Senhor do Bonfim recebe pacote de investimentos em infraestrutura, saneamento e agricultura familiar
O silêncio do triângulo: quem expulsou o forró do São João e transformou a festa em um balcão de cachês milionários?
O resultado é que o São João vai perdendo sua identidade, trocando o som da sanfona pelo teclado eletrônico, arrocha e sertanejos sem lastro, horror musical e pela lógica do mercado. A festa vai excluindo sem dó nem piedade, o [nordeste] de sua grade musical.
Não é raro ouvir a pergunta: “Onde foram parar os sanfoneiros, os trios de forró, os cantadores e os artistas que construíram a identidade do São João?”
O debate não é exatamente contra este ou aquele cantor. A questão é que, quando os maiores cachês e os melhores horários são ocupados por sertanejo, arrocha ou outros gêneros, o forró tradicional perde espaço simbólico e econômico. O próprio forrozeiro Adelmário Coelho tem defendido mais protagonismo para os artistas locais e para o forró raiz nos festejos juninos.
Ao mesmo tempo, há uma contradição interessante: o público do forró não desapareceu. Em Salvador, por exemplo, shows de artistas como Flávio José, Léo Estakazero e outros nomes do pé-de-serra continuam lotando espaços dedicados ao gênero durante o São João.
Talvez o problema seja outro: o mercado descobriu que determinados artistas geram mais visibilidade, patrocínio e circulação nas redes sociais. E, aos poucos, a lógica comercial passou a orientar festas que nasceram como expressão cultural popular. Em discussões recentes na internet, muitos nordestinos reclamam justamente que os palcos juninos estão ficando parecidos entre si, com menos espaço para o forró tradicional e para artistas regionais.
Se eu transformasse sua reflexão em um parágrafo de opinião, ficaria assim:
Cadê os novos Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Flávio José? Cadê os trios de sanfona, zabumba e triângulo que fizeram do São João a maior festa popular do Nordeste? Enquanto milhões são gastos para trazer atrações de fora, muitos artistas locais permanecem invisíveis, sem palco e sem investimento. O resultado é que o São João vai perdendo sua identidade, trocando o som da sanfona pelo teclado eletrônico e pela lógica do mercado. A festa continua grande, mas tem se ri tornado cada vez menos nordestina. Preservar o forró não é rejeitar outros ritmos; é garantir que a cultura que construiu essa celebração não seja empurrada para os bastidores da própria festa.
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Joilson Bergher.
Analista Crítico de Política e Sociedade.
