Como resposta, reduziu as tarifas para 10% por 90 dias, em uma tentativa de reverter o quadro. Mas, como aponta Ryumshin, a China segue firme e não demonstrou disposição para ceder. Com tarifas recíprocas já chegando a 140%, a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo ameaça provocar um colapso no comércio bilateral.

O autor conclui que Trump, fiel ao seu estilo, pode pressionar por concessões rápidas e declarar vitória — ou simplesmente abandonar o tema e partir para outro foco, como já fez com a guerra da Ucrânia ou com o dossiê nuclear iraniano. “E o mais assustador”, escreve Ryumshin, “é que às vezes funciona.”

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