PF deflagra 5ª fase da Unha e Carne no Rio e prende Márcio Poncio
Operação investiga lavagem de dinheiro e possíveis ramificações de esquema criminoso em diferentes esferas do poder público fluminense.
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (2) o pastor Márcio Poncio, alvo da 5ª fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação também atingiu outros alvos com mandados de prisão e busca e apreensão, segundo o G1.
Alexandre deMoraes expediu três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão no âmbito do inquérito que avança sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões do crime organizado com estruturas institucionais.
Entre os alvos da nova fase está o pastor Márcio Poncio. A investigação também mira um dos principais articuladores do jogo do bicho no estado, identificado como Adilsinho, apontado como figura central da chamada nova cúpula do setor.
De acordo com a Polícia Federal, a etapa atual busca aprofundar indícios de lavagem de dinheiro e possíveis ramificações do esquema criminoso em diferentes esferas do poder público fluminense. Em nota, a corporação afirmou que a operação “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.
A Operação Unha e Carne já havia passado por quatro fases anteriores entre dezembro de 2025 e maio de 2026. Inicialmente, as investigações tinham como foco um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV), o que teria comprometido operações e favorecido investigados ligados à facção criminosa.
O caso também foi incluído no âmbito da ADPF das Favelas (ADPF 635), que estabelece diretrizes para ações de segurança pública no Rio de Janeiro. Segundo a PF, os vazamentos teriam permitido destruição ou ocultação de provas, dificultando o avanço das investigações.
Nas fases anteriores, o inquérito alcançou diferentes níveis do poder público e resultou em prisões e medidas cautelares. Entre os investigados esteve o então deputado estadual Rodrigo Bacellar, que chegou a ser preso preventivamente e posteriormente liberado com restrições judiciais, incluindo uso de tornozeleira eletrônica.
Em outra frente da investigação, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), também foi preso sob suspeita de repasse de informações sigilosas. A terceira fase, deflagrada em março de 2026, voltou a atingir Bacellar após decisão do STF e avanço de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Já na quarta fase, em maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso sob suspeita de envolvimento em fraudes em contratos na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, ampliando o escopo das investigações sobre irregularidades e desvios de recursos públicos no estado.
