Após denúncia de Flávio, TSE não identifica notícias falsas em canal de Lula
Após denúncia de Flávio, TSE não identifica notícias falsas em canal de Lula
Relatório analisou publicações entre 2 e 11 de outubro e não localizou os conteúdos denunciados pela campanha de Flávio Bolsonaro
A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou, no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, novas publicações com os conteúdos apontados como falsos pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Apesar disso, um relatório divulgado nesta segunda-feira (12) alerta para riscos de disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. As informações são do g1.
O documento foi elaborado pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, a pedido do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. A análise considerou publicações feitas entre 2 e 11 de outubro.
“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, afirma o relatório.
A equipe técnica também identificou limitações na análise. Segundo o documento, parte das mensagens divulgadas em setembro foi apagada a partir de 7 de outubro, o que dificultou a recuperação do histórico e a verificação do conteúdo publicado anteriormente.
Relatório aponta riscos de disseminação em massa
Embora não tenha encontrado as publicações questionadas, o chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação, Frederico Alvim, destacou características do canal que podem favorecer a circulação de conteúdos em grande escala.
Entre os fatores mencionados estão o elevado alcance das mensagens, o volume de encaminhamentos e a existência de orientações coordenadas para mobilizar seguidores e ampliar a distribuição das publicações.
O relatório também chamou a atenção para a linguagem utilizada nas mensagens analisadas.
“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, diz o documento.
Coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), o canal “Exército do Lula” reúne mais de 3 milhões de inscritos e é utilizado para compartilhar conteúdos e orientações direcionados a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Canal foi suspenso e reativado após decisões do TSE
A controvérsia começou após a campanha de Flávio Bolsonaro apresentar uma ação à Justiça Eleitoral, alegando que o canal era utilizado para disseminar informações falsas contra o candidato.
No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal. A medida, porém, foi revertida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou a retomada de seu funcionamento.
A decisão de Cueva é provisória e deverá ser analisada pelo plenário do TSE. O ministro também proibiu a divulgação de conteúdos falsos já examinados pelo tribunal, sob risco de nova suspensão.
Após a divulgação do relatório técnico, a campanha de Flávio afirmou que o canal utilizaria estratégias de exclusão de mensagens e compartilhamento de links para dificultar a fiscalização da Justiça Eleitoral.
A equipe do candidato também criticou o procedimento adotado pelo tribunal e informou que pretende apresentar um novo relatório com elementos que, segundo a campanha, sustentariam as acusações.
Lula e Flávio criticam decisões e publicações
O presidente Lula classificou como “absurda” a decisão inicial de suspender o canal e afirmou que seus advogados buscariam esclarecimentos sobre os critérios adotados.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou no domingo (11).
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou ser alvo de mentiras divulgadas em massa por adversários políticos. Ao comentar o assunto, o senador não mencionou diretamente o nome do canal.
Lula e Flávio disputam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
O relatório técnico deverá subsidiar novas decisões da Justiça Eleitoral sobre o funcionamento do canal e as acusações apresentadas pela campanha de Flávio.