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Lula anuncia que zerou fila do INSS

04/09/2026 5 min read

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 Lula anuncia que zerou fila do INSS
Lula zera a fila do INSS

Estoque de pedidos caiu de 3,1 milhões no início do ano para 1,252 milhão em agosto; casos acima de 45 dias recuaram de 1,9 milhão para 235 mil.

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (3) que o governo considera zerada a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração foi feita no Palácio do Planalto, durante a apresentação dos resultados das medidas adotadas para acelerar a análise de aposentadorias, pensões, auxílios e benefícios assistenciais.

O anúncio utiliza um novo critério para definir o fim da fila. Em 31 de agosto, o INSS contabilizava 1,252 milhão de requerimentos pendentes, número inferior aos 1,394 milhão de novos pedidos recebidos naquele mês. O governo sustenta que essa relação demonstra que o instituto passou a administrar um fluxo regular de atendimento.

Isso não significa, porém, que todos os requerimentos tenham sido analisados. O balanço apresentado na cerimônia registrava 235 mil processos sem resposta havia mais de 45 dias, prazo anteriormente utilizado para classificar os pedidos atrasados. Outros 640 mil eram solicitações recentes e 378 mil dependiam da apresentação de documentos pelos segurados.

Os pedidos com mais de 45 dias caíram 87% desde janeiro, quando chegaram a aproximadamente 1,9 milhão. O estoque total alcançou 3,1 milhões no início de 2026. Em julho, o instituto recebeu 1,4 milhão de solicitações e concluiu 1,6 milhão, enquanto o tempo médio de análise recuou para 34 dias.

“A gente não quer acabar com a fila, porque isso significaria que ninguém mais reivindica o direito. O que a gente quer é humanizar a fila, garantindo o tempo correto para dar entrada, esperar e receber o benefício”, afirmou Lula.

O presidente disse que a prioridade deve ser oferecer uma resposta rápida, inclusive quando o segurado não reúne os requisitos exigidos. Para Lula, esperar meses por uma negativa prolonga o sofrimento e impede que a pessoa procure os documentos necessários ou recorra da decisão.

A redução foi impulsionada por mutirões, pagamento de bônus, reforço do quadro de servidores, teleatendimento e análise documental de benefícios por incapacidade. O governo também priorizou pedidos iniciais no Programa de Gerenciamento de Benefícios e ampliou o uso do Atestmed.

Lula aproveitou o evento para rejeitar a responsabilização da Previdência pelo déficit público. O presidente contrapôs as despesas previdenciárias ao pagamento de juros da dívida e contestou o argumento de que aumentos reais do salário mínimo ameaçam as contas do sistema.

“Eu nunca aceitei jogar a responsabilidade do déficit em cima da Previdência Social e não vou aceitar. Se houver incompatibilidade entre receita e despesa, a gente discute e acerta”, declarou.

Ao defender o BPC, o Bolsa Família e as aposentadorias, Lula afirmou que a proteção social não deve ser tratada apenas como despesa. “Isso não é gasto. É obrigação de um Estado civilizado garantir que todos possam tomar café, almoçar e jantar todos os dias”, disse.

O Tribunal de Contas da União reconheceu avanços, mas manteve a concessão e o pagamento de benefícios na Lista de Alto Risco da administração pública. O órgão apontou problemas de tecnologia, automação e capacidade de processamento, além da dependência de programas extraordinários, e determinou a continuidade da fiscalização em um novo processo.

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