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Menstruação regular significa fertilidade preservada? Entenda o efeito da idade
Qualidade dos óvulos diminui mesmo com ciclos regulares; médico explica o que exames de reserva ovariana revelam e como a idade influencia o planejamento reprodutivo
São Paulo, setembro de 2026 – Ao longo dos ciclos ovulatórios são produzidos nos ovários os hormônios responsáveis por manter os ciclos regulares, mas isto não significa que a capacidade de engravidar permaneça a mesma. A mulher pode continuar menstruando, mas a qualidade dos óvulos declina muito antes, em função da idade.
Esse processo de envelhecimento ovular ocorre de forma gradual e antecede a irregularidade menstrual, as ondas de calor e outros sinais da perimenopausa. Segundo o Dr. Eduardo Motta, especialista em Reprodução Humana e fundador do Grupo Huntington, esperar o aparecimento desses sintomas para pensar no planejamento reprodutivo reduz drasticamente as possibilidades disponíveis.
“O óvulo piora antes que os hormônios. Quando a mulher começa a ter algum sintoma de irregularidade mesntrual, a qualidade ovular seguramente já está bem pior em termos de perspectiva”, explica.
Reserva ovariana não mede a qualidade dos óvulos
Também é importante lembrar que a reserva ovariana corresponde à quantidade de folículos ainda disponível nos ovários, já a qualidade ovocitária, por sua vez, está relacionada ao potencial do óvulo, depois de fertilizado, resultar no nascimento de uma criança.
Exames como a dosagem do hormônio antimülleriano, o AMH, e a contagem de folículos antrais, a CFA, ajudam a estimar a reserva ovariana e a prever a resposta dos ovários à estimulação utilizada nos tratamentos de reprodução assistida, mas a idade é o melhor preditor do sucesso reprodutivo..
Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, esses marcadores não devem ser utilizados isoladamente como testes de fertilidade. Eles apresentam associação fraca com a qualidade dos óvulos e não predizem com exatidão a possibilidade de uma gravidez espontânea.
A idade da mulher continua sendo um indicador mais consistente. Com o passar dos anos, diminuem as chances de gravidez e de nascimento, enquanto aumentam os riscos de alterações cromossômicas nos embriões e de perda gestacional.
Congelamento antes dos 35 anos
A fertilidade não desaparece repentinamente aos 35 anos. Essa idade é apenas uma referência clínica dentro de um processo progressivo, que varia entre as mulheres. A partir dessa faixa, no entanto, a redução das chances de gravidez começa a declinar de forma mais significativa.
A idade também influencia os resultados do congelamento de óvulos. As possibilidades futuras estão fortemente relacionadas à idade da mulher no momento da coleta, mesmo que os óvulos sejam utilizados anos depois.
“De modo prático, o ideal é que ela congele antes dos 35 anos”, afirma Motta.
Diretrizes internacionais apontam resultados mais favoráveis entre mulheres que realizam o procedimento até essa idade. Isso não significa que todas devam congelar óvulos ou que o tratamento garanta o nascimento de uma criança. As chances dependem também do número de óvulos maduros obtidos, da resposta individual à estimulação e dos resultados do centro de reprodução assistida.
Gravidez na perimenopausa
A perimenopausa é o período de transição que antecede a última menstruação, a menopausa. Nessa fase, a produção hormonal se torna mais irregular e pode provocar mudanças na frequência ou no fluxo menstrual, além de sintomas como os fogachos.
Como ainda pode ocorrer ovulação, a gravidez espontânea continua sendo possível, embora se torne menos provável com o avanço da idade. A menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem a menstruação.
Por isso, a possibilidade de engravidar espontaneamente durante a perimenopausa não deve ser confundida com uma gravidez natural, uma vez que a menopausa já deve estar estabelecida.
Ovodoação após a menopausa
Para mulheres que já entraram na menopausa e desejam engravidar, a ovodoação é a única alternativa. Nesse tratamento, óvulos de uma doadora compatível são utilizados para formar os embriões.
“Na menopausa, o ovário já não consegue mais produzir óvulos disponíveis. A perspectiva de gravidez passa a depender de óvulos de outra pessoa, mais jovem e com melhor qualidade”, explica Motta.
A indicação depende de avaliação individual. O uso de óvulos doados não elimina os riscos relacionados à idade da mulher que irá conduzir a gestação. Depois dos 45 anos, aumentam especialmente os riscos de pré-eclampsia, diabetes gestacional e restrição do crescimento fetal.
Condições preexistentes, como hipertensão arterial, pré-diabete, doenças cardiovasculares e alterações uterinas, também precisam ser investigadas antes do tratamento.
A própria ovodoação poderia ser indicada antes da menopausa, quando há comprometimento da qualidade dos óvulos ou dos embriões, redução importante da reserva ovariana e falhas anteriores em tratamentos de reprodução assistida.
O planejamento reprodutivo não precisa começar somente quando aparecem sintomas ou dificuldades para engravidar. “Para quem deseja ter filhos no futuro, uma avaliação especializada ainda durante os melhores anos férteis, ou seja, antes dos 35 anos, amplia as opções disponíveis para o planejamento reprodutivo”, conclui o médico.
Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva
Com mais de 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade.
A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.
Atualmente, a Huntington integra o Grupo Eugin, uma das maiores e mais respeitadas redes de reprodução assistida do mundo, presente em nove países. Essa conexão internacional fortalece o intercâmbio científico, a inovação contínua e o compromisso da Huntington com a evolução da medicina reprodutiva, mantendo o paciente no centro de todas as decisões.