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Alinhado aos interesses dos EUA, Flávio Bolsonaro sugere que Pix fique fora dos BRICS

02/07/2026 10 min read

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 Alinhado aos interesses dos EUA, Flávio Bolsonaro sugere que Pix fique fora dos BRICS
Flávio Bolsonaro, Pix, bandeira dos EUA e bandeiras de países integrantes do BricsCrédito: Jefferson Rudy/Agência Senado I Brics I Marcello Casal Jr./Agência Brasil I Reprodução

Pré-candidato defende aos EUA veto à integração do Pix com mecanismos de compensação fora da esfera ocidental.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu, em ofício enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que o Pix, criado pelo Brasil, fique de fora de mecanismos de compensação transfronteiriça associados a países como China e integrantes dos BRICS, uma das principais frentes de resistência à hegemonia dos EUA na política internacional. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (2) pela coluna Grande Angular.

“O sinal decisivo seria um compromisso legislativo de que o Pix não será interconectado a mecanismos de compensação transfronteiriça não ocidentais”, escreveu o senador no documento apresentado ao USTR.

No texto, Flávio cita acordos firmados entre Brasil e China para liquidação de transações em moedas locais, a participação de instituições brasileiras no sistema chinês de pagamentos CIPS e discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do uso de moedas dos Brics no comércio internacional.

O parlamentar também argumenta que o Pix não deve ser tratado como rival direto de empresas estadunidenses do setor financeiro. Para ele, a natureza pública do sistema diferencia a ferramenta brasileira de companhias privadas que atuam em pagamentos digitais, cartões e serviços financeiros.

“O Pix é uma infraestrutura pública soberana de pagamentos, e não uma empresa comercial concorrente”, escreveu. O senador também afirma que uma eventual tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não atingiria a estrutura do Pix.

Números

Brics

Estatísticas sobre o Brics, sediado na China: Foto: Divulgação

Os nove países que já fazem parte oficialmente do Brics, somados à Arábia Saudita, reúnem mais de 40% da população mundial e devem registrar, na próxima década, crescimento demográfico superior à média global. Pelo critério do Produto Interno Bruto (PIB) medido por paridade de poder de compra, essas nações representam 37% da economia do planeta, conforme dados do Fórum Econômico Mundial.

No comércio internacional, o conjunto responde por 26% das trocas globais, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Na área energética, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), esses países concentram 44% das reservas mundiais de petróleo e 53% das reservas de gás natural. Eles também respondem atualmente por 43% da produção global de óleo e 35% da produção de gás.

O Brics surgiu em 2009 com Brasil, China, Índia e Rússia. A África do Sul entrou no grupo em 2011. No ano passado, o bloco passou por nova ampliação com a adesão de Irã, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Arábia Saudita.

Sistema de pagamento

Estatísticas do Pix. Foto: Reprodução

O Pix alcançou 30,1 bilhões de operações em 2025, crescimento de 20% em relação ao ano anterior, e consolidou sua liderança entre os meios de pagamento usados nos canais digitais. Os dados são da nova Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada em 26 de junho.

Segundo a Febraban, o volume registrado pelo Pix ficou quase três vezes acima do número de pagamentos de contas realizados no período, que somaram 9,9 bilhões de transações. Essa modalidade também avançou de forma expressiva, com alta de 99% na comparação com 2024.

O levantamento mostra que o sistema de pagamentos instantâneos mantém forte ritmo de expansão no Brasil, em meio à digitalização acelerada dos serviços financeiros. Desde sua criação, o Pix passou a ocupar espaço central na rotina de consumidores, empresas e instituições bancárias, com uso crescente para transferências, compras e pagamentos cotidianos.

Outros meios de pagamento também tiveram desempenho positivo nos canais digitais. As transações com cartão de crédito cresceram 2% em 2025 e chegaram a 2,14 bilhões de operações. O cartão de débito avançou 20%, para 60 milhões de transações.

As transferências tradicionais, como TED, perderam espaço no mesmo período. Segundo a pesquisa, essa modalidade caiu 8% e somou 960 milhões de operações, resultado que reforça a substituição gradual de instrumentos bancários antigos por soluções instantâneas e de menor fricção para o usuário.

A Pesquisa de Tecnologia Bancária também aponta que 83% de todas as transações bancárias no Brasil já ocorrem por canais digitais, como aplicativos de celular e internet banking. O dado confirma a mudança estrutural no relacionamento entre bancos e clientes, com menor dependência de agências físicas e maior uso de plataformas online.

O celular aparece como principal canal dessa transformação. Nos últimos cinco anos, o volume de operações bancárias realizadas por dispositivos móveis cresceu 169% e chegou a 187,5 bilhões de transações. A expansão reflete a popularização dos aplicativos financeiros e a ampliação do acesso digital aos serviços bancários.

A pesquisa ainda mostra as prioridades tecnológicas das instituições financeiras. A cibersegurança lidera o ranking, citada por 100% dos bancos participantes. O resultado indica a preocupação do setor com proteção de dados, prevenção a fraudes e segurança das transações em ambiente digital.

Na sequência, aparecem computação em nuvem e inteligência artificial generativa, ambas mencionadas por 84% das instituições. A inteligência artificial, de forma mais ampla, foi citada por 80% dos bancos. Essas tecnologias ganham espaço em áreas como atendimento, análise de risco, prevenção a golpes, eficiência operacional e personalização de serviços.

Blockchain aparece como prioridade para 32% das instituições financeiras ouvidas pela Febraban. A computação quântica, área que combina física, matemática e ciência da computação, foi citada por 8% dos bancos.

Família Bolsonaro e o governo Trump

O senador Flávio Bolsonaro vem mantendo contatos com integrantes do governo dos Estados Unidos com o objetivo de incentivar a adoção de sanções contra o Brasil, em reação a decisões judiciais relacionadas à investigação sobre atos golpistas. O caso ganhou força após o Supremo Tribunal Federal condenar Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão no processo que apurou a trama golpista.

A movimentação também envolve o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos e atua junto a setores da extrema direita norte-americana para defender medidas de pressão contra o governo brasileiro.

Integrantes da base do presidente Lula (PT), lideranças políticas e ativistas progressistas afirmam que essas articulações representam uma tentativa de afronta à soberania nacional, em um contexto de críticas à interferência dos EUA em assuntos internos do Brasil.

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