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Migrantes e trabalhadores relatam violência, crime e medo na Operação Acolhida em Roraima

27/07/2024 4 min read

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 Migrantes e trabalhadores relatam violência, crime e medo na Operação Acolhida em Roraima

Agência Pública

VIOLÊNCIA
imigração segurança Venezuela violência

Crime organizado, violência sexual e de gênero e medo constante: os muros que cercam os abrigos onde vivem venezuelanos que se refugiaram para o Brasil guardam também a insegurança pela qual passa essa população. Na primeira reportagem da série Segredos da Operação Acolhida, a Agência Pública traz denúncias de migrantes e trabalhadores humanitários que levam famílias inteiras a preferir viver nas ruas de Boa Vista a dentro dos espaços de acolhimento. A reportagem esteve no estado e visitou os espaços da operação em junho deste ano.

Foi a crise econômica, social e política da Venezuela que forçou a população de lá a migrar massivamente para outros países da América do Sul. Roraima, estado brasileiro na fronteira, tornou-se a porta de entrada de quem buscava por refúgio ou apenas trabalho no Brasil. A estimativa é que mais de 1 milhão de venezuelanos entraram no Brasil desde 2017, quando a crise migratória teve início, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

População imigrante teme os abrigos da Operação Acolhida

Em resposta, o governo brasileiro montou uma ação de emergência em abril de 2018 chamada de Operação Acolhida. A ação aconteceu em parceria com a Agência ONU para Refugiados (Acnur), o Exército Brasileiro, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e outras cem organizações não governamentais.

Contudo, segundo as denúncias ouvidas pela reportagem, os abrigos se tornaram locais de ameaça e violência para os refugiados.

Com medo, famílias escolhem as ruas no lugar dos abrigos

Ameaçada de morte dentro do Rondon 1, o maior e mais numeroso abrigo da Operação Acolhida, uma mulher buscou ajuda da então trabalhadora humanitária Luana Pedroso (fictício), de 31 anos, para que não fosse executada pelo tribunal do crime. “Eu tive que tomar uma decisão, por minha conta e risco: dei um jeito de conversar com o chefe [da organização criminosa] e de dizer que a situação era uma mentira [para salvar a vítima da morte]”, disse ela.

A decisão foi tomada após a ex-trabalhadora humanitária ter avaliado que, caso pedisse ajuda ao Exército, responsável por garantir a segurança dos abrigos, poderia deixar a vítima ainda mais exposta.

“Nos Rondons [abrigos da Operação Acolhida], estão acontecendo coisas trágicas. Têm ocorrido violações de crianças”, disse Luiz Perez (fictício), venezuelano de 50 anos que opta por passar o dia caminhando pelas ruas de Boa Vista, junto da esposa, de 40 anos, e dos filhos de 7 e 10 anos. Eles preferem ficar nas ruas a dentro de um dos abrigos montados para a Operação Acolhida.

Perez e a família deixaram o estado de Anzoátegui, na zona costeira da Venezuela, com o intuito de recomeçar a vida no Brasil. Para chegar à cidade roraimense de Pacaraima, na fronteira, a família contou com caronas nas estradas e longas caminhadas para percorrer pouco mais de mil quilômetros em quatro dias.

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