O filme amaldiçoado sobre Jair Bolsonaro
Áudios entre Vorcaro e Flávio, figurantes revoltados com condições de trabalho e emendas para a produtora só prejudicaram os bolsonaristas
O filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, só trouxe dores de cabeça para o bolsonarismo.
Reportagem do site Intercept desta quarta, 13, afirma que Flávio Bolsonaro pediu ajuda financeira ao banqueiro Daniel Vorcaro no ano passado para financiar a película, que estava enfrentando problemas nas suas contas.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, teria dito Flávio, segundo áudio revelado pelo Intercept.
De acordo com o site, pagamentos teriam sido feitos a mando de Vorcaro para o fundo Havengate, ligado à produção e controlado por aliados de ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Em uma das mensagens obtidas, Mário Frias, produtor do filme que foi secretário de Cultura de Bolsonaro, manda um áudio para Vorcaro dizendo que o filme “vai mexer com o coração de muita gente”.
A reportagem não traz evidências de crimes, mas aponta para uma conexão direta entre Vorcaro, hoje preso, e o bolsonarismo — o que já está sendo usado pela esquerda.
Emendas parlamantares
O filme de Mário Frias já gerou outros problemas.
De acordo com reportagem do Estadão, Frias doou, como deputado federal, 2 milhões de reais do Orçamento da União para o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama.
Karina é dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme Dark Horse.
Wi-fi público
Uma ONG de Karina, a Intituto Conhecer Brasil, também teria recebido 108 milhões de reais da Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes, do MDB, para instalar pontos de internet em comunidades.
O serviço apresentou problemas e a suspeita é de que parte do valor foi direcionada para o filme.
Figurantes
Durante as gravações, que aconteceram entre outubro e novembro de 2025, figurantes e técnicos se queixaram de agressões e condições de trabalho inadequadas.
O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP) abriu um dossiê para reunir denúncias recebidas por canais oficiais.
A estreia do filme está sendo aguardada para algumas semanas antes do primeiro turno da eleição.
Do jeito que a coisa vai, o filme deve estar sendo mais aguardado pelos petistas do que pelos bolsonaristas.

