Religião atrapalha toda vez que interfere em programas de saúde, diz Dráuzio


Médico criticou desprezo à ciência: “Quando você tem pessoas despreparadas que assumem o poder, elas se sentem inferiorizadas diante dos que tem cultura”

Imagem: Reprodução/TV Cultura
Imagem: Reprodução/TV Cultura

O médico e escritor Drauzio Varella disse que a religião não deve interferir em programas de saúde. Ele ainda falou sobre como os homens ficam “esquecidos” nas campanhas contra a gravidez na adolescência e salientou que a ciência é fundamental para o Brasil.

As declarações foram dadas na noite de segunda-feira (10), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura

Na ocasião, o médico também elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) e analisou como a sociedade aprendeu sobre a epidemia da Aids, apontando ser “crime” ir contra o uso da camisinha para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

“Acho que toda vez que a religião interfere em programas de saúde, atrapalha. Acho que tem direito de se manifestar, mas não definir estratégia, isso é coisa para técnicos fazerem”, afirmou.

” Na época da epidemia de Aids [nos anos 80], o papa da época se manifestou claramente contra o uso de preservativo. Um crime que a igreja católica cometeu. Uma doença sexualmente transmissível, uma epidemia mundial, que se transmite por sexo e que a camisinha protege, você ir contra o uso é um crime, não tem outro nome”, acrescentou.

Descaso com a ciência

Drauzio foi questionado sobre declaração recente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse que uma pessoa portadora de HIV é “despesa para todos no Brasil”, e de figuras do governo que rebatem a ciência e o desenvolvimento tecnológico.

“Bem não vai fazer [a falta de apoio]. O problema é que quando você tem pessoas despreparadas que assumem o poder, nas mais variadas áreas, elas se sentem inferiorizadas diante dos que têm cultura, os intelectuais, então elas perseguem”, disse o médico.

“Tem sido assim o tempo inteiro”, completou Drauzio, que afirmou que o Brasil tem profissionais capacitados para o desenvolvimento de novos medicamentos e tecnologia para melhorar a saúde pública, não sendo necessário buscar recursos no exterior.

“Tratam [o conhecimento] com desprezo, não dão valor. A ciência passa por isso. Você diz, ‘olha, na Amazônia o satélite mostrou…’ ‘Satélite? Isso não vale nada’! É assim, um descrédito permanente e isso atrapalha, porque dificulta a adoção de políticas públicas. O Brasil não vai sair do estágio em que se encontra sem ciência e tecnologia”, analisou.

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