Democracia no lar ou estratégia política?
O cenário político de Vitória da Conquista observa, com curiosidade, a candidatura da vereadora Dra. Lara à Assembleia Legislativa da Bahia. O que torna o fato inusitado é a divergência domiciliar: seu esposo, o vice-prefeito Dr. Alan, declarou apoio a Wagner, esposo da prefeita Sheila Lemos, para o mesmo cargo.
Dra. Lara justifica a postura afirmando independência. Segundo ela, por não integrar o grupo político da prefeita, possui total liberdade para caminhar separadamente do marido. Contudo, nos bastidores, a leitura é mais complexa. A candidatura da vereadora soa como um desafio direto à liderança de Sheila Lemos, que até então goza de relativa estabilidade política após uma vitória expressiva nas urnas.
Essa movimentação, somada ao fato de que boa parte da base aliada na Câmara Municipal decidiu apoiar candidatos de fora — ou até nomes ligados ao PCdoB —, acende um sinal de alerta para o governo municipal. O que parece ser apenas uma “independência familiar” pode ser, na verdade, uma estratégia para fragilizar a imagem da prefeita. Se Wagner obtiver um desempenho abaixo do esperado na cidade, a derrota será creditada a Sheila.
A movimentação de Dra. Lara parece antecipar o xadrez das próximas eleições municipais. Resta saber: essa “democracia no lar” sobreviverá a uma eventual disputa direta pela prefeitura? Estariam marido e mulher em campos opostos na sucessão municipal?
O tempo dirá.
Gilberto Ferreira Luna

