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Brasil quer virar potência global em remédios, diz Lula

14/02/2026 6 min read

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 Brasil quer virar potência global em remédios, diz Lula
Brasil quer virar potência global em remédios, diz Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Unidade em Suape começa a operar em 2026, amplia produção, mira abastecimento do SUS e recebeu R$ 267 milhões em incentivos federais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, a expansão da fábrica do Aché Laboratórios Farmacêuticos em Cabo de Santo Agostinho (PE) e defendeu que o país avance rumo à soberania na produção de medicamentos, afirmando que “o Brasil vai se transformar numa potência na produção de remédios”. A agenda ocorreu no Complexo Industrial Portuário de Suape, onde a nova unidade começa a operar em 2026, com capacidade de produzir até 40 milhões de medicamentos por ano, incluindo fármacos injetáveis de uso hospitalar e colírios.

As informações foram divulgadas pela Agência Gov, que detalhou os investimentos e os objetivos do empreendimento. Ao comentar a evolução da indústria farmacêutica nacional, Lula disse que o país já reduziu parte da dependência externa e ressaltou que “alguns anos atrás, a gente tratava o Brasil como se fosse um país incapaz de produzir os seus próprios remédios” e que, segundo números mencionados na visita, “60% dos remédios já são produzidos no Brasil”, o que indicaria um patamar de autonomia superior ao de anos anteriores. No mesmo contexto, ele afirmou que o Brasil tem “condições de produzir 100% dos nossos remédios aqui”, enfatizando que deseja ver o país “soberano na questão da saúde”.

Durante a visita, o diretor-presidente do Aché, José Vicente Marino, respondeu ao desafio com otimismo, afirmando: “A gente vai chegar lá”. Lula retomou o tema e reforçou que pretende alcançar a produção integral de medicamentos no território nacional, destacando: “Você pode ter certeza que se tem alguém que sonha em chegar a 100% sou eu, porque eu quero o Brasil soberano na questão da saúde. Nós acreditamos que o Brasil vai se transformar numa potência na produção de remédios”.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participou da agenda e defendeu que a produção nacional é decisiva para o abastecimento do SUS e para o fortalecimento tecnológico do país. Ele citou iniciativas em parceria com instituições públicas e explicou que “o Aché tem parcerias com a Fundação Oswaldo Cruz” e que essas cooperações visam “pegar tecnologia de medicamentos de outros países para trazer para cá, desenvolver aqui, gerar emprego, renda, tecnologia e tratamento para as pessoas aqui”.

O pacote de investimentos divulgado pelo governo aponta para um salto de escala. Com R$ 267 milhões do BNDES e do Banco do Nordeste, a unidade contará com automação e tecnologia industrial avançada, ampliando a capacidade produtiva nacional. Ainda segundo o Planalto, desde que foi instalada, em 2019, a fábrica soma R$ 1,6 bilhão de incentivo federal para a expansão. Com o reforço da planta em Pernambuco e a consolidação do parque industrial, a capacidade total do Aché poderá chegar a até 700 milhões de unidades por ano, com a previsão de gerar 3 mil empregos diretos e indiretos.

A ampliação em Suape também é apresentada como parte de uma estratégia mais ampla de reindustrialização na saúde. O governo enquadra a iniciativa no fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com a meta de ampliar a produção local de medicamentos, vacinas e equipamentos médicos e reduzir a dependência do mercado internacional. Essa diretriz integra a Nova Indústria Brasil (NIB), que busca impulsionar o desenvolvimento industrial e tecnológico no país.

No recorte da política pública, a expansão dialoga com o desafio de tornar o SUS menos vulnerável a choques externos, variações cambiais e disputas globais por insumos estratégicos. O Planalto afirma que o investimento do Ministério da Saúde no âmbito do complexo industrial da saúde está na ordem de R$ 15 bilhões para o desenvolvimento do setor e que, desde 2023, com a retomada dessa política, foram firmadas 31 novas parcerias envolvendo empresas públicas e privadas para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e insumos considerados estratégicos.

Outro ponto destacado é que o Aché integra a Bionovis e participa de projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) voltados à produção nacional de medicamentos biológicos, de alta tecnologia, fornecidos ao SUS para tratamentos de doenças crônicas não transmissíveis e raras, como artrite reumatoide, psoríase, esclerose múltipla e câncer. A produção de itens mais complexos e a ampliação do parque industrial, segundo o governo, reforçam a sustentabilidade do SUS e a soberania na oferta de medicamentos e outros produtos de saúde.

Ao transformar a visita em um gesto político, Lula buscou associar investimento produtivo, tecnologia e proteção social, sustentando que o Brasil pode deixar de ser um importador estrutural de insumos essenciais e, com isso, fortalecer a capacidade do Estado de garantir tratamentos à população. A expansão do Aché em Pernambuco, nessa leitura, aparece como símbolo de uma estratégia que combina emprego, inovação e autonomia nacional em um dos setores mais sensíveis para a vida cotidiana do país.

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