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Governo Bolsonaro terá quatro presidentes da Petrobras em menos de dois anos; entenda as mudanças

16/04/2023 21 min read

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 Governo Bolsonaro terá quatro presidentes da Petrobras em menos de dois anos; entenda as mudanças

A estatal já foi presidida pelo executivo José Mauro Coelho, pelo general Joaquim Silva e Luna e pelo economista Roberto Castello Branco. Mudanças estão relacionadas com o preço de paridade de importação (PPI), adotado no governo Temer.

Por g1

20/06/2022 11h56  Atualizado há 9 meses


Sob pressão do governo, José Mauro Coelho renuncia à presidência da Petrobras

Sob pressão do governo, José Mauro Coelho renuncia à presidência da Petrobras

Desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, a Petrobras já teve três presidentes. O mais recente a deixar o cargo, José Mauro Coelho pediu demissão nesta segunda-feira (20), pouco mais de dois meses após assumir. O substituto interino definido pelo Conselho de Administração da empresa é Fernando Borges.

Antes dele, a estatal foi presidida pelo general Joaquim Silva e Luna (o militar tomou posse em abril de 2021 e permaneceu no posto até março deste ano) e pelo economista Roberto Castello Branco (nomeado para o cargo em janeiro de 2019 e demitido em fevereiro de 2021 por Bolsonaro). Abaixo, entenda as três trocas e como as mudanças estão relacionadas com o preço de paridade de importação (PPI).

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José Mauro Coelho

José Mauro Coelho — Foto: Reprodução

José Mauro Coelho — Foto: Reprodução

Graduado em química industrial, com mestrado em engenharia dos materiais e doutorado em planejamento energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o executivo comandou o segundo menor período de gestão da Petrobras desde o fim da ditadura militar.

Ele deixou o cargo pressionado pelo governo após reajuste de preços do diesel e da gasolina. Sua saída era aguardada desde o dia 23 de maio, quando o Ministério de Minas e Energia afirmou que “diversos fatores geopolíticos conhecidos por todos resultam em impactos não apenas sobre o preço da gasolina e do diesel, mas sobre todos os componentes energéticos”.

Joaquim Silva e Luna

Joaquim Silva e Luna na posse como presidente da Petrobras — Foto: Reprodução/YouTube/Petrobras

Joaquim Silva e Luna na posse como presidente da Petrobras — Foto: Reprodução/YouTube/Petrobras

Militar, o general tomou posse em abril de 2021 e permaneceu no posto até março deste ano, totalizando 343 dias no cargo. Foi demitido em abril deste ano por ter seguido a lógica de mercado para definição dos preços dos combustíveis.

Mesmo com reajustes mais esporádicos, o general desagradou ao seguir a lógica de mercado para definição dos preços. Diante da tensão crescente após o estouro do conflito entre Rússia e Ucrânia, a Petrobras chegou a ficar 57 dias sem reajustes enquanto estudava a escalada de preços de commodities no mundo. Mas a demora a obrigou a fazer um severo reajuste nos preços, com aumento de 18,8% no litro da gasolina e de 24,9% no litro do diesel para as refinarias.

Silva e Luna foi o primeiro militar a assumir o comando da Petrobras desde 1989, quando o oficial da Marinha Orlando Galvão Filho deixou o cargo. A estatal foi comandada por militares durante a maior parte do período ditatorial e chegou a ser capitaneada entre 1969 e 1973 pelo general Ernesto Geisel, que viria a se tornar presidente da República nos cinco anos seguintes.

Roberto Castello Branco

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, durante audiência em comissão da Câmara — Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, durante audiência em comissão da Câmara — Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados

Economista, o primeiro a assumir o comando da estatal durante o governo de Bolsonaro foi indicado logo após as eleições de 2018 pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Permaneceu no cargo até fevereiro de 2021, quando foi demitido por Bolsonaro, que alegou estar insatisfeito com os reajustes nos preços de combustíveis durante a gestão do economista.

O PPI e as trocas na Petrobras

Os três ex-presidentes da Petrobras foram vitimados pela progressiva elevação do preço dos combustíveis. Pré-candidato à reeleição, Bolsonaro cobrou de todos eles que os preços fossem contidos. O presidente já chamou de “estupro” o lucro da estatal e pressionou a empresa a não reajustar preços.

A Petrobras, entretanto, está submetida ao critério de paridade internacional, política adotada pelo governo do ex-presidente Michel Temer em 2016 que faz o preço dos combustíveis variar de acordo com a cotação do barril de petróleo no mercado internacional e das oscilações do dólar.

Ainda na gestão de Pedro Parente (que presidiu a Petrobras no governo Temer de junho de 2016 a junho de 2018), a estatal adotou o preço de paridade de importação (PPI) para definir o preço da gasolina e diesel nas refinarias.

O PPI é orientado pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio. Os seguidos reajustes, apesar de auxiliarem o caixa da empresa, foram as principais motivações para as demissões de José Mauro Coelho, Joaquim Silva e Luna e Roberto Castello Branco.

4º presidente

O provável substituto de José Mauro Coelho deve ser Caio Paes de Andrade, secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, segundo o blog do Valdo Cruz (leia mais aqui). Ele foi indicado ao cargo pelo pelo governo há um mês, mas a troca esbarrou nos trâmites legais definidos para a substituição.

Caio Paes de Andrade tem formação em comunicação social pela Universidade Paulista, pós-graduação em administração e gestão pela Universidade de Harvard e é mestre em administração de empresas pela Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Caio Paes de Andrade — Foto: Divulgação

Caio Paes de Andrade — Foto: Divulgação

Esta não é a primeira vez que Caio Paes de Andrade é considerado para assumir o comando da estatal. Seu chegou a ser cogitado para o posto quando o general Joaquim Silva e Luna foi demitido. No entanto, na ocasião, o então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque preferiu o nome do economista Adriano Pires sob a alegação de que o secretário não tinha experiência na área. Dias depois, entretanto, Pires desistiu de assumir a presidência da estatal.

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