Globo inventa “venda” de cannabidiol ao governo em novo factoide sobre Lulinha; SUS não distribui medicamento
Globo usa vazamento de ala lavajatista da PF e alimenta narrativa de Flávio Bolsonaro contra filho de Lula com factóide de “venda” de cannabidiol ao Ministério da Saúde, que sequer tem a intenção de distribuir medicamento na rede SUS.
Na sanha de fabricar manchetes para alimentar a principal narrativa da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), a Globo tenta incluir Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em uma fictícia “venda” de canabidiol ao governo Lula. Em nota, o Ministério da Saúde já ressaltou que “nunca houve possibilidade de contratar cannabidiol, uma vez que o produto sequer está incorporado ao SUS” e que debates sobre inclusão do medicamento “nunca existiu por parte desta gestão”.
A mentira, que faz parte da dobradinha com a campanha de Flávio Bolsonaro, foi destaque na edição do Jornal Nacional desta quarta-feira (19) em reportagem que diz que a “PF encontra mensagem recebida pelo ex-chefe de gabinete de Lula com documento que traz diretrizes para a compra de medicamentos no SUS”. A reportagem é desmentida pela própria nota do Ministério da Saúde, que diz não haver distribuição de cannabidiol na rede.

Nesta quinta-feira (20), o factoide estampou a manchete do site do jornal O Globo, porta-voz político da família Marinho, com uma cifra que constaria em documento vazado pela ala lavajatista que teria tido origem no celular da empresário Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís, e classificada como “lobista” pelo jornal.
“Lobista que enviou minuta a ex-chefe de gabinete de Lula tentava acertar venda de R$ 626 milhões ao governo”, diz o texto sobre o contrato de algo impossível de ser feito nas atuais diretrizes do Ministério da Saúde.

A “reportagem” resgata o termo “minuta”, que ficou conhecido durante as investigações sobre a trama golpista de Jair Bolsonaro, e tenta incluir nomes do entorno de Lula que já fazem parte do inconsciente coletivo, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que já havia sido alvo de factoides durante o golpe contra Dilma Rousseff em 2016.
O texto diz que ele recebeu de Roberta a “minuta” que “tinha como objetivo a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde que poderiam render até R$ 626 milhões”. A informação, segundo o jornal, consta de um “plano de negócios”, vazado pela ala lavajatista da PF à Globo, que “revela o interesse da empresária e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, em fornecer ao governo federal 1,2 milhão de frascos de 36 tipos diferentes de remédios, sem licitação.
Antunes, que ganhou as manchetes com as fraudes contra aposentados que têm origem no governo Jair Bolsonaro, usava a mesma empresa de contabilidade, a Voga Serviços Contábeis, que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. Sócia administradora dos negócios de Flávio, Letícia Caetano é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso por ser acusado de atuar como operador de Antunes nas fraudes no INSS. No entanto, a Globo buscar colocar o “Careca do INSS” e a fraude no INSS no atual governo.
Marcola, que deixou o governo para evitar novo desgaste a Lula, já se manifestou dizendo que recebeu um documento com a proposta, mas que sequer passou adiante justamente por não haver programa no governo com a intenção de aquisição de cannabidiol.
Em outra reportagem, a Globo busca, pela enésima vez, usar o lobby, que não é regulamentado no Brasil, para narrar “como atuava a consultoria de amiga de Lulinha que intermediava negócios em Brasília”.
“Roberta Luchsinger era procurada por sua ampla rede de contatos com integrantes do PT”, buscando criminalizar a empresária por algo que a própria Globo faz em Brasília: lobby.
Roberta, que é neta de Peter Paul Arnold Luchsinger ex-acionista do banco Credit Suisse, é dona da empresa RL Consultoria e Intermediações, aberta em 2019, no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. No entanto, a empresa, que leva as iniciais do seu nome, só virou destaque na mídia, como “lobista”, em 2026, em meio às eleições que podem levar Lula ao quarto mandato presidencial.
A própria empresa confirmou que fez um trabalho de consultoria para Antunes, que tentava entrar no mercado de medicamentos à venda de cannabis, mas que os negócios na área não prosperaram.
“Pirotecnia” em investigação paralela
Em entrevista exclusiva à Fórum nesta quarta-feira (19), o advogado de Fábio Luís Lula da Silva e coordenador jurídico da campanha de Lula em São Paulo, Marco Aurélio Carvalho, do grupo Prerrogativas, aponta “pirotecnia” e “cegueira deliberada” da família Marinho, dona da Globo, ao escalar jornalistas para uma “investigação” paralela do filho do presidente, alimentando a principal bandeira de campanha de Flávio Bolsonaro.
“É tática diversionista, pirotécnica, para tentar tirar os olhos do que é fundamental. Nós precisamos discutir um programa de governo para esse país poder continuar seguindo em frente que, se Deus quiser, seguirá em frente sob a liderança lúcida e firme do presidente Lula”, afirmou após o jornal O Globo publicar quatro “reportagens” de uma “investigação” paralela sobre o caso.
Braço político dos Marinho, que retomaram a dobradinha com o clã Bolsonaro diante do fracasso da chamada terceira via, o jornal expõe como fontes “três pessoas que trabalharam no imóvel” alugado pela empresária Roberta Luchsinger em Brasília.
