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Bora, Botafogo!
Quando me identifiquei como torcedor do Botafogo eu era uma criança ainda, como acontece com quase todo mundo. A diferença, no meu caso, é que não foi por influência do meu pai, que, confesso envergonhado, não sei para qual time torcia, só sei que não era para o Botafogo. Eu gostava de Jairzinho e do escudo do Botafogo. Jairzinho eu admirava desde a Copa de 1970, que vi na TV de um bar na cidade de Mundo Novo. E achava lindo o escudo. Eu já tinha uns dez anos quando escolhi o Glorioso para torcer, por volta de 1972. E até hoje não desisti dele, mesmo não sendo testemunha de tantas glórias.
Minha insistência pode ter a ver com a imposição machista de que homem não muda de time (hoje, nem mulher, mas, há 50 anos futebol “não era coisa para mulheres”), afinal o Botafogo de depois de 1970 não me proporcionou muitas vezes a alegria de comemorar um campeonato, razão de ser, presumia-se, da existência de um clube de futebol. Presumia-se porque, nos últimos 20 anos, a filosofia mudou e a razão de ser de um clube de futebol é faturar financeiramente, se possível ganhando campeonatos.

Eu já começaria torcedor-comemorador em 1972, quando o Botafogo ficou muito perto do bicampeonato brasileiro, campeonato em que o Fogão pespegou um histórico 6 a 0 no Flamengo. Mas deu Palmeiras, esse mesmo que nos acossa em 2023. Em 1972, foram dois empates, 2 a 2 na primeira fase e 0 a 0 na final. O campeonato não era de pontos corridos e não havia jogo de ida e volta.
Só em 1989 pude fazer festa pela conquista de um campeonato de verdade, antes só torneios nacionais e internacionais, curtos e com poucos clubes. Até ali, foram 21 anos desde a mais importante conquista, o Brasileiro de 1968, chamado de Taça Brasil. Naquele ano, o Botafogo ganhou tudo. Depois, só em 1989, com o carioca, do qual fomos bicampeões em 1990. Conmebol 1993. E mais cariocas em 1997, 2006, 2010, 2013 e 2018. Entre estes, o Brasileirão de 1995.

Já se passaram quase 28 anos desde aquele 17 de dezembro, quando um empate com o Santos, na Vila Belmiro, justificou a minha ligação emocional com o Botafogo. Ufa!, sou campeão brasileiro. Que campanha! Na segunda-feira, coloquei a minha camisa 7 com a propaganda do Seven Up e fui trabalhar na TV Sudoeste, onde eu era o chefe de redação e onde reinavam flamenguistas e um torcedor do Vitória.
Chegamos a 2023, quando pensei que me contentaria com a Taça Rio. Eis que o Botafogo termina a primeira fase do Brasileirão com 47 pontos, 15 vitórias (o Grêmio, segundo colocado teve apenas dez), dois empates e duas derrotas; o melhor ataque, com 35 gols marcados; a melhor defesa com 11 gols sofridos; saldo de 24 gols e 83% de aproveitamento.
Esse é o tipo de cenário que acorda torcedor, reacende sua alegria, faz com que saia por aí vestindo a camisa, o leva a postar nas redes sociais sobre esse orgulho de ser vencedor e estar ao lado do time certo. Quem me via assim me perguntava se eu já torcia para o Botafogo antes. Respondia que estava voltando a torcer agora. Tinha um mais que excelente motivo. Quem é meu amigo sabe que eu sou um dos passageiros da Mercedes-Benz 413, a maior van do mercado. Mas eu já andava na kombi há muito tempo. E vi muita gente na fila comprando passagem para o ônibus que estava chegando para carregar os alvinegros felizes com o Brasileirão 2023.
Mas, aos poucos vi o meu Fogão mudar da erupção vulcânica para labaredas, depois chama, brasa, fagulha, faísca… Na segunda fase do campeonato, o Botafogo conseguiu somente 14 pontos dos 45 disputados, chegando a meros 31% de aproveitamento. É um palito de fósforo se consumindo, uma vela derretendo em algum altar de torcedor sofredor esperando reação. Mas ainda resta uma centelha de esperança.
Aprendi a admirar e torcer pelo Botafogo por causa de Wendell, Carlos Alberto Torres, Paulo César Caju, Afonsinho, Roberto, Jairzinho, Ferreti, Fischer, Marinho Chagas… Pela sua história com Garrincha, Didi, Nilson Santos, Manga, Zagalo, Heleno de Freitas, Gerson… O Botafogo que esquentou meu coração em 1995 com Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Gonçalves e André Silva (Moisés); Leandro, Jamir, Beto e Sérgio Manoel; Donizete Pantera e Túlio.
Hoje, contra o mesmo Santos que enfrentamos em 1995, vencendo por 2 a 1 no primeiro jogo e levantando a taça depois de empatar com gol de Túlio, volto a manifestar minha confiança no meu time. Afinal, torcer é isso, desejar o bem, dar uma força, estar ao lado. Sou torcedor, antes de ser ‘comemorador’. Bora, Botafogo! Vamos dar motivo para o Manequinho tomar uns chopps!
Se não der, entretanto, nesta segunda-feira, do mesmo jeito que foi em 1995 vestirei a minha camisa nova, presente do meu amigo Matheus Boa Sorte, e irei trabalhar.

P.S.: O último jogo do Brasileirão é no dia 6 de dezembro, véspera do meu aniversário. O de Lucas Perri é no dia 10 e o de Luís Henrique no dia 14. Bora fazer essa festa juntos e com um ‘tiquinho’ de alegria a mais, meu time?
