De quem é a rua? Vitória da Conquista e as imagens de uma cidade que precisa reencontrar sua humanidade. Por Joilson Bergher
Por Joilson Bergher.
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Vitória da Conquista segue produzindo imagens que causam indignação e tristeza. Uma cidade que, durante muito tempo, foi vista como referência regional, polo de desenvolvimento e espaço de convivência cosmopolita, hoje se vê exposta nacionalmente por cenas que revelam problemas profundos de gestão urbana e de sensibilidade social.
Recentemente, o Brasil assistiu pelas redes sociais ao drama de uma cidadã sendo arrastada pela força das águas das chuvas em uma valeta que, ao que tudo indica, não contava com a devida proteção e segurança. Uma cena chocante que levantou questionamentos sobre infraestrutura, prevenção e responsabilidade do poder público.
Pouco depois, outra imagem passou a circular: a de um trabalhador informal, vendedor de frutas e legumes, correndo desesperadamente para proteger seu carro de mão, sua mercadoria e seu sustento. A cena é ainda mais impactante porque mostra trabalhadores perseguindo trabalhadores. De um lado, um cidadão tentando garantir o pão de cada dia; do outro, agentes cumprindo determinações administrativas. No centro dessa contradição está a pergunta que não quer calar: por que tanto rigor contra quem luta para sobreviver?
De quem é a rua? Dos empresários? Dos donos de grandes estabelecimentos? Dos proprietários de automóveis? Ou também daqueles que vendem manga, laranja, tangerina, tomate e outros produtos para sustentar suas famílias? A rua é um espaço público e, por isso mesmo, deveria acolher a diversidade das formas de trabalho e de sobrevivência existentes na cidade.
Não se trata de negar a necessidade de organização urbana, mas de questionar a ausência de políticas que conciliem ordenamento e dignidade humana. Perseguir um trabalhador pobre, apreender sua mercadoria ou colocá-lo em situação de humilhação pública dificilmente pode ser considerado um projeto de cidade comprometido com a justiça social.
As imagens que se acumulam revelam uma cidade que parece se distanciar cada vez mais do ideal de convivência solidária. Quando tragédias urbanas se repetem e trabalhadores são tratados como problemas a serem removidos, algo precisa ser repensado. Vitória da Conquista merece voltar a ser reconhecida não apenas por sua importância econômica, mas também por sua capacidade de acolher, proteger e respeitar aqueles que constroem diariamente a sua história.
É isso: Vitória da Conquista e as imagens de uma cidade que precisa reencontrar sua humanidade.
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Joilson Bergher.
Professor/Analista Crítico de Política e Sociedade.
