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Denunciado com mãe de miliciano Adriano da Nóbrega, Juninho do Pneu esteve com Michelle Bolsonaro e Mendonça
Deputado do União-RJ aparece em evento com Michelle Bolsonaro e em culto com André Mendonça. Ele foi denunciado com Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, em suposto esquema de lavagem de dinheiro da herança do miliciano Adriano da Nóibrega.
Denunciado nesta quinta-feira (19) pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro na Operação Legado, que apura lavagem de dinheiro, exploração do jogo do bicho e ocultação patrimonial ligados ao grupo de Adriano da Nóbrega, o deputado federal Rogério Teixeira Júnior, o Juninho do Pneu (União-RJ), aparece em registros públicos em evento com Michelle Bolsonaro e em culto com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Juninho do Pneu foi denunciado na mesma ofensiva que também atingiu Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega e ex-assessora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em outra frente do caso, a Fórum mostrou que Raimunda está entre os alvos da apuração patrimonial do Ministério Público do Rio. Segundo as investigações, ela teria atuado em um esquema de lavagem de dinheiro do filho, miliciano
No braço da investigação que alcança o deputado, o MPRJ aponta dois imóveis rurais avaliados em R$ 3,5 milhões e atribuídos a Adriano da Nóbrega, embora registrados em nome de terceiros. Segundo a apuração, após a morte do ex-capitão do Bope, os bens foram negociados com Juninho do Pneu. O deputado não foi alvo de mandados de prisão nem de busca e apreensão nesta fase da operação.
A Operação Legado resultou em 19 denunciados, com dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da Comarca da Capital. O Ministério Público do Rio dividiu o caso em três ações penais: uma sobre lavagem de dinheiro ligada à exploração do jogo do bicho, outra sobre a organização criminosa associada a Adriano da Nóbrega e uma terceira sobre a ocultação e a circulação de patrimônio do grupo.
Segundo a investigação, a estrutura patrimonial vinculada a Adriano continuou a operar após a morte do ex-policial. O Ministério Público também aponta movimentação de mais de R$ 8,5 milhões por meio de empresas de fachada em pouco mais de um ano. O rastreamento desses valores integra a mesma apuração que alcança familiares, operadores financeiros e pessoas que passaram a figurar em negócios atribuídos ao grupo.
Evento com Michelle Bolsonaro e culto com André Mendonça
Antes de aparecer na denúncia do Ministério Público, Juninho do Pneu já surgia em registros públicos ao lado de nomes centrais do bolsonarismo. Em publicação de 21 de setembro de 2024 no próprio perfil do deputado no Instagram, ele aparece em ato descrito na legenda como “Encontro das famílias com Dudu Reina 11 e Michelle Bolsonaro”, em Nova Iguaçu. As imagens do evento mostram o parlamentar no palco, ao lado de Michelle, durante a agenda política realizada no município da Baixada Fluminense.
Juninho do Pneu também aparece em registro público de um culto com André Mendonça. Em 9 de dezembro de 2021, o deputado esteve entre os participantes de um evento na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro, realizado após a aprovação de Mendonça para o STF. O encontro foi divulgado em publicação do deputado Sóstenes Cavalcante, que listou Juninho do Pneu entre os presentes e informou que Mendonça fez a ministração da palavra. A Fórum já mostrou a articulação política e religiosa que marcou a chegada de André Mendonça ao Supremo.
Os registros colocam o deputado em dois ambientes que hoje têm peso político direto na direita: um evento com Michelle Bolsonaro durante o calendário eleitoral e um culto com André Mendonça no circuito evangélico ligado a Silas Malafaia. A inclusão do nome de Juninho do Pneu na denúncia do Ministério Público do Rio passa a conectar essa circulação pública a uma investigação sobre patrimônio atribuído a Adriano da Nóbrega.

Quem é Juninho do Pneu
Na biografia oficial da Câmara dos Deputados, Juninho do Pneu é identificado como Rogério Teixeira Júnior, nascido em Nova Iguaçu em 23 de outubro de 1976. O perfil informa que ele é empresário, exerceu mandato de deputado federal entre 2019 e 2023 e ocupa novo mandato no período 2023-2027, pelo União Brasil. A página oficial também registra licenças para assumir a Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro em 2021, além de passagens anteriores como vereador e vice-prefeito de Nova Iguaçu.
A trajetória política do deputado se concentra na Baixada Fluminense, mas a denúncia do MPRJ o insere em uma apuração de alcance mais amplo, que cruza patrimônio, familiares e relações políticas do entorno de Adriano da Nóbrega. No histórico do caso, a Fórum relembrou os vínculos de Adriano com o entorno do clã Bolsonaro e a permanência do nome do ex-capitão do Bope no noticiário político e criminal do Rio.
O que diz a defesa
Após a divulgação do caso, Juninho do Pneu publicou uma nota de esclarecimento em seu perfil no Instagram. Na manifestação, o deputado afirma que a compra do terreno em Cachoeiras de Macacu foi feita por seu pai, homônimo, por valor de mercado e por meio de um corretor de imóveis que atua há décadas na região.
A nota afirma ainda que o parlamentar não conhece e não tem, nem nunca teve, relação com os criminosos citados na investigação. O texto também diz que todas as relações comerciais de Juninho do Pneu são feitas dentro da lei e declaradas à Receita Federal.
Na mesma manifestação, o deputado informa que vai constituir advogado para tomar conhecimento do inteiro teor da denúncia. A defesa sustenta ainda que eventual investigação sobre deputado federal deve ser autorizada pela Procuradoria-Geral da República, realizada pelo Ministério Público Federal e, se houver processo, tramitar no Supremo Tribunal Federal.
