Gabriela Garrido e a política da verdade contra o ativismo da calúnia
Imposto, silêncio e culpa: a zona azul como pedagogia da arbitrariedade
Por Joilson Bergher
Esse comentário do jornalista Paulo Nunes cumpre um papel que vai além da denúncia pontual: ele sintetiza, de forma assertiva, um acúmulo histórico de revolta popular em Vitória da Conquista.
Ao recuperar a origem e a lógica da Zona Azul, Paulo evidencia a transformação do centro da cidade em um espaço hostil ao cidadão comum, onde estacionar deixou de ser um direito funcional e passou a ser um mecanismo de punição econômica. A progressão dos valores — de R$ 3,00 a R$ 195,00 — associada a aumentos abusivos de impostos, como o IPTU com índices que chegam a 700%, revela uma política pública que não regula o espaço urbano, mas o mercantiliza, expulsando trabalhadores e consumidores.
A reprodução do vídeo de Sandro “Pezão” reforça esse quadro ao nomear o processo como “assalto”, apontando a responsabilidade direta da gestão atual de Vitória da Conquista e expondo a contradição de um crítico que, ao mesmo tempo, se declara eleitor da própria gestão que produz o problema.
Nesse contexto, a fala de Paulo Nunes ganha densidade política ao situar tais arbitrariedades dentro de uma lógica maior: a herança histórica da extrema-direita na condução autoritária do Estado brasileiro. Ao afirmar que esse campo político é responsável por sucessivas violações e desigualdades desde a formação do país, o jornalista não recorre ao exagero retórico, mas à análise estrutural.
A sua metáfora do “câncer” não é gratuita: trata-se de um fenômeno que se infiltra, cresce silenciosamente e corrói o corpo social, normalizando abusos e culpabilizando as próprias vítimas. O silêncio da elite conquistense — especialmente daqueles que dependem economicamente do centro hoje esvaziado — evidencia uma cumplicidade histórica: enquanto os custos recaem sobre todos, a crítica só emerge quando o ônus atinge também os que sempre se beneficiaram do modelo excludente.
Conclui-se, portanto, que a crise em torno da Zona Azul e do impostômetro em Vitória da Conquista não é apenas administrativa, mas política e pedagógica. Conforme se depreende da análise ancorada na fala de Paulo Nunes, a chamada “mudez envergonhada” — metáfora do silêncio cúmplice das classes abastadas — revela que a omissão também é forma de ação política. Aqueles que elegeram a atual gestão e agora reclamam dos efeitos de suas escolhas participam, ainda que tardiamente, do mesmo processo que ajudaram a legitimar.
À luz de uma perspectiva crítica, torna-se evidente que políticas públicas excludentes não surgem do acaso, mas de projetos de poder sustentados pelo voto, pelo silêncio e pela naturalização da injustiça. Assim, compreender esse processo é condição necessária para superá-lo, sob pena de perpetuar o ciclo de arbitrariedade que se pretende, apenas retoricamente, denunciar.
E, aqui mesmo nesta rede, de forma estúpida ou pra piorar a tragédia ainda é possível alguém do alto de todo o seu ágrafo conhecimento tributário comparar imposto federal com imposto municipal! Muuuuuuuuuuu!
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Joilson Bergher!

