Superávit comercial do Brasil dispara 34% em 2026
Saldo positivo chega a US$ 71 bilhões até outubro, impulsionado pelo avanço das exportações de petróleo.
A balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 71,04 bilhões entre janeiro e outubro de 2026, uma expansão de 34,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi reforçado pelo desempenho das exportações em outubro, especialmente pelas vendas de petróleo bruto, que mais que dobraram na comparação anual.
Segundo o SBT News, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que, em outubro, o Brasil alcançou superávit comercial de US$ 9,32 bilhões, crescimento de 39,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,81 bilhões em outubro, avanço de 20% na comparação anual e maior valor mensal registrado em 2026 até o momento. As importações também cresceram, mas em ritmo inferior, com alta de 14,8%, chegando a US$ 28,49 bilhões.
A diferença entre o desempenho das vendas externas e das compras internacionais contribuiu para ampliar o saldo positivo do comércio exterior brasileiro, em um cenário marcado pela valorização internacional do petróleo e pelo aumento dos embarques da commodity.
Petróleo responde por 75% do crescimento das exportações
O principal destaque da balança comercial em outubro foi o petróleo bruto. As exportações do produto atingiram US$ 8,54 bilhões, um crescimento de 122,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O petróleo respondeu por aproximadamente 75% do aumento das exportações brasileiras no período. Dos US$ 6,3 bilhões adicionais comercializados com outros países na comparação com outubro de 2025, cerca de US$ 4,7 bilhões tiveram origem nas vendas da commodity.
O desempenho foi resultado da combinação entre preços internacionais mais elevados e maior volume exportado. Segundo os dados apresentados pelo MDIC, os preços médios do petróleo brasileiro vendido ao exterior aumentaram 36,7%, enquanto as quantidades embarcadas cresceram 62,9%.
A valorização do produto ocorreu em meio às tensões provocadas pela guerra no Oriente Médio, que pressionaram as cotações internacionais e ampliaram o valor das exportações brasileiras.
Os números mostram que a expansão das vendas externas de petróleo não dependeu exclusivamente da alta dos preços. O crescimento expressivo dos volumes embarcados também teve participação decisiva no resultado de outubro.
Exportações avançam apesar de imposto de 12%
O forte crescimento das vendas externas de petróleo ocorreu mesmo com a cobrança de um imposto de 12% sobre as exportações do produto, instituído pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2026, após o início da guerra no Oriente Médio.
Nesta sexta-feira (6), o governo federal prorrogou a cobrança até 31 de dezembro, mantendo a medida destinada a assegurar o abastecimento interno de combustíveis.
A tributação busca reduzir os incentivos à exportação de petróleo bruto e ampliar a disponibilidade da matéria-prima para as refinarias brasileiras, diante das pressões provocadas pelo cenário internacional.
Apesar da incidência do imposto, as exportações da commodity apresentaram forte expansão, beneficiadas tanto pelo aumento das cotações quanto pelo crescimento dos embarques.
O resultado evidencia a importância do petróleo para o desempenho recente do comércio exterior brasileiro. Somente em outubro, o produto respondeu por aproximadamente três quartos do crescimento do valor exportado pelo país.
Saldo comercial cresce mesmo com aumento das importações
A expansão do superávit comercial ocorreu em um contexto de crescimento simultâneo das exportações e das importações.
Enquanto as vendas brasileiras ao exterior avançaram 20% em outubro, as compras de produtos estrangeiros aumentaram 14,8%. Como as exportações cresceram em ritmo superior, o país conseguiu ampliar o saldo positivo da balança comercial.
O superávit de US$ 9,32 bilhões registrado no mês contribuiu para elevar o resultado acumulado de janeiro a outubro a US$ 71,04 bilhões, consolidando um crescimento de 34,1% em relação aos dez primeiros meses de 2025.
O desempenho reforça o peso das exportações de commodities na geração de receitas externas para o Brasil, especialmente em períodos de valorização internacional de produtos estratégicos.