O tempo fechou nas hostes petistas


O tempo fechou. Marina respondeu Dilma à altura, não com as mesmas armas usadas pela candidata-presidente e seu criador (com xingamentos, injúrias, calúnias e outras detrações mais), mas com o mesmo tom. Até então Dilma batia e Marina virava a outra face. Agora não! A turma de Dilma bateu e Marina devolveu o tapa de imediato (no formato “bateu, levou”), mas com um tapa de luva, que atingiu em cheio a alma do brasileiro, no melhor estilo Lula! Disse, em um comício, que NÃO VAI ACABAR COM O BOLSA FAMÍLIA, porque aquilo não era um discurso, mas uma vida. Disse isso de uma forma tão elevada que deve ter emocionado até mesmo a odiosa Dilma e deixado o nervoso Lula com os olhos encharcados.
O boato: Marina vai acabar com o Bolsa Família.

A verdade: Marina não só não vai acabar com o Bolsa Família – uma imbecilidade que nenhum candidato cometeria – como vai, num primeiro momento, ampliá-lo e, depois, melhorá-lo. Pelo menos é o que consta em seu Programa de Governo. O Bolsa Família retirou milhões de brasileiros da pobreza extrema e representou um salto no desenvolvimento social do país. O Programa de Governo de Marina reconhece essa conquista (o que é difícil na petezada reconhecer conquistas, por exemplo, no Governo FHC).

Além disso, Marina acredita que o Bolsa Família é um projeto que precisa avançar e passar para o que ela chama de programa social de terceira geração. O programa de primeira geração era o sacolão ou a ideia de cesta básica, que não era o melhor caminho. O programa de segunda geração é o Bolsa Família, de transferência direta de renda com contrapartida simples. O BF foi criado em 2003, no início do primeiro Governo Lula, da fusão de algumas linhas de assistência a famílias pobres herdadas de FHC de 1998 – subsídio a gás de cozinha, bolsa escola etc. A terceira geração deve promover a inclusão produtiva. Faz-se um investimento pesado em educação, para que jovens no ensino médio possam ter profissionalização e serem incluídos produtivamente, além de uma cesta de oportunidades para as pessoas que querem ser treinadas para determinadas atividades, como costureira, carpinteiro ou alguém que vai trabalhar na construção civil, isto é, que assegurem igualdade de oportunidades, acesso a serviços públicos de qualidade e a emancipação das famílias. Inclusive para evitar piadas do tipo: “Eu trabalho/ tu trabalhas/ ele vegeta/ nós trabalhamos/ vós trabalhais/ eles coçam”.
Na realidade, a campanha de Dilma não é propositiva, mesmo porque nem Programa de Governo (que ela tanto deu importância) fez. O que Dilma quer, nesta campanha, é tentar tirar votos de Marina. Somente isto. No Nordeste carros de som alardeiam que Marina vai acabar com o Bolsa Família. Candidatos do PT e aliados em toda a região continuam apregoando a mentira. É o lulopetismo em desespero!
O tema Bolsa Família é um tabu na campanha de todos os candidatos. No caso da campanha da candidata-presidente, a orientação é que, se for para falar do assunto, apenas se reforce que os benefícios serão mantidos. Por causa disso, o marqueteiro João Santana decidiu esconder um dos mais importantes números do programa: o de famílias que devolveram o cartão porque não precisam mais do benefício. É aquilo que se chama de “porta de saída”. O receio do PT é que os bolsistas interpretem o fato como um sinal de que o auxílio pode ser suspenso no futuro. Uma tragédia eleitoral. Mas o certo é justamente chegar a esta “porta de saída”, uma vez que “devemos medir o alcance de um programa social não por quantas pessoas estão nele, mas por quantas pessoas estão saindo dele” (frase de John Keynes, um economista que defendia uma intervenção maior do Estado na economia).

No Nordeste, um dos alardeadores da calúnia de que “Marina vai acabar com o Bolsa Família” é nada mais nada menos que um dos representantes do clã Sarney nas eleições do Maranhão, o senador Lobão Filho (PMDB), que aposta em alardes falsos para impulsionar sua campanha. A tática é assustar os pobres com boatos de que a oposição vai acabar com os programas sociais. Circula na internet um vídeo no qual Lobinho, como é conhecido o parlamentar, fala a uma plateia de beneficiários do Bolsa Família, que o candidato do PSDB, Aécio Neves, declarou que é contra o Bolsa Família. Aécio nunca disse isso. O oposicionista, ao contrário, já anunciou que pretende transformar o Bolsa Família em política de Estado. Sejamos sinceros! Assim fazem também com Marina. Lobão Filho, “poster boy” do grupo Sarney, é uma espécie de senador biônico. Sem jamais ter recebido um único voto, está, há quase quatro anos, exercendo o mandato por ser suplente do pai, Edison Lobão, Ministro das Minas e Energia da Presidente Dilma, e envolvido no Petrogate.

O Bolsa Família, sem o indispensável vínculo com Educação, está servindo, infelizmente, apenas para sustentar esse eleitorado cativo, na ignorância, na desinformação programada, visando o voto encabrestado, excelente degrau para a ascensão ao plano máximo gramsciano do lulopetismo, que é a tomada do poder, se possível, permanente.
Lula, em seus discursos, anda tão apavorado que chega a estar desfigurado. Por isso, une-se ao que de pior há na “velha política” para tentar manter-se no poder, para ecoar inverdades que eles (os velhos caciques regionais) mais sabem fazer: MENTIR. Lembro muito bem, num comício de Waldir Pires, em 1986, na Ceasa de Conquista, então recém-inaugurada por Pedral Sampaio, quando em campanha contra o Carlismo em franca fragilidade eleitoral naquele momento histórico, proferir a lapidar frase: “Mintam, é preciso mentir”, evocando Goebbels, Ministro da Propaganda nazista que mandava a imprensa alemã dizer inverdades para fazer a mentira se replicar até se camuflar em verdade, atitude esta eficientemente colocada em prática na Bahia durante décadas por ACM e seus asseclas, mentira na qual o próprio Waldir fora, várias vezes, vítima. Então, em matéria de mentiras, esses caciques regionais são verdadeiros grão-mestres.

No Norte do país o propagandeador das mentiras é filho de um dos políticos mais corruptos que a República já presenciou. Trata-se do filho de Jáder Barbalho, Helder Barbalho, que será candidato ao Governo do Pará pelo PMDB, com apoio do PT. Chegou até a organizar caravanas no interior do Estado nas quais os ouvintes podiam se cadastrar no Bolsa Família, tirar carteira de trabalho, consultar médico e até advogados, num verdadeiro PADRÃO HERDEITÁRIO (mistura de herdeiro e hereditário). Aliás, Pará, Amapá, Maranhão, Alagoas, tudo isto continua sendo verdadeiras capitanias hereditárias. Afinal de contas, infelizmente, ainda convivemos em uma democracia feudal onde muitos currais eleitorais são passados aos herdeiros políticos. Jáder Barbalho, José Sarney, Fernando Collor de Melo e Renan Calheiros são a tradução fiel do que existe de pior na política e políticos no país. Quem se alia a estas figuras apocalípticas então! São ervas daninhas piores que as patas do cavalo de Átila. Onde pisam destroem; onde abraçam esmagam. Estas criaturas obcecadas pela destruição de um povo sobrevivem no Brasil sob a égide de um partido que perdeu o respeito e a dignidade para preponderar sobre uma população pobre e sofrida. Das carcaças pedem o apoio e do espólio o voto.