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Segurança Pública xDestaque3

VÍDEO: Execução sumária de mulher por PM em SP gera revolta em todo país

10/04/2026 7 min read

AA

 VÍDEO: Execução sumária de mulher por PM em SP gera revolta em todo país
- Soldado da PM Yasmin Cursino Ferreira, que matou uma mulher de 31 anos no meio da rua em SP - Imagem: Câmera corporal da Polícia Militar

A soldado de 21 anos, fardada e de serviço, simplesmente matou uma cidadã porque ela caminhava fora da calçada, na rua. Ações violentas cometidas por policiais explodiram na gestão Tarcísio de Freitas.

O registro minuto a minuto de uma tragédia absurda e completamente injustificável. Imagens das câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo expõem a frieza e o despreparo que culminaram na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na Cidade Tiradentes, Zona Leste da capital paulista. O que deveria ser um patrulhamento de rotina transformou-se em uma cena de execução sumária, motivada por um incidente banal de trânsito e alimentada por uma política de segurança pública que, sob o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem acumulado recordes de letalidade.

Na madrugada da última sexta-feira (3), às 2h58, Thawanna caminhava de braços dados com o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, pela Rua Edimundo Audran. No local, a precariedade urbana é evidente: calçadas com menos de um metro de largura obrigam pedestres a dividir o asfalto com os veículos. Foi nesse cenário que a viatura conduzida pelo soldado Weden Silva atingiu, com o retrovisor, o braço de Luciano.

O que se seguiu foi uma escalada de agressividade verbal por parte dos agentes. Em vez de prestar auxílio ou checar o estado do pedestre atingido, o soldado Weden deu marcha a ré e iniciou uma sequência de ofensas. “A rua é lugar para você estar andando, caaralho?”, gritou o policial. Ao ouvir a resposta de Thawanna, que tentou manter a calma dizendo “com todo o respeito, vocês que bateram em nós”, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que estava sentada no banco do passageiro, ao lado de Weden, desembarcou do veículo já em postura de confronto.

Relatos de agressão e a ausência de câmeras

Testemunhas que presenciaram a cena trazem detalhes ainda mais sórdidos. Segundo relatos colhidos no local, a soldado Yasmin não apenas discutiu, mas desferiu um murro e um chute nas partes íntimas de Thawanna antes de puxar o gatilho. A vítima, em um reflexo de defesa, teria tentado afastar a mão da policial, momento em que Yasmin recuou e efetuou o disparo certeiro no peito da cidadã.

Um detalhe técnico agrava a falta de transparência: Yasmin, embora estivesse em patrulhamento há cerca de três meses, não portava câmera corporal. A justificativa oficial é que, por ser recém-formada, ela ainda não possuía senha para operar o equipamento. O crime só foi registrado porque seu parceiro, Weden, utilizava o dispositivo, que captou o áudio do disparo e a confissão imediata da colega: “Ela deu um tapa na minha cara”, justificou a soldado ao ser questionada pelo parceiro sobre o porquê de ter atirado.

Agonia e omissão de socorro

A brutalidade não se encerrou no disparo. Thawanna permaneceu caída, agonizando no asfalto, enquanto os policiais priorizavam a contenção do marido. Luciano relatou que, mesmo em choque e sem oferecer risco, foi alvo de spray de pimenta e mantido sob a mira de armas.

O socorro médico demorou exatos 32 minutos para chegar. As imagens mostram a chegada de uma segunda viatura às 3h, mas o resgate só compareceu ao local às 3h32. Durante esse intervalo, a vida de Thawanna se esvaiu diante da inércia dos agentes que deveriam protegê-la. Ela foi levada ao Hospital Tiradentes, onde a morte foi confirmada.

Veja o vídeo:

‘Você atirou? Você atirou nela? Por quê?’, questiona PM a soldado que ma.tou mulher em abordagemhttps://t.co/tlGCVG4S8n pic.twitter.com/hjAX3F0C5C

— Daltro Emerenciano Instagram @blogdedaltroemerenci (@BlogdeDaltro) April 9, 2026

O sangrento legado da gestão Tarcísio/Derrite

A execução de Thawanna é o sintoma mais recente de uma patologia estatística em São Paulo. Desde que Tarcísio de Freitas assumiu o Palácio dos Bandeirantes, com o capitão da reserva da PM Guilherme Derrite na Secretaria de Segurança Pública (SSP), o estado abandonou políticas de redução de danos para adotar um modelo de confronto aberto.

Os números compilados pelo Ministério Público (Gaesp-MPSP) são inequívocos e assustadores:

Aumento Geral: As mortes cometidas por PMs saltaram de 355 (2022) para 702 (2024), um aumento de 98%.

Letalidade em Serviço: Se observarmos apenas os policiais que estavam trabalhando (como no caso de Thawanna), o salto foi de 233 para 600 mortes, uma explosão de 157%.

A morte da moradora da Cidade Tiradentes desencadeou protestos violentos no bairro, com moradores denunciando o cotidiano de opressão. Enquanto a SSP afirma que os agentes foram afastados e que o Departamento de Homicídios (DHPP) investiga o caso, a sociedade brasileira assiste, estarrecida, à transformação de incidentes corriqueiros em sentenças de morte executadas por quem deveria garantir a lei.

 

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