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Sarau debate “Casas de farinha”

16/06/2026 5 min read

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 Sarau debate “Casas de farinha”

A professora e doutora Marise Oliveira Santos foi a palestrante do “Sarau A Estrada”, realizado no último sábado (dia 13/06/2026), no Espaço Cultural do mesmo nome, com o tema “Casas de Farinha”. A professora fez um relato do seu estudo e pesquisa de doutorado sobre essas unidades produtivas no Planalto de Vitória da Conquista.
Os trabalhos do Sarau foram abertos por volta das 21 horas com o novo Hino do Sarau composto por Jeremias Macário e os músicos e cantores Dorinho e Baducha, com todos cantando o refrão “Avante, Avante, oh Sarau! / Estradeiros da Cultura/ de Mensagem Universal”.
Estiveram presentes ao evento cerca de 40 pessoas entre artistas, professores, estudantes, jovens e interessados pela cultura. Após os informes e comunicados, o cantor, compositor e músico Carlos Moreno nos brindou com sua cantoria num estilo romântico em homenagem ao Dia dos Namorados, 12 de junho e o de Santo Antônio casamenteiro (13/06).
Num estilo pedagógico, esclarecedor e simples, a professora Marise discorreu sobre o assunto lembrando dos seus antepassados que viviam dessa atividade.
Em sua tese de doutorado decidiu, então, levantar esta memória, um pouco perdida ao longo dos tempos, com o avanço do progresso onde hoje essas casas são todas motorizadas com as novas tecnologias.
Durante o bate-papo, a pesquisadora contou várias histórias de pessoas entrevistadas donas de casas tradicionais de farinha que ainda eram movidas totalmente pelo braço humano. Segundo ela, essas casas foram desaparecendo em decorrência da força do capital onde a pequena atividade familiar vai sendo esmagada para dar lugar aos grandes empreendimentos.


Durante as intervenções, muitos deram seus testemunhos de pais que também viveram desse ofício com suas casas de farinha artesanais, como o jornalista e escritor Jeremias Macário que lembrou de ter nascido e se criado dentro de uma casa de farinha.
Além de viver do plantio da mandioca e ser dono de casa de farinha, seu pai também era construtor dessas unidades, cujos aviamentos principais eram constituídos de parafusos, feitos da baraúna, prensa, roda de cedro puxada a dois, ralador da mandioca, coxos e o forno que torrava a massa e a transformava em farinha.
Em sua cultura tradicional, a professora ainda citou as raspadeiras, muito importantes no processo da farinha. Enquanto elas trabalhavam, faziam suas cantorias, contavam seus causos e fofocas. Esse lado cultural se encerrava quando a farinha estava pronta e aí entravam os beijus depois de um dia de labuta.
Após essa discussão, o sarau teve mais uma noite memorável na cantoria da viola, com os cantores e músicos Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Fabrício e Alex Nery. A viola foi intercalada com a declamação de poemas, inclusive sobre “Casa de Farinha”.
Num clima fraternal e de amizade entre os participantes, com a troca de conhecimento e saber, a festa cultural foi acompanhada dos comes e bebes típicos do período junino e varou a madrugada, como sempre acontece.
A comissão organizadora conduziu os trabalhos com maestria, composta por Cleu Flor, Dal Farias (cicerone), Viviane Gama e Eduardo Marques. Como parte das atividades culturais, tivemos ainda a exposição da artista plástica Beth David, com seus quadros representando a indumentária dos cangaceiros.
Na ocasião, Manno Di Souza e a escritora e poetisa Regina Chaves fizeram depoimentos emocionantes sobre as origens do sarau, que está completando, agora em julho, dezesseis anos de existência, as histórias, as acirradas discussões, o convívio entre as pessoas, os temas discutidos e a aprendizagem na troca de ideias.
Na oportunidade, Regina doou seus livros publicados, “Entre Palavras e Marés: Vozes Femininas” (Coletânia), “Escritas do Pensamento- o murmúrio das ideias em voz alta”, “Suspiros Poéticos- a beleza da lira cor”, e “Brisa Ventilando a Poesia” para o acervo do Sarau.
Manno Di Souza, um dos fundadores, lembrou de casos interessantes durante esse tempo, inclusive de que o sarau nasceu do grupo “Vinho Vinil” lá atrás, numa conversa com Jeremias Macário e o fotógrafo José Carlos D´Almeida entre um vinho e um petisco. Sua filha Maria Luiza foi uma das crias do Sarau ainda criança.
De lá para cá, o “Sarau A Estrada” cresceu, aumentou sua estrutura, inclusive com mais participantes, divulgou um CD de músicas e poemas autorais, vídeos, apresentou-se no Teatro Carlos Jheovah e até já recebeu o troféu Glauber Rocha. O próximo evento já está marcado para agosto, provavelmente no dia 22.

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