“Uma delas é a empregada doméstica Zildeni Souza, que acompanhou a rotina na casa durante sete meses, entre 2024 e 2025”, diz a reportagem principal, intitulada Mansão em Brasília era usada por lobista e Lulinha para reuniões, expondo a identidade de uma funcionária do imóvel. O caso remete
“O curioso é que esses grandes jornais que estão atuando em parceria com setores da Polícia Federal para desgastar a imagem do presidente Lula, para tentar de alguma forma contaminar o processo eleitoral, estão fechando os olhos para situações extremamente graves que deveriam atingir o campo adversário. Nós sabemos o que aconteceu nos verões passados com a família Bolsonaro, situações bastante constrangedoras”, disse Marco Aurélio Carvalho á Fórum.
O advogado ainda questiona a seletividade da mídia liberal, que praticamente esqueceu da cobertura do escândalo do caso Master após a revelação, pelo site The Intercept, de um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra Daneil Vorcaro, pivô do esquema criminoso, de parte dos 24 milhões de dólares que seriam enviados ao clã para um fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, que atua como operador financeiro de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
“Eu não vejo esses setores da imprensa questionarem o que foi feito com os mais de 60 milhões de reais [que foram efetivamente transferidos por Vorcaro ao fundo] destinados por um banqueiro que está preso para a família Bolsonaro, especificamente para um de seus filhos. Eu também não vejo nenhum questionamento sobre os valores que esse mesmo filho, que agora se candidata à Presidência da República, recebeu desse mesmo banqueiro no seu escritório de advocacia”, afirma o advogado, sobre a empresa de Flávio Bolsonaro que usa a mesma empresa de contabilidade, a Voga Serviços Contábeis, que o escritório de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Sócia administradora dos negócios de Flávio, Letícia Caetano é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso por ser o operador do empresário nas fraudes no INSS.
“É muito grave tudo o que está acontecendo. Então, são vazamentos seletivos, criminosos, com objetivos claros. E, por outro lado, na verdade, uma cegueira deliberada. É realmente inadmissível”, diz o advogado, que tenta a anulação dos três inquéritos abertos a toque de caixa pela ala lavajatista da PF em meio à campanha eleitoral.
Globo faz dobradinha com Flávio Bolsonaro
Como a Fórum revelou nesta quarta-feira (19), a Globo, da família Marinho, retomou a dobradinha com o clã Bolsonaro e armou uma investigação própria contra Fábio Luís Lula da Silva, uma das principais apostas da campanha de Flávio Bolsonaro para tirar o floco da crise intermitente da campanha e tentar reverter o desempenho nas pesquisas, onde aparece atrás de Lula desde a revelação do elo de irmandade com Daniel Vorcaro.
Braço político dos Marinho, o jornal O Globo escalou repórteres e montou uma investigação paralela do caso, que resultou em quatro reportagens publicadas na edição desta quarta-feira.
A tática remete ao caso do caseiro Francenildo Costa, durante as eleições de 2006. À época, os jornais turbinaram acusando o então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, de quebrar o sigilo na Caixa Econômica Federal (CEF) do caseiro da chamada “casa do lobby”. Em 2009, o STF rejeitou, por 5 votos a 4, a denúncia contra o ex-ministro e seu assessor de imprensa por falta de provas.
A estratégia da Globo é a mesma: criar narrativas para fabricar narrativas que possam ser propagadas pelos adversários de Lula durante a campanha eleitoral. Neste ano, o beneficiado é Flávio Bolsonaro.
Em outra reportagem, O Globo manobra para ligar o caso ao esquema de fraudes contra aposentados, que tem origem no governo Jair Bolsonaro e envolve Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que usava a mesma empresa de contabilidade, a Voga Serviços Contábeis, que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. Sócia administradora dos negócios de Flávio, Letícia Caetano é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso por ser o operador das fraudes no INSS.
“Lobista postou foto em mansão usada para reuniões com Lulinha no dia de operação da PF sobre fraudes do INSS”, diz a chamada da reportagem, que resgata uma publicação de Roberta Luchsinger nas redes na casa em Brasília no mesmo dia em que foi alvo de uma operação da PF sobre as fraudes no INSS, que seguem em investigação.
Em uma terceira reportagem, no entanto, O Globo busca incluir Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, em outro caso, que nunca foi adiante e, sequer, tem projeto no Ministério da Saúde, sobre uma suposta negociação para venda de produtos à base de cannabis ao SUS.
“Canabidiol, lobby e minuta de contrato: o que revelam as mensagens de Marcola e amiga de Lulinha”, diz o título da reportagem, remetendo ao termo que se popularizou durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Jair Bolsonaro.
Por fim, o clã Marinho escalou a colunista Bela Megale, jornalista que tem credibilidade no meio, para dizer que a “Lobista amiga de Lulinha “abandona” mansão após pagar aluguel antecipado”. Em informação, que tem como fonte “o dono da casa” que “mora no exterior”, a jornalista diz ter informações que Roberta Luchsinger “não frequenta a mansão desde que foi alvo de buscas por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF)”.
“Segundo o empresário, a notícia que recebeu é que Roberta teria “abandonado” a casa, mas que funcionários estariam cuidando do imóvel. Ele afirma que a lobista frequentou a mansão poucos meses antes de ser alvo da Polícia Federal e disse desconhecer que o filho de Lula também se hospedava no local”, escreve bela Megale, contradizendo a versão apresentada pelos “três funcionários da casa”, ouvidos pelo jornal.