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Estudo inédito mostra que um terço das mulheres confunde os sintomas perimenopausa

15/07/2026 5 min read

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 Estudo inédito mostra que um terço das mulheres confunde os sintomas perimenopausa
Fabiane Berta, ginecologista e pesquisadora

Falta de informação e descaso médico deixam população feminina perdida na transição menopausal

Um terço (34%) das mulheres americanas com 35 anos ou mais não sabe dizer com certeza em que fase reprodutiva se encontra, segundo o artigo “Exploring Prevalence and Drivers of Perimenopause Uncertainty Among US Women: A Mixed-Methods Study”, publicado em 15 de julho de 2026 na revista Menopause, da Menopause Society. Com mais de 7.600 participantes, é o maior levantamento já realizado sobre o tema, o primeiro a quantificar essa incerteza e mapear suas causas.

A incerteza varia por idade e intensidade de sintomas atingindo o pico de 42% entre mulheres de 40 a 44 anos e chega a 37% entre aquelas com sintomas graves. A confusão de sintomas e a dificuldade em atribuir suas causas respondem por 56% dos relatos, refletindo a dificuldade em distinguir a perimenopausa de outras condições. Lacunas de conhecimento e busca ativa por informação aparecem em 28% dos casos, e barreiras à confirmação e ao cuidado, incluindo descaso e relutância de profissionais de saúde em reconhecer a fase, em 16%. Mulheres de 35 a 39 anos relatam mais lacunas de conhecimento, enquanto as barreiras de acesso ao cuidado atingem o pico entre 40 e 44 anos.

“Mais da metade das mulheres do estudo confunde os sintomas da perimenopausa com outra coisa e isso não me surpreende. Na prática clínica, a paciente chega falando de insônia, irritabilidade, esquecimento, palpitação, e raramente associa isso à fase reprodutiva em que está. Ela vai de especialista em especialista, tratando cada sintoma isoladamente, até alguém finalmente juntar os pontos e nomear o que está acontecendo”, observa a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta.

Nos Estados Unidos, cerca de 2 milhões de mulheres entram na perimenopausa a cada ano e permanecem nessa fase de transição por 4 a 8 anos. De 59% a 65% apresentam ondas de calor, além de sintomas psicológicos e urogenitais que podem prejudicar o funcionamento diário e reduzir a produtividade no trabalho. “Não existe exame laboratorial ou biomarcador que confirme definitivamente o estágio da perimenopausa, e os sintomas se sobrepõem a quadros como síndrome pré-menstrual, doenças da tireoide e transtornos de saúde mental, o que dificulta o diagnóstico e alimenta a desinformação sobre o tema”, alerta a especialista.

Diante dos resultados, os pesquisadores recomendam que médicos sejam mais abertos aos perfis multidimensionais de sintomas da perimenopausa, normalizando alterações cognitivas, emocionais e físicas que podem surgir antes da irregularidade menstrual, sintoma ainda tratado, na prática clínica, como principal indicador da fase.

“Irregularidade menstrual não pode continuar sendo o único sinal que a medicina reconhece. Muitas pacientes chegam ao consultório dizendo que já procuraram ajuda antes e ouviram que estavam novas demais para isso, mesmo com o ciclo ainda regular. Essa recomendação do estudo é exatamente o que defendemos: escutar o conjunto de sintoma e não esperar a menstruação atrasar para validar o que a paciente está sentindo”, avalia Fabiane Berta.

Enquanto os Estados Unidos já têm um número para essa confusão, o Brasil não sabe sequer quantas mulheres estão na perimenopausa. Diante dessa ausência de dados, o MyPausa, movimento liderado pela ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, busca colocar a menopausa e a perimenopausa das brasileiras no centro do debate científico e das políticas públicas.

“Quando falamos de perimenopausa, os estudos internacionais, americanos, europeus, asiáticos, descrevem um certo padrão. Mas quando essa discussão atravessa a fronteira transcontinental e chega ao cenário brasileiro, a perimenopausa aqui tem sotaque, tem CEP. Ela se comporta de acordo com a região onde essa mulher mora, com a cultura e com a etnia dela, porque o Brasil não é um país, é um continente”, destaca Fabiane Berta.

De acordo com a pesquisadora, esse estudo dá número a algo que se ouve das pacientes todos os dias. “Elas sentem que alguma coisa mudou, mas não sabem nomear o que é, e muitas vezes são desacreditadas quando procuram ajuda. No consultório, essa confusão já é a regra. O problema é que no Brasil nunca medimos isso, então não temos como dimensionar o tamanho real do problema nem cobrar resposta do sistema de saúde. Exatamente nesta lacuna que o MyPausa quer preencher com o primeiro registro nacional da menopausa, mapeando os 27 estados para entender a realidade das mulheres brasileiras nessa fase da vida”, finaliza Berta.

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