A baiana que passou fome e resistiu e se tornou juíza
A juíza baiana Rosilene de Santana Souza transformou um sonho de infância em realidade. Natural de uma pequena comunidade no sertão da Bahia, ela precisou deixar o lugar onde cresceu aos 12 anos para buscar melhores condições de estudo e, ao longo dos anos, superar uma série de dificuldades até chegar ao cargo.
Rosilene de Santana Souza deixou e a irmã, Regina, então com 13 anos, saíram da comunidade Pajeú e percorreram cerca de 30 quilômetros até Oliveira dos Brejinhos, onde passaram a morar sozinhas.
“Ao ir para cidade, eu, com 12 anos, e minha irmã, com 13 anos, passamos fome. Foi preciso pedir restos de ossos no açougue municipal para complementar nossa alimentação, porque a gente fazia nossa única refeição na escola, e as demais refeições a gente não tinha”, contou a magistrada.
Para chegar ao município, as irmãs caminhavam cerca de dez quilômetros até a beira da estrada, onde pegavam carona em caminhões conhecidos como “pau de arara”. Na cidade, Rosilene fazia pequenos trabalhos como doméstica e recebia cerca de R$ 20 por serviço. Em busca do sonho de estudar, chegou a dormir no chão.
A mudança de trabalho permitiu que ela pudesse voltar a trilhar o caminho para o sonho de cursar Direito. Rosilene também conseguiu uma bolsa de 50% na faculdade.
Ela prestou o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quando estava no 9º período e foi aprovada. Depois de formada, começou a atuar na advocacia e passou a se preparar para concursos da magistratura. “Foram 14 concursos realizados. Nunca desisti, estudava cada vez mais até ser aprovada”, disse.
Após ser, finalmente, aprovada em primeiro lugar no concurso, Rosilene tomou posse como juíza do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), em 2023.