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Por que Flávio Bolsonaro está frustrado com o episódio envolvendo Jaques Wagner

19/06/2026 5 min read

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 Por que Flávio Bolsonaro está frustrado com o episódio envolvendo Jaques Wagner

Senador passou algumas horas achando que capitalizaria com história do petista, mas comandos da campanha e do PL já perceberam que sua situação segue crítica e sua imagem destroçada

A euforia durou poucas horas no QG de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O sobressalto provocado pela operação da Polícia Federal da quinta-feira (18), que mirou o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi recebido inicialmente pelo parlamentar fluminense como o balão de oxigênio de que sua pré-candidatura presidencial precisava. A realidade dos fatos e os cálculos pragmáticos de sua própria equipe de assessores, contudo, trataram de sepultar rapidamente o entusiasmo, convertendo o clima de festa em frustração generalizada.

A reação intempestiva do filho 01 de Jair Bolsonaro seguiu o roteiro tradicional do bolsonarismo digital. Assim que as manchetes sobre a ação policial contra o petista ganharam as redes, Flávio correu ao X (antigo Twitter) e ao Instagram para compartilhar o revés do adversário. “Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder”, disparou. Horas mais tarde, durante um evento em São Paulo voltado ao lançamento de suas propostas de segurança pública, ele dobrou a aposta, bradando que “o PT da Bahia acaba de ser implodido” e classificando a operação como “um alento”.

O que Flávio parecia ignorar em sua investida retórica era o tamanho do próprio telhado de vidro. Detrás dos bastidores, o choque de realidade aplicado por assessores próximos e pela cúpula do PL foi imediato e severo. A avaliação interna é de que o parlamentar não tem estatura moral ou política para tripudiar sobre o caso alheio, uma vez que sua própria biografia está umbilicalmente atrelada ao mesmo escândalo, porém de forma muito mais profunda, nociva e grave.

A operação contra Wagner orbita o chamado caso Master, o exato turbilhão que há um mês arrastou a pré-candidatura de Flávio para o centro de uma crise sem precedentes. A revelação de que o senador do PL solicitou R$ 134 milhões ao banqueiro Vorcaro para financiar a produção cinematográfica “Dark Horse”, tendo recebido efetivamente cerca de R$ 61 milhões, deixou marcas indeléveis em sua imagem pública. O desgaste foi acentuado pelas idas e vindas do parlamentar, que inicialmente negou o elo financeiro para, logo em seguida, ser desmentido por provas incontestáveis.

Em termos de magnitude, a fortuna que envolve as suspeitas contra o primogênito da família Bolsonaro reduz o episódio de Jaques Wagner a uma fração menor do problema. “Quem é Flávio Bolsonaro para querer repudiar Jaques Wagner, se a acusação que pesa contra ele é infinitamente pior?”, questionou um influente estrategista da campanha, em tom de advertência nos bastidores, apurou a Fórum. Claro, a frase não foi dita nessas palavras e nesse tom na reunião. A grande diferença que imobiliza o discurso do PL é o envolvimento direto de seu quadro: enquanto Lula permanece blindado de um elo imediato com os desvios, o nome de Flávio está carimbado na testa e na raiz das transações financeiras com o banqueiro criminoso.

Embora o comitê eleitoral tente adotar uma narrativa de resiliência, celebrando o fato de Flávio não ter sofrido um “derretimento” total nas pesquisas após o caso Vorcaro, o estrago numérico é evidente. O senador viu suas intenções de voto recuarem bastante e hoje se encontra estagnado, em uma distância considerável e incômoda de Lula tanto nas projeções de primeiro quanto de segundo turno.

Diante desse cenário de terra arrasada, a ordem emanada pelo comando do PL e pelos marqueteiros é de recuo e extrema cautela. A estratégia de usar o revés do PT como principal combustível da campanha foi abortada antes mesmo de decolar. O grupo reconhece a imprevisibilidade e a inconstância extrema do caso Master e entende que apostar fichas em um escândalo que ricocheteia contra o próprio peito é um erro tático fatal.

O plano agora é diluir o episódio, fazendo explorações pontuais e cirúrgicas sem permitir que o barulho abafe o lançamento das propostas programáticas da pré-candidatura. O comando da campanha já capitulou diante do óbvio: para tentar fazer frente ao atual presidente, Flávio terá de buscar caminhos convencionais e propositivos, por mais árdua que seja a tarefa de colar uma agenda de futuro em um candidato cuja imagem presente segue destroçada e asfixiada por suas próprias pendências com a Justiça.

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