BC aprovou, na gestão Campos Neto, compra de banco por Vorcaro após rejeição oito meses antes
Beto Louco e Primo teriam mil postos de gasolina: delação pode abalar a República
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, o advogado Roberto Bertholdo afirmou que uma delação premiada de Beto Louco pode “abalar a República”
Por: Marcelo Hailer
Investigadores vinculados à Operação Carbono Oculto revelaram ter identificado mais de mil postos de combustíveis ligados ao esquema comandado por Beto Louco (Augusto Leme da Silva) e Primo (Mohamad Hussein Mourad). A malha de postos associada aos dois criminosos estaria espalhada por diversos estados do país. As informações são da Folha de S.Paulo.
Na primeira etapa da investigação, os agentes haviam identificado cinco redes de combustíveis e cerca de 300 postos. No entanto, com o avanço da análise do material apreendido, foi mapeado um volume expressivo de novas redes possivelmente ligadas ao grupo. O trabalho de mapeamento, triagem e análise desses postos está em fase final de conclusão.
O advogado de defesa de Beto Louco, Celso Vilardi, declarou, em nota, que “não procedem” as informações sobre a existência de mais redes e postos ligados ao esquema e afirmou desconhecer qualquer apuração nesse sentido. A defesa de Primo não se pronunciou.
Delação de Beto Louco tem o poder de “abalar” a República, diz Roberto Bertholdo
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia na terça-feira (24/3), o advogado Roberto Bertholdo afirmou que se Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, acusado de ser o elo do PCC com a Faria Lima e alvo da Operação Carbono Oculto, fizer uma delação premiada, “abala a República”. De acordo com Bertholdo, que foi advogado de Beto Louco, ele sabe mais ou tanto quanto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude.
Bertholdo afirmou que a delação de Beto Louco foi negada pela Procuradoria-Geral da República porque o acusado delataria “pessoas muito grandes” da República, principalmente do Centrão. “Ele nunca conseguiu ingresso ou ser bem atendido por pessoas ligadas ao atual governo. Mas no centrão, ele era tratado a ‘pão de ló’. Então, ele tem muita gente para entregar. Mas o PGR não aceitou a delação dele”, declarou o advogado.
Bertholdo ainda acrescentou que tem vontade de procurar Beto Louco para tentar uma delação pela Polícia Federal. “Porque eu sei quem ele tem para delatar. E abala a República se ele delatar quem ele tem que delatar”, afirmou.
O advogado destaca que a capacidade “de estrago” de Beto Louco é tão grande quanto a de Vorcaro.
“A delação do Vorcaro seria muito importante assim como a do Beto. A gente teria revelações. Seria muito bacana se o Beto Louco viesse e contasse o que ele sabe. Assim como seria muito importante que o Vorcaro contasse tudo que fez e quem fez para ele.”
Delação de Vorcaro
Em relação à delação de Vorcaro, Bertholdo afirma que a transferência dele da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF em Brasília demonstra que ele inicia uma negociação de delação, mas ressalta que tem receio de acontecer a mesma coisa que aconteceu com a de Beto Louco. justamente por Vorcaro ter relações com diversos políticos grandes de Brasília.
“É claro que a delação premiada é revestida de uma negociação. A lei estabelece que o delator ou colaborador deve falar tudo que sabe. Mas evidentemente que ele eventualmente vai guardar uma ou outra informação. Ele tem os protegidos dele. Roberto Campos é um protegido dele”, diz Bertholdo.
Confira a entrevista completa do advogado Roberto Bertholdo
Conheça “Primo” e “Beto Louco”, os líderes do esquema do PCC com a Faria Lima
Uma megaoperação deflagrada em oito estados desarticulou um esquema bilionário de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Segundo as investigações, a rede criminosa era comandada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.
De acordo com o Ministério Público, a organização atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis e de açúcar e álcool, envolvendo usinas, distribuidoras, transportadoras, refinarias, armazenagem, redes de postos e até lojas de conveniência. As informações são do G1.
O “epicentro das operações”
Mohamad foi identificado como o chefe da estrutura criminosa e descrito como o “epicentro das operações”. Ele utilizava uma complexa rede de empresas para fraudar o fisco, ocultar patrimônio e lavar bilhões de reais. Entre os negócios usados pelo grupo estavam a Copape e a Aster, empresas do setor de combustíveis adquiridas por ele para inflar artificialmente preços de insumos, gerar créditos tributários indevidos e reduzir o pagamento de impostos.
Nas redes sociais, Mohamad se apresentava de forma distinta. No LinkedIn, ele dizia ser CEO da G8LOG, especializada em transporte rodoviário de cargas perigosas, e consultor da Copape, apresentando-se como um empresário “disciplinado e comprometido com resultados sólidos”.
As investigações revelaram que familiares, sócios, administradores e profissionais do setor foram cooptados para integrar a rede criminosa.
O papel de “Beto Louco”
Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, aparece como co-líder do esquema. Ele era responsável direto pela gestão da Copape e da Aster, utilizadas em fraudes fiscais, falsificação de documentos e lavagem de capitais. A divisão do grupo previa uma estrutura para a administração das usinas e outra para a gestão financeira e patrimonial, que operava por meio de fundos de investimento e empresas de participação.
Histórico de denúncias
Mohamad já era conhecido das autoridades. Em junho de 2023, foi denunciado por sonegação de impostos e adulteração de bombas de combustíveis em postos que controlava por meio de laranjas. Segundo a denúncia, chegou a administrar mais de 50 postos e diversas empresas ligadas ao setor. Ele já respondia, desde 2018, por falsidade ideológica e fraudes envolvendo bombas de combustíveis.
