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Indústria farmacêutica movimenta R$ 230 bilhões e projeta crescimento de até 14% no Brasil

26/08/2026 8 min read

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 Indústria farmacêutica movimenta R$ 230 bilhões e projeta crescimento de até 14% no Brasil
Presidente Lula durante visita às instalações da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica, do grupo Hypera, em Anápolis (GO) Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Setor aposta em expansão puxada pelo envelhecimento da população e por novos medicamentos, mas cobra juros menores, segurança jurídica e maior participação do capital privado na inovação.

 A indústria farmacêutica brasileira movimentou R$ 230 bilhões em 2025, crescimento de 8,6% em relação ao ano anterior, e mantém perspectivas de forte expansão nos próximos anos. Ao todo, foram comercializadas 6,6 bilhões de caixas de medicamentos no país, segundo dados da IQVIA e do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

As informações foram destacadas pelo Saúde Insider, a partir de avaliações de Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma, sobre o desempenho, os desafios e as perspectivas da indústria farmacêutica brasileira.

A projeção para o setor é de crescimento entre 10% e 14%, sustentado por fatores estruturais como o envelhecimento da população brasileira, a ampliação do acesso aos medicamentos e a chegada de novos produtos ao mercado.

O cenário positivo, entretanto, convive com desafios que vão desde o elevado custo do dinheiro no Brasil até a necessidade de ampliar investimentos privados em inovação e fortalecer a fiscalização do mercado.

Inovação precisa de capital privado

Um dos principais pontos levantados por Mussolini é a necessidade de aumentar a participação do capital privado no financiamento de projetos inovadores.

“Não é com financiamento governamental que a gente faz inovação radical”, afirma o executivo.

A avaliação é que projetos de alto risco tecnológico dependem de um ambiente econômico capaz de mobilizar recursos privados, o que exige previsibilidade, segurança jurídica e condições financeiras adequadas para investimentos de longo prazo.

Nesse sentido, juros elevados representam um obstáculo importante. Com taxas altas, empresas encontram incentivos para direcionar recursos para títulos públicos em vez de assumir os riscos inerentes à pesquisa, à inovação e à expansão da capacidade produtiva.

A inflação também pressiona o setor ao elevar custos e reduzir o poder de compra dos consumidores.

Canetas emagrecedoras movimentam R$ 6,1 bilhões

Um dos segmentos que mais chamam atenção é o das chamadas canetas emagrecedoras.

Segundo os dados apresentados pelo Saúde Insider, as vendas online desses produtos chegaram a R$ 6,1 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, com crescimento de 213%.

A expansão acelerada aumenta, ao mesmo tempo, a preocupação do setor com a fiscalização.

Mussolini alerta especialmente para produtos comercializados por meio de farmácias de manipulação sem as mesmas condições regulatórias impostas aos medicamentos industrializados. Segundo ele, essa situação pode gerar concorrência desleal e, sobretudo, riscos para a saúde pública.

As chamadas “canetinhas emagrecedoras” manipuladas aparecem como um dos principais exemplos dessa preocupação, diante da possibilidade de circulação de produtos sem os controles necessários.

Reforma Tributária pode reduzir peso dos impostos

Outra expectativa relevante está relacionada à Reforma Tributária.

Atualmente, segundo os dados apresentados, a carga tributária incidente sobre medicamentos pode chegar a aproximadamente 35%. Com a implementação do novo sistema, a expectativa é que esse percentual possa cair para até 16%.

Uma redução dessa magnitude poderia melhorar as condições para investimentos e também produzir efeitos sobre o preço final dos medicamentos.

Para uma indústria diretamente relacionada à saúde da população, a tributação é particularmente relevante, uma vez que seu peso pode afetar o acesso dos brasileiros aos tratamentos.

Brasil avança na pesquisa clínica

O país também apresentou melhora importante em sua posição internacional na área de pesquisa clínica.

O Brasil passou da 18ª para a 12ª posição mundial em investimentos em pesquisa clínica, avanço associado à construção de maior segurança jurídica e à adoção de políticas de Estado para o setor.

A evolução é estratégica porque a participação em pesquisas clínicas internacionais aproxima o país dos centros de desenvolvimento de novos medicamentos, amplia a geração de conhecimento científico e pode acelerar o acesso a tecnologias inovadoras.

Ainda assim, para Mussolini, segurança jurídica e previsibilidade permanecem condições indispensáveis para ampliar os investimentos.

Empresas farmacêuticas trabalham com projetos de longa maturação e elevado risco. Mudanças frequentes nas regras podem, portanto, comprometer decisões de investimento tomadas para períodos de muitos anos.

Um setor estratégico em expansão

Com R$ 230 bilhões movimentados em um único ano e perspectivas de expansão de dois dígitos, a indústria farmacêutica ganha importância crescente na economia brasileira.

Além do envelhecimento da população, a demanda tende a ser impulsionada pela ampliação do acesso à saúde e pelo desenvolvimento de novas terapias.

O setor também acompanha discussões sobre política industrial, modernização do marco regulatório e mudanças na jornada de trabalho. Na avaliação apresentada pelo Saúde Insider, esses temas deveriam ser aprofundados após as eleições, considerando seus impactos sobre a sustentabilidade econômica das empresas.

O desafio para o Brasil será transformar o crescimento do mercado farmacêutico em maior capacidade nacional de pesquisa, inovação e produção.

Para isso, a indústria defende uma combinação de segurança jurídica, previsibilidade regulatória, maior participação do investimento privado, ambiente macroeconômico favorável e fiscalização rigorosa, especialmente diante do surgimento de novos mercados de crescimento acelerado, como o dos medicamentos para obesidade.

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