História indígena do Sertão da ressaca: A educação e memória em plataforma digital
A presença de indígenas muito antes da chegada de homens europeus ao território que hoje é o município de Vitória da Conquista, e de outras cidades do sudoeste baiano, sempre interessou ao professor conquistense de ensino médio José Carlos dos Santos Oliveira. Ele, então, se propôs a pesquisar e elaborar um projeto que veio a ser o seu trabalho de mestrado: História Indígena do Sertão da Ressaca: A Educação e Memória em plataforma digital.

No site, José Carlos explica o seu objetivo, enfatizando o papel da plataforma digital no projeto:
“Este espaço educativo surgiu a partir da nossa participação no Mestrado Profissional em Ensino de História – ProfHistória, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Escolhemos trabalhar com a temática indígena durante a execução do curso, apresentando a dissertação intitulada “A presença da temática indígena no Documento Curricular Referencial do Estado da Bahia (DCRB-BA): diálogos, possibilidades e desafios a partir da Lei Federal 11.645 (2008–2024)”, na qual analisamos a proposta curricular oficial do estado da Bahia e sua sintonia com a Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura dos povos indígenas na Educação Básica brasileira”.
“Além da dissertação, o programa de mestrado exige a criação de um produto educacional voltado à aplicação na Educação Básica. Com isso, elaboramos este site educativo, com o objetivo de ampliar a abordagem dos temas discutidos na pesquisa e oferecer conteúdos sobre a história indígena local e regional. O site se dedica, assim, a apresentar aspectos da cultura, da memória e dos modos de vida das comunidades indígenas que habitaram o antigo Sertão da Ressaca — território onde hoje se localiza o município de Vitória da Conquista e outras cidades da região Sudoeste da Bahia”.

Historiadores e pesquisadores afirmam que os povos indígenas que habitaram a área referida foram mongoiós, ymborés (também conhecidos por aimorés) e, em menor escala, os pataxós. Os aldeamentos se espalhavam por uma extensa faixa, conhecida como Sertão da Ressaca, que vai das margens do alto Rio Pardo até o médio Rio das Contas.
Os mongoiós, aimorés e pataxós pertenciam ao mesmo tronco: macro-jê. Cada um deles tinha sua língua e seus ritos religiosos. Os mongoiós costumavam fixar-se numa determinada área, enquanto os outros dois povos circulavam mais por outros lugares.
Os aimorés, também conhecidos como botocudos, tinham pele morena e o hábito de usarem um botoque de madeira nas orelhas e lábios – daí a denominação “botocudo”. Gostavam de pintar o corpo com extratos de urucum e jenipapo. Eram guerreiros temidos, viviam da caça e da pesca e dividiam o trabalho de acordo com o gênero, cabendo às mulheres o cuidado com os alimentos. Os homens ficavam responsáveis pela caça, pesca e a fabricação dos utensílios a serem utilizados nas guerras.
Os pataxós não apresentavam grande porte físico. Fala-se de suas feições largas. Não pintavam os corpos. A caça era uma de suas principais atividades. Também praticavam a agricultura. A História sempre trouxe mais elementos informativos dos mongoiós e dos aimorés.
Pesquisadores afirmam que aimorés, pataxós e mongoiós travaram várias lutas entre si pela ocupação do território, mas não lutavam pela propriedade da terra, mas pela própria sobrevivência, a área dominada era garantia de alimento para a comunidade.
Estudos mais recentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) informam que os indígenas de Vitória da Conquista se estabeleceram em comunidades próximas à atual cidade, como a do Boqueirão, próxima ao distrito de José Gonçalves, e Ribeirão do Paneleiro, perto do bairro Bruno Bacelar. Locais de mata fechada foram esconderijo de várias etnias. Um desses locais hoje é a cidade de Caatiba (foi desvinculada de Vitória da Conquista em 1961).

Consulte o site, clique no link abaixo e obtenha mais informações sobre os primeiros povos a habitar o sudoeste baiano e como estão hoje os seus descendentes.
https://memoriaindigenadevitoriadaconquistaeregiao.org