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Economia xDestaque1

Falta mão de obra: supermercados ‘caçam’ trabalhadores em 8 funções-chave

14/03/2025 5 min read

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 Falta mão de obra: supermercados ‘caçam’ trabalhadores em 8 funções-chave

Supermercados enfrentam escassez de mão de obra em oito das 10 ocupações mais importantes de sua folha de pagamentos, que correspondem a 70% da força de trabalho do setor.

A conclusão é de um levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, e divulgado ontem.

Quais são as tais 8 vagas mais difíceis de preencher?
Operador de caixa
Padeiro
Açougueiro
Embalador
Repositor de mercadorias
Atendente de loja
Vendedor
Auxiliar de serviços de alimentação

Por que está tão difícil?
Desemprego no Brasil atingiu níveis historicamente baixos. Em casos extremos, a falta de mão de obra levou ao adiamento da inauguração de novas lojas, divulgou a Apas (Associação Paulista de Supermercados)
Funções são consideradas mais técnicas. Portanto, elas exigem alguma qualificação, um problema atualmente para as empresas. Uma pesquisa realizada pela assessoria de recursos humanos ManpowerGroup em janeiro já havia apontado que 81% das empresas brasileiras têm dificuldades para encontrar mão de obra qualificada ou com competências indispensáveis.

Seis a cada 10 empresas também têm dificuldades não só de contratar, mas de manter trabalhadores. Em 2024, cresceu não só o número de vagas, mas as demissões a pedido. Em setembro, a proporção de demissões voluntárias em relação ao total alcançou seu recorde histórico, chegando a 38,5%, apontou em novembro um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE),
Jovens que tinham o supermercado como primeiro emprego também preferem hoje trabalhos informais. O motivo? Maior flexibilidade na rotina, apontaram empresários do setor ouvidos pelo jornal. Ou seja, nem mesmo as vagas que exigem menor qualificação têm sido preenchidas com facilidade.

Rede Asun, por exemplo, possui cerca de 3.600 colaboradores em 40 lojas, mas enfrenta dificuldades de mantê-los. Seu diretor de recursos humanos, Mauricio Echeverria, confessou ter este mesmo problema à SuperHiper, publicação da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), em setembro de 2024. “Antigamente era difícil recrutar mão de obra especializada. Mas, atualmente, o problema é atrair gente ainda que seja sem experiência.”
Muitos não aceitam o retorno ao trabalho presencial ou ainda sonham em se tornar empreendedores. O número de jovens entre 18 a 29 anos com sua própria empresa cresceu 23% entre 2013 e 2023, segundo o IBGE. Eles ainda representavam 16,5% do total de quase 30 milhões de donos de negócios no país no último trimestre de 2023, de acordo com o Sebrae. Mas, apenas 8,6% destes eram de fato empregadores — o que pode sinalizar um desejo de autonomia, mas também a precarização das condições de trabalho (como prestador de serviço com CNPJ em vez de CLT).

O setor de supermercados tem cerca de 357 mil vagas em aberto. Isso representa 3,9% do total de pessoas empregadas pelo setor, apontou ainda a Abras em setembro.

Redes ‘desesperadas’ buscam alternativas.

Investimento em tecnologia se tornou solução. Muitos já procuram substituir caixas por telas de “self-checkout”, em que o cliente escaneia as próprias compras e faz o pagamento sem ajuda profissional.

Parcerias já vão muito além do tradicional. As redes buscam contatos com entidades de classe, associações de bairro e órgãos governamentais para atrair novos funcionários, mas também têm explorado novas estratégias.
“Há três meses, eu estive no Exército, no dia que os soldados dão baixa por excesso de contingente. Fui lá e palestrei na tentativa de atrair essas pessoas”.
Mauricio Echeverria, do Asun, à SuperHiper da Abras.

Benefícios e treinamentos melhoraram, segundo a associação. Hoje mercados já oferecem atrativos que não estão previstos em lei, como folgas no dia do aniversário, café da manhã e lanche da tarde para seduzir interessados nas vagas. No entanto, alguns apostam na requalificação dos funcionários que já têm para suprir os cargos mais técnicos.

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