Crise avança: decisão de Dino coloca Mendonça como “suspeito” por se reunir com Vorcaro
Decisão de Flávio Dino reverte intervenção de André Mendonça na direção da Polícia Federal e levanta novos questionamentos sobre a relação do ministro do STF com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
É uma decisão importante porque a intervenção de Mendonça na direção da PF era inconstitucional. Afinal, estamos falando de uma atribuição que, em condições normais, está no âmbito do Executivo: escolher quem dirige a Polícia Federal.
Mas o que mais chama a atenção na decisão de Dino é outro ponto.
O ministro menciona que André Mendonça se reuniu com Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, instituição criada pelo ministro do Supremo.
E aí é preciso lembrar de uma investigação que a Fórum publicou.
Nós mostramos que o Instituto Iter, ligado a Mendonça, teve contratos com entes públicos da ordem de R$ 10,8 milhões sem licitação.
E foi justamente na sede desse instituto que Mendonça se reuniu com Vorcaro, banqueiro ligado ao Banco Master e personagem central das investigações que envolvem a instituição financeira.
Isso abre uma pergunta que precisa ser respondida.
O jornalista Luis Nassif já havia levantado, em uma reportagem, a questão sobre os contratos privados de André Mendonça. Os contratos públicos foram objeto da apuração da Fórum e estão documentados.
Mas e os contratos privados?
O Instituto Iter teve algum contrato com o Banco Master?
Teve algum contrato com empresas relacionadas a Daniel Vorcaro?
Essa é uma pergunta objetiva e importante.
E ela ganha ainda mais peso diante do contexto atual.
A decisão de ontem envolvendo a Polícia Federal não pode ser analisada isoladamente das investigações relacionadas ao Banco Master.
Mendonça está envolvido, por sua atuação no Supremo, em decisões relacionadas a investigações que alcançam o caso. E há questões sobre as quais ainda não existem respostas públicas suficientes.
Uma delas diz respeito à investigação conhecida como Dark Horse e à forma como Mendonça conduz o caso. Por que os sigilos de Mário Frias e Flávio Bolsonaro não foram quebrados?
É por isso que a menção de Dino à reunião entre Mendonça e Vorcaro não é um detalhe menor.
Não estou dizendo aqui que uma reunião, por si só, prove qualquer irregularidade.
Não prova.
Mas, diante do conjunto de fatos, é uma informação que precisa ser esclarecida. Especialmente quando estamos falando de um ministro do Supremo Tribunal Federal e de um banqueiro que está no centro de uma investigação de enormes proporções.
A recondução de Andrei Rodrigues por Flávio Dino também recoloca outra questão importante no centro do debate: até onde pode ir a atuação individual de um ministro quando uma decisão interfere diretamente no funcionamento de uma instituição que está sob comando do Executivo?
Dino entendeu que era necessário reverter a decisão.
E agora a bola está com o presidente do STF, Edson Fachin.
Logo ele que era tido como “nosso” por Dallagnol.
Aha, uhu…