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Bolsonaro, mentiroso lamenta uso da fala sobre canibalismo: ‘Tentam amedrontar a população’; mas quem publicou a fala foi Bolsonaro
Em entrevista ao podcast Pilhado, o chefe do Executivo afirmou que “sofre muito por sua espontaneidade”
O presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou nesse domingo (9) sobre o uso do vídeo de uma entrevista antiga ao The New York Times, por parte da campanha de Lula (PT), para tentar associá-lo ao canibalismo. Em entrevista ao podcast Pilhado, conforme apontou O Antagonista, o chefe do Executivo afirmou que “sofre muito por sua espontaneidade”.
“A esquerda faz muito bem esse trabalho. Agora estão falando duas coisas: a primeira que sou canibal. Pô, é foda, né, tu aguentar um trem desse. A segunda é que o Collor vai ser ministro e nós vamos confiscar a aposentadoria dos aposentados. E jogam, é o tempo todo assim.[…] Então, os caras ficam em cima disso aí tentando amedrontar a população”, disse Bolsonaro.
Na verdade, só o fato de ver um humano sendo cozido ou ” cozinhado” como disse Bolsonaro, por si só, já é um ato de crueldade que normalmente os sociopatas (O que é um sociopata? O sociopata possui uma condição mental caracterizada pelo desprezo ou desrespeito às pessoas e normas sociais. Os indivíduos que possuem esse distúrbio começam a dar indícios de sociopatia no início da adolescência ou início da idade adulta. Os sintomas podem variar em gravidade e frequência.) possuem.
O ministro Paulo de Tarso Sanseverino, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a campanha petista retire da televisão, rádio e redes sociais a propaganda que associa Bolsonaro ao canibalismo.
No trecho da entrevista concedida em 2016, utilizado pela campanha de Lula, Bolsonaro relata suposta experiência durante visita a uma comunidade indígena de Roraima. “Morreu um índio e eles estão cozinhando. Eles cozinham o índio, é a cultura deles. Cozinha por dois três dias e come com banana”, disse Bolsonaro.
“E eu queria ver o índio sendo cozinhado. Daí o cara falou ‘se for, tem que comer’. Eu falei, eu como! Como a comitiva não quis ir, porque tinha que comer o índio, não queriam me levar sozinho lá”, contou o presidente, que na época era deputado federal. “Eu comeria o índio sem problema nenhum, é a cultura deles, e eu me submeti àquilo”, concluiu Bolsonaro.
Ipsis literis e Ipsis Verbis a manifestação de alguém que conforme suas palavras comeria carne humana e que só não o fez, porque não ” quiseram levá-lo sozinho”.
Bolsonaro mentiu de novo e não, os Yanomami não têm o canibalismo como prática
Yanomami Junior Hekurari desmente Bolsonaro: “Coloca aí na sua matéria: ‘Presidente candidato mentiroso’.”
RUBENS VALENTE – O vídeo que viralizou nas redes sociais nesta semana no qual Jair Bolsonaro aparece dizendo a um jornalista que quase “comeu um índio” que teria sido “cozido” pelos indígenas contém mentiras e desinformações sobre o povo Yanomami, de Roraima. O yanomami Junior Hekurari, presidente do Condisi (Conselho do Distrito Sanitário Indígena) Yanomami, disse que ficou indignado quando assistiu à gravação.
“Nós, Yanomami do Surucucu, não somos canibais, nunca tivemos isso. Não tem um relato [sobre isso]. Nem relatos ancestrais nem atuais. Esse presidente não tem respeito com o ser humano. Ele inventa da cabeça, porque não tem preocupação com o Brasil. No Sucurucu tem pelotão do Exército e tem parceria boa com os Yanomami. Isso de ‘comer indígena’, isso não existe.”
