Convenção do PL ou encontro virtual?
O Partido Liberal/PL de Jair Bolsonaro no dia 25 de julho realizou a sua convenção partidária para homologar a candidatura de Flávio Bolsonaro para Presidente da República. Foi uma espécie de negócio de pai para filho. Não foi um encontro político para discutir propostas, analisar a situação socioeconômica do país, o fortalecimento democrático, enfim definir o caminho que o Brasil deve seguir para se tornar uma nação desenvolvida, democrática, próspera e com as necessidades básicas do seu o povo atendidas.
Longe disso, o evento buscou imitar o modelo norte-americano de convenções partidárias: muita festa, muito oba-obas e mostrar o que não se é e esconder o que realmente se é. A total ausência de forças políticas ao evento revelou o isolamento do candidato proposto, mesmo diante das forças conservadoras e direitistas que ele inutilmente tenta liderar. A pobreza política foi tal que na preparação do ato a grande questão era se a madrasta do candidato iria comparecer ou não.
Que vergonha !
Desde o fim do período imperial as querelas domésticas de poder perderam a importância na vida política brasileira, mas a família bolsonaro parece que ainda não conseguiu se descolar dessa situação.
Foi visível a intenção de insinuar a participação, de qualquer forma, da madrasta/Michele no ato político. Uma senhora, identificando-se como presidente do PL-mulher de São Paulo, fez um longo discurso citando continuadamente “Michele, nossa presidente”. Em certo momento, virou-se para a bancada de dirigentes, alguns sentados e outros de pé e gritou entusiasmada “mulheres, aqui presente, levantem o braço”. Foi constrangedor, ninguém levantou o braço. Ou não tinha nenhuma ou eram tão poucas que acharam melhor não se expor.
O desejo de criar calor e emoção na Convenção aproveitou-se até de crianças. Sobrinhas do candidato, por meio de vídeo, disseram das saudades do tio Flávio, uma vez que moram nos Estados Unidos com o pai que está foragido naquele país. O tio candidato fingindo chorar escutou a menina cantar o hino nacional, mostrando que ela ainda sabe falar em português. Realmente, foi o único momento em que o conclave demonstrou um pouco de criatividade.
A participação da madrasta, ansiosamente aguardada, limitou-se à exibição de um video no qual ela falou principalmente de si mesma. Era evidente a apreensão do candidato esperando a esposa de seu pai declarar o apoio à sua candidatura. Mas, isso não ocorreu. Apenas, uma vez, ao final da sua apresentação ela citou o nome de Flávio afirmando esperar que Deus o ajudasse a cumprir a missão. Em relação a ele mesmo ela parece não acreditar muito.
As exibições remotas ainda iriam apresentar mais novidades. A enorme tela mostrou a figura do próprio pai-chefe de toda a clã e, pasmem, começou falando: “eu não sou eu”! Sim, segundo ele próprio o video era fruto de IA/ inteligência artificial, logo não tinha nada a ver com ele. Interessante, a figura projetada falava e repetia as mesmas bobagens de sempre dele, procurando vitimar-se e se eximir de qualquer responsabilidade na tentativa golpista de 08 de janeiro. O artifício de utilizar inteligência artificial para burlar as regras eleitorais é perfeitamente compreensível uma vez que a família bolsonarista é completamente desprovida de inteligência real.
Mas, a participação física, real, em carne e osso logo surgiu no palco. Com enorme algazarra o saltitante e grotesco presidente da Argentina, Javier Milei, veio trazer o indigesto apoio para o candidato bolsonarista. Se a convenção do PL estava insossa e vazia, a presença do despenteado e desmiolado argentino tornou-a simplesmente ridícula.
Os organizadores da campanha de bolsonaro filho parece que não sabem que não existe muita simpatia entre os argentinos e os brasileiros. Mesmo depois dos dois países se unirem militarmente para massacrar o Paraguai no século XIX, no decorrer do tempo historicamente surgiu uma rivalidade difícil de ser entendida. Os argentinos chamam os brasileiros de “macaquitos” e os brasileiros os chamam de “hermanos” com alto grau de ironia. O presidente argentino além de se comportar indevidamente ofendeu o governo brasileiro e o nosso Poder Judiciário. Imaginem se em uma convenção do PT a presidenta do México comparecesse e desferisse ofensas contra autoridades nacionais. Enfim, Javier Milei e família Bolsonaro se merecem.
O desenvolvimento tecnológico progrediu extraordinariamente nos meios de comunicação e informação. É natural o seu uso para diminuir distâncias e facilitar a comunicação. Atualmente as reuniões de trabalho ou para qualquer outro fim são “on line” e atendem perfeitamente suas finalidades. No entanto, nos encontros democráticos e abertos às escutas múltiplas é muito melhor o uso da participação remota. Organizadamente todos escutam e todos podem falar. Na convenção do PL essa possibilidade não existiu porque um está preso em casa, o outro está foragido fora do país e a outra não suporta o candidato.
Finalmente, tudo indica que o candidato terá apenas o apoio do PL e de sua família (exceção da mulher do seu pai). Em compensação contará com a ajuda internacional das forças fascistas e belicistas emanadas a partir de Washington.
Vamos derrotá-las!
Edwaldo alves é filiado ao PT.